Eurodeputados pedem medidas formais a Bruxelas para garantir transparência na FIFA
Um grupo de eurodeputados solicitou esta quarta-feira à Comissão Europeia a adoção de «medidas formais» para assegurar que a FIFA atua com transparência e sem conflitos de interesses. Os signatários defendem também uma «reforma fundamental» do modelo de governação da entidade.
A carta, enviada à presidente da Comissão Europeia e a outros quatro comissários, é subscrita por um grupo liderado pelo português Bruno Gonçalves (PS). Os eurodeputados sublinham que o «desporto é um pilar fundamental do tecido social» europeu, ao mesmo tempo que alertam para o peso crescente da sua dimensão comercial.
Para ilustrar essa preocupação, referem a recente tentativa de Gianni Infantino, presidente da FIFA, de vender a investidores privados uma participação nos direitos comerciais das provas organizadas pela entidade, entre as quais o Campeonato do Mundo de futebol. Segundo os signatários, a iniciativa foi desenvolvida fora dos procedimentos de governação estabelecidos, suscitando dúvidas essenciais sobre a proteção do património coletivo, dos valores e dos ativos do futebol, assim como sobre os investidores cujos interesses a liderança da FIFA procurava servir.
Na avaliação dos eurodeputados, o episódio insere-se num padrão de crises de governação, ética e integridade ao mais alto nível, envolvendo a organização e os seus dirigentes. Sustentam que, vistas em conjunto, estas situações mostram como a atual liderança da FIFA instrumentaliza os próprios processos e mecanismos de salvaguarda da governação. Acusam-na ainda de falhar repetidamente as suas responsabilidades enquanto reguladora do futebol mundial quando esses deveres e valores colidem com interesses comerciais ou políticos lucrativos. Por isso, reclamam uma análise independente dos acontecimentos e uma reforma profunda da governação da FIFA.
Os subscritores recordam igualmente a queixa apresentada pelas ligas europeias contra a FIFA junto da Comissão Europeia, relacionada com o processo de decisão sobre o calendário internacional de jogos. Explicam que a queixa levanta preocupações sobre o uso dos poderes regulatórios da organização para favorecer os seus próprios interesses comerciais, a participação insuficiente das partes interessadas nas decisões, o bem-estar dos jogadores e a sustentabilidade das competições nacionais. Neste contexto, defendem uma separação de poderes mais clara dentro da FIFA e o reforço das decisões coletivas. Consideram também necessário garantir uma supervisão independente e uma participação efetiva das confederações, associações nacionais, clubes, ligas, jogadores e adeptos.
Por fim, os eurodeputados expressam «profunda preocupação» perante a «generalização dos preços dinâmicos na venda de bilhetes». Alertam que esta prática coloca em risco a ligação entre os adeptos e o desporto.
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