Bruno Fernandes no banco: Inglaterra questiona decisão de Carrick

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Bruno Fernandes no banco: Inglaterra questiona decisão de Carrick

As bancadas de Old Trafford deram sinais de apoio a Michael Carrick: o nome do treinador foi entoado à entrada das equipas em campo e voltou a ouvir-se quando o Bournemouth chegou ao 3-0. Entre a crítica inglesa, porém, houve maior compreensão pela posição de Bruno Fernandes.

Os colunistas admitem que Carrick precisava de retirar o capitão do onze, na sequência das críticas feitas pelo português depois do encontro com o Como. O que questionam é a opção de não o lançar quando a equipa estava a ser humilhada e precisava do seu contributo.

Uma das análises considera arriscado que um treinador com o lugar ameaçado prescinda do capitão, apontado como o jogador que manteve o grupo unido durante grande parte dos últimos cinco anos. A decisão de Carrick frente ao Bournemouth não produziu resultados e, segundo essa leitura, o técnico conhecia os riscos de um desfecho negativo, pelo qual provavelmente acabará por pagar.

A mesma análise reconhece que Fernandes está distante do seu melhor nesta temporada: soma três golos e uma assistência na Premier League, todos conseguidos no mesmo encontro, diante do Ipswich. Dar uma oportunidade a outro jogador na posição de número 10 seria defensável, sobretudo num plantel com excesso de alternativas para essa função. Ainda assim, como ninguém no United atravessa um bom momento, manter o português seria mais lógico. Desde a sua chegada, em 2020, o clube ganhou quase metade dos jogos do campeonato em que foi titular, contra menos de um terço quando esteve ausente.

Outra opinião sublinha que o Manchester United está muito abaixo do nível exigido. Apesar dos elogios anteriormente dirigidos a Carrick, a crítica recai agora sobre a ausência de Bruno Fernandes ao intervalo: com a equipa a perder por 2-0, o capitão deveria ter entrado, independentemente das circunstâncias. A entrada de Matheus Cunha é compreendida, mas deveria ter sido acompanhada pela utilização do português.

Nessa perspetiva, se a intenção era mostrar que não contavam com Fernandes devido às suas declarações, a solução seria afastá-lo da convocatória. Deixá-lo no banco apenas o tornou alvo de críticas. A mesma opinião rejeita a explicação tática e defende que a decisão foi motivada pelos comentários do jogador.

Uma terceira análise relaciona o episódio com as sanções aplicadas a Lisandro Martinez. Questiona se Bruno teria feito aquelas declarações após o jogo com o Como caso a resposta ao caso de Martinez tivesse sido a adequada. O argumento centra-se na necessidade de definir limites dentro da equipa para impedir situações semelhantes.

Ter dois jogadores experientes, num intervalo de seis dias, a atacar o diretor desportivo, os proprietários, o treinador e a equipa técnica é descrito como embaraçoso e comparável a um circo. Segundo essa posição, se o objetivo era castigar Fernandes, deveriam tê-lo deixado em casa. A presença no banco, atrás de Carrick, é vista como uma punição incompleta e uma situação que não deveria ter acontecido.

Já outra leitura sustenta que Carrick praticamente não tinha alternativa. Antes do encontro, o treinador do United apresentou a escolha da equipa como exclusivamente desportiva. Contudo, deixar o capitão no banco e não recorrer a ele perante o desnorte em campo é interpretado como uma mensagem inequívoca sobre o desafio à sua autoridade representado pela entrevista de Fernandes, depois da derrota por 4-1 com o Como, a meio da semana.

O resultado não valida a decisão, mas essa análise interroga-se sobre o que mais poderia fazer um treinador pressionado. Também ressalva que, atendendo à forma do português nesta época, nada assegura que a sua utilização alterasse o desfecho. Carrick sabia que, se as coisas corressem mal, as câmaras procurariam Bruno no banco e o debate giraria em torno dessa imagem. Ainda assim, assumiu a escolha. Poderá ter sido a sua última grande decisão à frente do United, mas recusou a solução mais fácil de manter Fernandes na equipa.

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