Irmãos Esposito fazem história e simbolizam a renovação da Squadra Azzurra
Por Eduardo Henriques
Mario e Luigi eram inseparáveis. Pio e Sebastiano Esposito também passaram a infância a jogar lado a lado. Esta segunda-feira, em Bursa, na Turquia, partilharam pela primeira vez o relvado com a camisola da seleção italiana.
Os dois avançados integraram o onze inicial no triunfo da Itália sobre a Turquia, por 1-4, na segunda jornada da Liga das Nações, retomando uma tradição com mais de cem anos.
Pio, de 21 anos, chegava à partida com dez internacionalizações e cinco golos. Para Sebastiano, quatro anos mais velho, a ocasião teve um significado acrescido: o atacante do Sassuolo cumpriu a estreia pela seleção A.
O nome Esposito já tinha lugar na história da equipa nacional. Salvatore, o mais velho dos três irmãos, tinha sido o primeiro a atingir a seleção principal. O médio fez a estreia em junho de 2022, diante da Inglaterra, igualmente orientado por Roberto Mancini.
Depois de Pio seguir o mesmo caminho, Sebastiano veio completar um feito sem precedentes. Nunca antes três irmãos tinham representado a seleção italiana.
A ligação entre irmãos e a camisola azul remonta a 1912, quando Giuseppe e Felice Milano foram os pioneiros. Depois surgiram Aldo e Luigi Cevenini, ambos titulares e marcadores frente à Suíça, em janeiro de 1915. A partir daí, decorreram 85 anos até outra dupla de irmãos voltar a jogar em conjunto.
Em 2000, Filippo e Simone Inzaghi dividiram o ataque de Itália. No dia 15 de novembro, no triunfo por 1-0 sobre a Inglaterra, Simone foi lançado na segunda parte, com Filippo já em campo. Estiveram juntos em jogo durante 11 minutos e voltariam a coincidir na seleção italiana, embora nunca mais em simultâneo no relvado.
Outros irmãos chegaram a internacionais italianos sem partilharem minutos dentro de campo. O exemplo mais conhecido é o de Beppe e Franco, capitães de Inter e Milan. Os Baresi integraram a convocatória para o Euro 1980, mas não chegaram a atuar juntos pela equipa nacional.
Com Pio e Sebastiano terminaram agora duas longas esperas: tinham passado 26 anos desde que dois irmãos, os Inzaghi, haviam jogado em simultâneo, e 111 desde a última vez que uma dupla de irmãos começou uma partida como titular.
Este reencontro com a história acontece numa altura em que Itália tenta reatar uma tradição de maior peso. Quatro vezes campeã mundial e duas vezes campeã europeia, a seleção voltou a ficar fora de um Campeonato do Mundo. Após as ausências de 2018 e 2022, o desaire no play-off de qualificação para o Mundial 2026 estendeu uma crise que contrasta com o seu passado. Pelo meio, a Squadra Azzurra conquistou o Campeonato da Europa de 2020, realizado em 2021 devido à pandemia.
Os irmãos Esposito dão rosto a uma seleção empenhada em regressar às grandes competições. Uma tradição foi já retomada; a equipa de Mancini procurará agora recuperar a outra.
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