Gil Vicente vence em Braga por 2-1 e agrava a crise de Carlos Vicens

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Gil Vicente vence em Braga por 2-1 e agrava a crise de Carlos Vicens

O Sporting de Braga já atravessava uma fase difícil e viu a situação agravar-se no acerto de calendário com o Gil Vicente. A formação de Carlos Vicens foi derrotada em casa pelos galos, por 2-1, e soma agora quatro encontros sem vencer, com três derrotas e um empate. A continuidade do técnico espanhol está mais ameaçada do que nunca.

Os problemas bracarenses deixaram, assim, de parecer um simples mal-estar passageiro. Será necessária uma resposta forte para ultrapassar esta fase e reencontrar o nível apresentado noutros momentos. A julgar pela reação desta partida, os adeptos já perderam a confiança.

A primeira parte teve pouca qualidade. O Sp. Braga apresentou-se pouco confiante, ao passo que o Gil Vicente optou pela prudência, apoiado numa organização defensiva bem definida.

As situações de perigo foram, por isso, raras, e a vantagem de 1-0 ao intervalo não traduzia o que se vira durante os primeiros 45 minutos. Fiel à ideia de Vicens, a equipa da casa dispôs de muita bola, mas essa posse revelou-se frequentemente inconsequente, sem criar dificuldades ao adversário.

O golo de Pau Victor, nos últimos dez minutos da primeira parte, nasceu mesmo de um lance fortuito. Após uma insistência de Jonas Wind dentro da área, Buatu tocou na bola, que acabou, caprichosamente, nos pés de Pau Victor. Mesmo numa tarde de menor inspiração coletiva, o espanhol mostrou instinto de finalizador e surgiu no local indicado para marcar.

Ainda assim, os minutos que antecederam o intervalo já sugeriam uma segunda metade com mais ocasiões. Até porque, em desvantagem, o Gil Vicente teria de assumir outra iniciativa.

Foi precisamente isso que aconteceu. Os visitantes regressaram com uma atitude mais afirmativa. Luís Pinto trocou Sansi Kaba por Walace França e o avançado brasileiro precisou apenas de quatro minutos para restabelecer a igualdade, desviando a bola à boca da baliza.

O empate deu confiança ao Gil Vicente, que começou a ganhar mais duelos e a recuperar a posse com maior rapidez. O Sp. Braga levou cerca de um quarto de hora a reorganizar-se e a voltar a colocar Lucão à prova, através de remates de fora da área.

Se a sorte acompanhara os bracarenses no primeiro golo, o contrário aconteceu no lance que consumou a reviravolta. Uma jogada bem construída pela esquerda terminou com um remate de Tidjany Touré, inicialmente intercetado por Bajrami. Na tentativa de impedir que a bola entrasse na baliza, Bernardo Fontes acabou por enviá-la contra Diogo Travassos, que marcou na própria baliza.

Faltavam pouco mais de 20 minutos para o fim do dérbi minhoto, mas os momentos de maior emoção ficaram guardados para a reta final. O Sp. Braga demorou a intensificar a pressão sobre os gilistas, mas, quando conseguiu fazê-lo, criou uma sucessão de lances perigosos. Houve bolas nos ferros, remates de várias formas e quedas na área. Nada disso, porém, permitiu alterar o resultado, com duas excelentes defesas de Lucão a sobressaírem nesse período.

Depois do apito final, a contestação fez-se ouvir e ver nas bancadas. Os assobios e os lenços brancos espalharam-se por quase todo o estádio, tendo Carlos Vicens como principal destinatário.

Por vezes, os treinadores dizem que a classificação não espelha a realidade, mas, neste caso, os números confirmam as dificuldades. O Sp. Braga ocupa o nono lugar e desperdiçou a oportunidade de alcançar os 14 pontos do Arouca, quinto classificado. Quem chegou a essa pontuação foi o Gil Vicente. Em Braga, os sinais apontam já para um problema sério, muito além de um incómodo passageiro. Para os galos, pelo contrário, houve motivos para festejar em casa do vizinho, acompanhados por uma bela moldura humana.

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