Jesus garante que nenhum jogador ou presidente mudará as suas ideias

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Jesus garante que nenhum jogador ou presidente mudará as suas ideias

Jorge Jesus começou por anunciar que responderia apenas a duas perguntas sobre Cristiano Ronaldo, mas acabou por ultrapassar esse limite. A conferência de imprensa de antevisão ao encontro com a Dinamarca ficou sobretudo marcada pelas polémicas em torno do capitão da seleção.

O treinador negou que Ronaldo se tivesse recusado a treinar e explicou o trabalho realizado pelo jogador. Referiu que Félix e Conceição não treinaram por estarem lesionados, acrescentando que, no caso de Félix, se procurou aliviar a fadiga apresentada depois dos dois jogos. A situação seria reavaliada no dia seguinte.

Quanto a Cristiano, Jesus esclareceu que o avançado trabalhou no ginásio, fez alguns exercícios de mobilização no relvado e seguiu depois para o hotel, onde realizou trabalho de reforço. Garantiu que treinaria naquele dia, o quarto, e rejeitou a possibilidade de uma recusa. Na sua perspetiva, um jogador de uma seleção, portuguesa ou de qualquer outro país, só tomaria essa atitude se pretendesse sair ou tivesse outras intenções.

Depois, ao aceitar mais uma pergunta sobre Ronaldo, Jesus voltou a dizer que não responderia a outras sobre o tema. Sublinhou que não tinha dificuldade em prestar esclarecimentos, mas que a prioridade era a Dinamarca. Considerou que a discussão parecia retirar importância ao encontro, como se estivesse em causa um particular, quando o jogo era o principal foco para si e para os jogadores.

O técnico insistiu que não existira qualquer caso e voltou a explicar o plano que tinha traçado. Recordou que, ao longo da carreira, enfrentara muitos problemas com jogadores, pelo que não tinha receio de lidar com situações desse género. Ainda assim, rejeitou que se criasse uma polémica onde, segundo afirmou, ela não existia.

Jesus contou que comunicara a Cristiano que não jogaria nos dois primeiros encontros fora de Portugal. Durante o jogo, porém, ponderou precisar dele e mandou-o aquecer, acabando por não o utilizar. Lembrou que também foi jogador e reconheceu que ninguém fica satisfeito depois de passar 20 ou 30 minutos a aquecer sem entrar em campo.

Acrescentou que essa insatisfação seria ainda mais compreensível num futebolista com o estatuto de Ronaldo, recorrendo também aos exemplos de Pelé e Maradona. Ressalvou, contudo, que os direitos são iguais para todos e que a decisão de não o lançar partiu de si, enquanto treinador. Voltou, por isso, a afastar a existência de um caso.

Segundo Jesus, a dimensão que o assunto ganhou em Portugal levou-o a conversar com o capitão, apesar de considerar que não havia qualquer problema para discutir. Disse ter explicado a Cristiano que não compreendia o que estava a acontecer perante tanta discussão sobre o episódio.

A conversa, relatou, recuperou aquilo que o jogador já dissera no primeiro dia, na conferência de imprensa de ambos: estava disponível para aceitar as decisões do treinador, fosse para jogar, não jogar ou ficar na bancada. Jesus afirmou que essa tinha sido a essência do diálogo entre os dois.

O treinador explicou ainda que o presidente esteve presente porque lhe compete acompanhar a equipa. Perante o que se dizia em Portugal, quis perceber o sucedido. Jesus salientou, porém, que ele e Cristiano já tinham tratado do assunto depois do jantar, reiterando que se estava a falar de um problema que, na verdade, não existia.

Sobre as indicações dadas ao avançado, o técnico defendeu a sua autoridade para decidir. Explicou que lhe dissera que não estava prevista a sua utilização, mas que iria para o banco e poderia jogar 30 minutos se fosse necessário. Caso contrário, não entraria. A leitura que fez do encontro levou-o a não recorrer ao capitão.

Jesus foi categórico ao afirmar que nenhum jogador mudará as suas ideias como treinador, seja Cristiano ou qualquer outro. Estendeu essa posição aos presidentes, garantindo que também nenhum dirigente o fará alterar as suas convicções.

Questionado sobre os desafios de gerir grandes jogadores, considerou que as maiores dificuldades surgiram no início da carreira, quando trabalhava com futebolistas de nível inferior. Na sua opinião, o mais complicado é lidar com jogadores de qualidade média que se consideram grandes jogadores.

Em contrapartida, sustentou que trabalhar com futebolistas de topo é fácil, porque conhecem melhor o jogo e compreendem mais depressa aquilo que o treinador pretende. Reforçou que a dificuldade está, sobretudo, naqueles que julgam ter um nível que não possuem.

A propósito do estatuto, Jesus associou-o ao percurso de cada jogador, lembrando que há carreiras de diferentes dimensões e futebolistas com importância nas suas equipas que nunca chegaram a um patamar tão elevado. Para ilustrar a ideia, recordou um jogo do Al Nassr, no ano passado, nas meias-finais da Champions, e a situação de Sadio Mané.

Disse considerar Mané um jogador com estatuto, tanto pelo lugar na equipa como pelo seu passado. Por isso, chamou-o para explicar os motivos pelos quais não o colocaria a jogar, algo que não faz com todos os futebolistas. Admitiu que Mané não reagiu bem, mas apontou essa explicação individual como uma consequência do estatuto, não como a atribuição de regras diferentes nas suas decisões.

Regressando a Ronaldo, reiterou que lhe tinha dito que não o lançaria, ressalvando a possibilidade de precisar dele durante 20 ou 30 minutos. Segundo Jesus, Cristiano aceitou essa hipótese. Durante o encontro, mandou-o aquecer porque ainda não sabia se iria utilizá-lo. Reconheceu, nesse ponto, um erro: deveria ter-lhe pedido que começasse o aquecimento 15 minutos mais tarde. Como acabou por não precisar dele, não o colocou em campo.

Por fim, Jesus esclareceu que o presidente falou consigo e com Cristiano naquela manhã, no cumprimento das suas funções. Defendeu que cabe ao presidente conversar com o treinador e o capitão quando há ruído, embora tenha acrescentado que a visita aconteceria mesmo sem este episódio. Os três estiveram reunidos, mas o técnico reforçou que já tinha falado com Ronaldo depois do jantar e que o presidente não veio resolver nada, pois o assunto já estava conversado.

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