Comunicado de Ronaldo deixa dúvida: jogaria ou poderia jogar 30 minutos?
O comunicado de Cristiano Ronaldo, no qual o futebolista apresenta a sua versão sobre a saída inesperada do estágio da Seleção em Copenhaga, já foi analisado em detalhe.
Há, contudo, um pormenor nas palavras do capitão que tem recebido pouca atenção: uma aparente contradição num caso que se arrasta e cujas origens remontam a agosto.
Inicialmente, Jesus propusera ao avançado um plano que previa a sua participação apenas no primeiro e no último jogos da Seleção, em Portugal. CR7 recusou essa hipótese e optou por viajar com os restantes companheiros para o estrangeiro.
Já em Copenhaga, para «absoluta surpresa» de Cristiano, o selecionador perguntou-lhe «se estava bem para jogar 30 minutos» frente à Dinamarca.
«Este pedido era algo fora do meu plano de recuperação física e de treino – porque apenas iria jogar dia 4 no Dragão – mas obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 min.»
De acordo com este excerto do comunicado, numa conversa a dois, Jesus terá assegurado a Ronaldo que participaria nessa meia-hora da partida.
No entanto, o documento amplamente discutido, elaborado depois de uma reunião entre Jorge Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro, dois elementos da entourage do jogador, e validado por Cristiano Ronaldo, descreve uma situação um pouco distinta. A diferença surge, concretamente, no quinto ponto.
«5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.»
Nesta formulação, o verbo «poder» deixa margem para incerteza. Estava garantido que Ronaldo «jogaria» 30 minutos ou apenas se admitia que «poderia» ter de os disputar? A diferença poderá corresponder mais a uma imprecisão do que propriamente a uma incoerência.
Ainda assim, nessa hipótese, o avançado deu o seu aval a um documento cuja formulação não coincide com aquilo que, segundo o seu relato, lhe fora transmitido em privado.
Até ao momento, Jorge Jesus tem reagido ao comunicado com indiferença. Quer o selecionador quer o jogador manifestaram vontade de que Ronaldo continue ao serviço da Seleção.
JJ considera CR7 «convocável», desde que jogue e «queira» permanecer na equipa, e classifica o episódio como um «mal-entendido». Ronaldo, por sua vez, declarou-se «disponível» para regressar depois de cumprir uma «suspensão» que ainda não foi anunciada oficialmente.
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