Arouca resiste à festa do Belenenses no Jamor e avança após prolongamento

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Arouca resiste à festa do Belenenses no Jamor e avança após prolongamento

O Jamor viveu uma tarde de festa, mas foi o Arouca a garantir a passagem à eliminatória seguinte. Este domingo, os lobos venceram o Belenenses por 4-3, após prolongamento, no Estádio Nacional. No palco habitual da final da Taça de Portugal, o ambiente criado pelos adeptos azuis nas matas fez lembrar uma decisão antecipada. Dentro de campo, foram necessários 120 minutos para encontrar o vencedor, num encontro com três reviravoltas e uma reta final frenética.

Com o relvado do Estádio do Restelo em substituição, devendo estar pronto na próxima semana para a receção ao Sp. Covilhã, o Belenenses voltou a instalar-se no Jamor. A atmosfera especial começou a sentir-se antes do apito inicial e acompanhou toda a partida, numa autêntica jornada de Taça.

À chegada, o aroma das bifanas indicava o caminho. Depois de descer três socalcos entre as árvores, ainda sem ninguém à vista, o cheiro tornava-se mais forte e já se escutava música ao longe.

Numa clareira estavam reunidos os primeiros ingredientes da festa: três carrinhas serviam bifanas, pão com chouriço, cachorros-quentes e cerveja. Ainda faltavam os adeptos e os cachecóis. A duas horas do encontro, apenas David, emigrante em França, estava ao balcão, com o cachecol do Belenenses e a camisola da Fúria Azul.

Assumiu de imediato o papel de anfitrião, garantindo, com entusiasmo, que os restantes adeptos estavam a chegar e que dois autocarros se preparavam para sair do Restelo. Pediu que esperássemos mais um pouco pela festa. Na apresentação, explicou que aquele seria o seu último jogo antes de regressar à condição de emigrante em França. A ligação ao clube vinha de família: nascera em Belém, o pai era adepto do Belenenses e o avô tinha jogado no clube. Uma paixão que descreveu como estando no sangue.

Os autocarros tardavam, mas começaram a aparecer pequenos grupos entre as árvores. Famílias e amigos, de várias gerações, juntavam-se no «ponto azul», a zona de convívio disponibilizada pelo Belenenses aos seus adeptos. David apresentou-nos então Zé Luís Lemos, de 80 anos, sócio número 1.056 do clube.

Enquanto ia buscar uma cerveja, o veterano reconheceu que ainda havia pouca gente, mas mostrou-se convencido de que seriam muitos mais numa eventual final. Sublinhou as particularidades de um encontro entre equipas de divisões diferentes e deixou clara a confiança numa vitória.

Pelo verde da mata continuavam a surgir camisolas azuis, também atraídas, certamente, pelo aroma das bifanas. Ricardo Murça, de 46 anos, chegou acompanhado pela família. Para este adepto, a deslocação tinha quase o significado de uma final, pelas memórias de boas tardes no Jamor que a sua geração guardava.

Ainda assim, não escondeu a preferência pelo Restelo, a casa onde considerava que a equipa jogava melhor e seria mais forte. Em contrapartida, lembrou que os últimos encontros disputados pelo Belenenses no Jamor tinham terminado em vitórias, esperando que o estádio voltasse a funcionar como talismã.

O percurso da equipa ajudava a alimentar a confiança: o Belenenses vencera os primeiros seis jogos da temporada, incluindo duas eliminatórias da Taça de Portugal, antes de empatar na visita ao Mafra, na semana anterior. Ricardo recordou que os azuis continuavam invictos e acreditava num bom resultado. Apesar de reconhecer a boa época do Arouca, apontou as eliminações do Santa Clara pelo Mafra e do Viseu pelo Fátima como exemplos da imprevisibilidade da prova.

O início do encontro aproximava-se e a confiança dominava as conversas. Os adeptos ainda estavam longe de imaginar todas as emoções que os esperavam.

David continuava a dar conta do atraso dos autocarros, embora garantisse que já tinham saído do Restelo. Entretanto, algumas dezenas de adeptos reuniram-se junto das roulottes. No caminho para o estádio, outros grupos permaneciam espalhados pela mata. Já nas bancadas, os apoiantes azuis acabaram por ocupar uma parte significativa da central do Estádio Nacional.

Uma eliminatória de Taça decidida apenas no prolongamento

O apito inicial de Miguel Nogueira não interrompeu a festa do Belenenses. A equipa de Gonçalo Brandão começou com personalidade e capacidade ofensiva, com Bruninho a explorar o corredor direito. As primeiras ocasiões pertenceram aos azuis, sobretudo duas de Diogo Leitão, uma das quais obrigou Arruabarrena a protagonizar a defesa da noite.

Do outro lado, o Arouca ainda procurava assimilar as ideias de Vítor Severino, que tinha apenas um jogo realizado. Os visitantes protegeram-se atrás, resistiram às investidas iniciais e foram, progressivamente, conquistando terreno, empurrando o Belenenses para zonas mais recuadas.

A aproximação à área azul, defendida nesta noite por um novo guarda-redes, trouxe o primeiro golo. Trezza avançou pela direita e atrasou a bola para Barbero finalizar de primeira. Uma combinação simples e eficaz. Pouco depois, Trezza teve de sair com problemas físicos. Barbero ainda voltou a festejar, mas o segundo remate certeiro foi invalidado por fora de jogo. Antes do descanso, Chamito dispôs de mais uma oportunidade para o Belenenses, rematando forte por cima.

O recomeço voltou a mostrar um Belenenses determinado perante um Arouca que concedia espaços. Desta vez, porém, a pressão dos azuis traduziu-se num golo. Diogo Leitão cruzou e o brasileiro Cesinha apareceu lançado para desviar de raspão para a baliza.

O empate devolveu a euforia às bancadas, enquanto o Arouca parecia sem orientação dentro de campo. Vítor Severino reagiu com três substituições em simultâneo. A equipa precisou de algum tempo para se reorganizar, mas, à semelhança do que sucedera antes do intervalo, começou a assumir maior controlo.

Foi precisamente quando os visitantes cresciam que o Belenenses consumou a reviravolta, num dos momentos mais vistosos da partida. Monteiro cruzou da direita, Herrera recebeu na área e tocou de calcanhar, deixando Bruninho em posição de rematar com força para um grande golo.

Com as bancadas em festa e o final cada vez mais próximo, os azuis pareciam encaminhados para a vitória. Mansilla contrariou esse cenário aos 87 minutos, ao aproveitar uma jogada de insistência para restabelecer a igualdade e calar o Jamor. O prolongamento parecia inevitável, sobretudo quando foram anunciados quatro minutos de compensação.

Esse período, contudo, ainda reservava duas mudanças decisivas no marcador. Aos 90+1, Mansilla voltou a marcar, desta vez com um espetacular pontapé de bicicleta na sequência de um canto, colocando novamente o Arouca em vantagem.

O Belenenses recusou render-se. Aos 90+4, no limite do tempo acrescentado, David Monteiro surpreendeu com um remate de muito longe que só parou nas redes de Arruabarrena. O 3-3 obrigava mesmo a disputar mais meia hora.

No prolongamento, a superior disponibilidade física do Arouca tornou-se evidente perante um Belenenses marcado pelo desgaste físico e emocional. Perto do final da primeira parte, os lobos adiantaram-se pela terceira vez. A jogada nasceu num lançamento de Esgaio, seguindo-se uma combinação de Mayulu com Nandín e uma finalização de classe do primeiro.

Mesmo em desvantagem, a equipa do Restelo continuou a lutar, apoiada pelo entusiasmo que vinha das bancadas, e procurou discutir o resultado até ao último instante.

A passagem à próxima ronda da Taça pertenceu ao Arouca. A festa, essa, teve a marca do Belenenses desde o início até ao fim.

A bicicleta de Mansilla e o destaque de Diogo Leitão

A combinação que permitiu a Bruninho marcar parecia ter estabelecido o ponto mais alto do encontro. Mansilla conseguiu, porém, elevar ainda mais o espetáculo. Depois de assinar o empate, o uruguaio executou um pontapé de bicicleta dentro da área que devolveu a vantagem ao Arouca.

Também Diogo Leitão esteve em grande plano. O lateral esquerdo do Belenenses criou duas ocasiões claras nos minutos iniciais e fez o cruzamento preciso para o primeiro golo da sua equipa. Manteve-se em evidência até sair, esgotado, aos 85 minutos.

Estádio Nacional, no Jamor

Árbitro: Miguel Nogueira

Assistentes: Paulo Brás e Nuno Pires

4.º árbitro: Jose Rodrigues

BELENENSES: Riechlmann; João Lucas, Nuno Tomás, David Monteiro e Diogo Leitão (85m); Tiago Morgado e Afonso Afonso (46m); Cesinha, Juan Herrera (85m) e Chamito (85m); Bruninho.

Suplentes: Guilherme Oliveira, Afonso Pinto, Diogo Maria (46m), Diogo Varela, Tiago Moninhas (85m), Miguel Bandarra, João Oliveira, Afonso Valente (85m) e Eduardo Souza (85m).

Treinador: Gonçalo Brandão

AROUCA: Arruabarrena; Tiago Esgaio, Javi Sánchez, Jose Fontán e Orest Lebedenko; Espen van Ee e Taichi Fukui (63m); Alfonso Trezza (27m), Pablo Gozálbez (63m) e Naïs Djouahra (81m); Barbero (63m).

Suplentes: Martim Duarte, Diego Monteiro, Mário Climent, Mateo Flores (112m), Pedro Santos (63m), Rukavina (63m), Mansilla (entrou 27 e saiu 112m), Mayulu (63m) e Dylan Nandín (81m).

Treinador: Vítor Severino

Resultado ao intervalo: 0-1

DISCIPLINA

Cartões amarelos: Pedro Santos (73m), Chamite (73m) e Javi Sanchez (115m)

Cartões vermelhos: nenhum

GOLOS: Barbero (22m), Cesinha (49m), Bruninho (76m), Mansilla (87 e 90+1m), David Monteiro (90+4m) e Mayulu (105m)

Resultado final: 3-4, após prolongamento.

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