ANTF alerta para instabilidade após dez saídas de treinadores em oito jornadas
A Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) manifestou preocupação com a saída de dez treinadores dos dois principais campeonatos portugueses ao cabo de apenas oito jornadas. A associação lamenta a sucessão de alterações nos comandos técnicos e considera que estas revelam instabilidade.
Num comunicado enviado à imprensa, a ANTF sustenta que a saída de dez técnicos numa fase tão precoce das duas competições representa um sinal de instabilidade que deve motivar uma reflexão séria de todos os intervenientes no futebol português.
Para a associação, substituir o treinador não deve continuar a ser visto como uma solução imediata para resultados menos positivos. A ANTF salienta que formar equipas competitivas requer tempo, planeamento, confiança e continuidade, fatores que considera indispensáveis para consolidar métodos de trabalho e desenvolver projetos desportivos sustentados.
Respeitando a autonomia dos clubes, a estrutura defende que a avaliação do trabalho dos técnicos não deve assentar apenas nos resultados imediatos, deixando de fora o contexto, os meios à disposição e as opções estratégicas tomadas pelas direções.
A ANTF sublinha ainda que a responsabilidade deve ser apreciada globalmente, para que o treinador não seja sistematicamente o primeiro e único visado quando surgem dificuldades. A associação reclama uma cultura de maior estabilidade, rigor e responsabilidade na gestão desportiva, esclarecendo que estabilidade não equivale a manter alguém a qualquer preço, mas a tomar decisões ponderadas, assegurar projetos coerentes e criar condições para uma avaliação adequada do trabalho realizado.
Na terça-feira, foram oficializadas as saídas do espanhol Carlos Vicens, do Sporting de Braga, e de Alexandre Santos, do Nacional. As duas mudanças seguiram-se à de Carlos Carvalhal, que tinha deixado o Famalicão por mútuo acordo no dia anterior. Nos bracarenses, Franclim Carvalho já iniciou funções e deverá estrear-se na quinta-feira, na Liga Conferência. No Nacional, está previsto que Bruno Abreu conduza a equipa no encontro de domingo com o Sporting de Braga.
Vasco Matos já tinha saído do Estoril Praia depois da oitava jornada, a mais recente disputada na Liga. Também o grego Sotiris Silaidopoulos tinha sido afastado do Rio Ave, sendo substituído por Vasco Seabra. Este deixou o Arouca para seguir para Vila do Conde, com Vítor Severino a assumir a sua sucessão no clube arouquense.
João Gião foi o primeiro treinador a deixar funções nesta edição da Liga, saindo do Nacional após a quarta jornada. Bruno Abreu orientou depois os insulares interinamente na deslocação ao Sporting, antes de Alexandre Santos assumir a equipa a partir da sexta ronda.
Na II Liga, o Amarante também trocou de treinador: Jorge Pinto saiu ao fim de oito jogos, depois da derrota por 2-0 com o Portimonense. Na terça-feira, o clube anunciou o regresso de Renato Coimbra, que já o tinha orientado entre 2022 e 2024. Também esta terça-feira, o AVS confirmou a saída de Sérgio Fonseca.
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