Jesus seguiu guião, mas Ronaldo esperava desculpas e abandonou a Seleção

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Jesus seguiu guião, mas Ronaldo esperava desculpas e abandonou a Seleção

As declarações de Jorge Jesus na conferência de imprensa de antevisão do Dinamarca-Portugal levaram Cristiano Ronaldo a sair do estádio da Seleção, na véspera do terceiro encontro da Liga das Nações.

A relação entre o selecionador e o capitão estava mais tranquila depois de uma conversa no dia anterior, na qual teriam ficado ultrapassadas as questões que provocaram a insatisfação do avançado no encontro com a Noruega.

Depois desse diálogo, Jorge Jesus recebeu uma folha com os assuntos que deveria abordar na projeção do Dinamarca-Portugal. Na sequência de um entendimento entre pessoas ligadas a ambas as partes, ficou combinado que o treinador abriria a conferência de imprensa com uma intervenção destinada a acalmar a situação e a assegurar que tudo estava esclarecido entre os dois.

O documento incluía sete pontos, que Jesus deveria ler ou apresentar de memória assim que se sentasse perante os jornalistas. Além de informações sobre o sucedido, o guião previa elogios ao empenho de Cristiano Ronaldo e à sua ligação à Seleção.

Jesus diria que, numa reunião com CR7, tinha traçado um plano para a participação do jogador na Seleção durante a temporada 2026/27, recebido com agrado pelo capitão. Reconheceria também que esse plano previa que não fosse utilizado diante da Noruega. O técnico explicaria, contudo, a razão da mudança de decisão: considerava que o avançado tinha recuperado fisicamente depois dos 67 minutos disputados frente ao País de Gales e, por isso, pretendia poder recorrer a ele se fosse necessário.

A seguir, asseguraria que Cristiano Ronaldo, que após essa conversa teria aceitado integrar as opções para a partida em Oslo, nunca tinha posto em causa as suas escolhas. Pelo contrário, salientaria que a conduta do capitão sempre fora marcada pelo profissionalismo e pela lealdade.

O entendimento previa igualmente um reconhecimento público de culpa por parte de Jorge Jesus, admitindo que se tinha enganado ao mandar o avançado aquecer sem depois o lançar em campo. Nesse momento, o selecionador colocaria Cristiano Ronaldo ao nível de Pelé e Maradona, sublinhando que um jogador com esse estatuto não deveria ter passado tanto tempo em aquecimento sem uma necessidade aparente.

A apresentação dos sete pontos terminaria com a manifestação de uma forte vontade de continuar a contar com Cristiano Ronaldo na Seleção. Mais tarde, perante uma das perguntas esperadas — sobre a ausência de CR7 no agradecimento aos adeptos após o Noruega-Portugal —, Jesus voltaria a elogiar o capitão. Diria que não podia dar lições de amor a Portugal a quem dedicara tanto tempo e tantos jogos à camisola nacional. Acrescentaria que a atitude resultara apenas de uma reação natural num instante de frustração e que não fazia sentido alimentar problemas inexistentes: em suma, o episódio não constituía um caso. Destacaria ainda a atenção de Ronaldo aos adeptos, traduzida na constante disponibilidade para autógrafos e selfies.

Jesus acabou por abordar vários dos pontos combinados ao responder às perguntas, embora tenha vincado que ninguém tem o direito de interferir ou procurar condicionar as suas decisões como treinador. Referiu o plano acordado com o capitão para a Liga das Nações, segundo o qual não disputaria o segundo nem o terceiro encontros, e a aceitação desse entendimento. Disse também que o avançado nunca se tinha «negado a nada» e que se mostrara disponível para ser opção diante da Noruega. Desvalorizou ainda a reação intempestiva no final da partida em Oslo e a insatisfação por ter aquecido durante tanto tempo sem entrar, comparando, nessa resposta, o estatuto do jogador ao de antigos futebolistas como Pelé e Maradona.

Para Cristiano Ronaldo, porém, ficou por fazer um pedido de desculpas de Jorge Jesus, algo que não estava previsto na lista de orientações. Revoltado com aquilo a que assistia em direto, o capitão decidiu abandonar o estágio, seguindo primeiro para Madrid e, depois, para Riade.

Dias mais tarde, na conferência de imprensa após o triunfo por 2-1 sobre a Noruega, no Dragão, Jesus confirmou que não existira qualquer acordo para apresentar um pedido de desculpas. O técnico foi mesmo mais longe, afirmando que não pede desculpas a ninguém.

Neste momento, tendo em conta os elementos disponíveis, CR7 está determinado a não voltar à Seleção Nacional enquanto Jorge Jesus permanecer à frente da equipa.

Ronaldo prometeu apresentar detalhadamente a sua versão dos acontecimentos, mas ainda não o fez.

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