Abel recusa reforços se estiver em causa o pagamento de salários no Palmeiras

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Abel recusa reforços se estiver em causa o pagamento de salários no Palmeiras

Abel Ferreira destacou a gestão do Palmeiras quando foi questionado sobre as diferenças entre o seu clube e o Corinthians nos últimos anos. Na conferência de imprensa que se seguiu à vitória no clássico paulista, a contar para o Brasileirão, o treinador português sublinhou a importância da liderança do clube.

O técnico começou por lembrar que já tinha enfrentado aquela equipa e perdido, incluindo um título na época passada. Na sua perspetiva, a distinção não está tanto no treinador, na equipa técnica ou nos jogadores, mas em quem dirige o clube. Abel considerou que, sem a força e a coragem da presidente, poderia já ter sido despedido duas ou três vezes. Recordou que essa situação não é recente e remonta ao período posterior à conquista de duas Libertadores. Acrescentou que respeita os adversários, mas não comenta as suas escolhas, porque cada rival segue o caminho que entende.

Para ilustrar a política do Palmeiras, deu o exemplo da mais recente grande venda do clube, a de Allan para o Manchester City. O treinador salientou que o jogador saiu por 40 milhões de euros e que não foi contratado ninguém para o substituir, pelo que não poderia afirmar que o plantel passou a dispor de mais alternativas depois dessa transferência.

Abel recuperou ainda as declarações feitas pelo diretor e pela presidente há um ou dois anos, nas quais ambos tinham sublinhado o respeito pelos profissionais do Palmeiras, pelos patrocinadores e pelos fornecedores. Explicou que lhes transmitiu, em várias ocasiões, que não queria contratar um futebolista se isso implicasse deixar de pagar os salários aos funcionários, em especial àqueles que mais precisam. Para o português, a chegada de jogadores não pode acontecer à custa do pagamento dos vencimentos.

Ao recordar o percurso iniciado em 2020, o treinador apontou que, nesse ano, quase não houve contratações: chegaram Breno, proveniente da segunda divisão, e Kuscevic. Na temporada seguinte, a opção passou pela aposta na formação, sem contratar ninguém. Segundo Abel, os resultados foram alcançados com recurso a processos que já existiam no clube e a outros introduzidos pela equipa técnica. Reforçou também a ideia de que o Palmeiras deve servir de exemplo, admitindo que será, porventura, a equipa mais jovem entre as que ocupam os primeiros lugares.

O técnico frisou que o clube nunca abandonou aquilo em que acreditava, destacando novamente a presidente. Questionou o peso atribuído ao treinador num contexto em que outros clubes já tiveram 30, 20 ou 15 técnicos, associando essa realidade à gestão. Explicou que, numa primeira fase, foi necessário conter, antes de avançar para o investimento. Hoje, acrescentou, o Palmeiras consegue contratar jogadores como Vitor Roque ou Arias porque vendeu muito e bem, enumerando as saídas de Allan, Estêvão, Endrick e Vitor Reis.

Apesar de considerar o clube um modelo a seguir, Abel ressalvou que isso não significa vencer sempre. Lembrou que nenhuma equipa do mundo o consegue fazer, nem mesmo o PSG, que descreveu como tendo o melhor treinador e os melhores jogadores do mundo.

Antes de abordar a gestão, o português já tinha analisado a partida e assegurado que todos os encontros serão tratados como finais. Explicou que a motivação, tanto a sua como a dos jogadores, não surge apenas por defrontarem o Corinthians. Quem representa o Palmeiras, defendeu, sabe que tem de dar tudo em cada jogo. Abel manifestou ainda o desejo de sentir a mesma energia em todas as partidas e garantiu que a equipa fará a sua parte, encarando cada compromisso como uma final.

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