António Salvador prevê investir 50 milhões de euros na modernização do estádio
António Salvador anunciou que pretende aplicar 50 milhões de euros na modernização do estádio do Sp. Braga, com o objetivo de melhorar a sua funcionalidade e aumentar a capacidade de gerar receitas.
Em declarações ao canal 11, depois de abordar o assunto numa intervenção no Portugal Football Summit, o presidente dos minhotos destacou a singularidade arquitetónica do recinto, mas reconheceu que este não responde às necessidades do futebol nem permite obter as receitas de que os clubes necessitam. Segundo explicou, está em curso uma análise para modernizar o estádio e reforçar os rendimentos de corporate, tanto nos dias de jogo como fora deles. Atualmente, o recinto gera cerca de 2 a 2,5 milhões de euros por ano, e a meta passa por atingir um valor entre 12,5 e 15 milhões de euros nos próximos cinco anos.
O dirigente adiantou que haverá em breve conversações com a câmara, uma vez que o estádio não pertence ao clube. Salvador admitiu que o Sp. Braga deverá ficar definitivamente com o recinto, mediante negociação com a autarquia, para poder avançar com um investimento de cerca de 50 milhões de euros. A intenção é preparar o estádio para assegurar uma fonte de receita nos próximos anos, sendo a intervenção financiada pelos rendimentos que o próprio equipamento venha a produzir.
Salvador reforçou que o esforço financeiro terá de ser suportado pelo acréscimo de receitas, sem comprometer a qualidade da equipa profissional. Recordou a dificuldade de investir 80 milhões de euros na academia recorrendo às receitas correntes da gestão diária, sem afetar a competitividade do futebol. Por isso, defendeu que o clube não pode assumir uma segunda fase de investimento, agora de mais 50 milhões de euros, através dos mesmos recursos, sob pena de prejudicar a vertente competitiva. A solução, explicou, terá de passar por um modelo de project finance, sustentado pelo aumento das receitas dos próximos anos.
Entre os restantes temas abordados esteve a centralização dos direitos audiovisuais, que o presidente bracarense apontou como essencial para tornar o futebol português mais competitivo. Lembrou que o Sp. Braga defende esse processo há muitos anos e considerou que o modelo permitirá equilibrar o campeonato e reforçar a sua competitividade. Para Salvador, o debate deve centrar-se na forma de captar mais receitas e de as repartir pelos clubes, em vez de se concentrar no que três clubes poderão ganhar ou perder.
Sobre a gestão desportiva e as vendas recorde dos últimos anos, o dirigente destacou o crescimento dos rendimentos do Sp. Braga. Indicou que o clube superou este ano os 115 milhões de euros de rendimentos totais, um máximo que representa a duplicação da faturação em quatro anos. Ainda assim, sublinhou que continua a ser necessário vender ativos anualmente, tal como acontece com os restantes clubes portugueses. Na sua perspetiva, nenhum clube em Portugal consegue ser sustentável sem realizar vendas todos os anos para equilibrar as contas, e o crescimento depende desse equilíbrio económico e financeiro.
A propósito da transferência de Rodrigo Zalazar para o Sporting, por 30 milhões de euros, Salvador lembrou que o médio foi um dos melhores jogadores do campeonato no ano passado e uma peça muito importante para os bracarenses, com 22 golos e dez assistências. Explicou que, no início da época, ficou definido que o jogador sairia no final da temporada. Após três anos ao mais alto nível em Braga, considerou que se encerrava um ciclo, momento em que os clubes devem procurar rentabilizar os futebolistas da melhor forma possível. Como Zalazar estava muito valorizado, classificou a operação como positiva para o Sp. Braga, para o jogador e para o Sporting.
Apesar das saídas no último verão, António Salvador entende que o plantel dispõe de mais argumentos do que na temporada anterior. Admitiu, porém, que o começo da Liga ficou abaixo do desejado, defendendo que a equipa deveria apresentar um rendimento superior e estar mais competitiva e preparada para ganhar os jogos.
O presidente relacionou essas dificuldades com a participação nas pré-eliminatórias, uma situação que se tem repetido nos últimos anos. Explicou que uma pré-época mais curta, juntamente com seis partidas de alta competição decisivas para alcançar a fase de grupos, condiciona bastante o arranque do campeonato. Ainda assim, salientou que o Sp. Braga tem de reagir e corresponder à sua exigência competitiva: entrar em todos os encontros para vencer.
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