Jorge Jesus abordou só metade das orientações de Ronaldo antes da Dinamarca

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Jorge Jesus abordou só metade das orientações de Ronaldo antes da Dinamarca

Jorge Jesus abordou apenas quatro dos oito pontos que, de acordo com o comunicado de Cristiano Ronaldo, deveria ter seguido na conferência de imprensa de antevisão ao encontro com a Dinamarca.

O treinador não seguiu, porém, nenhum deles à risca, recorrendo à liberdade de expressão que o caracteriza. Falou do «plano» de gestão do avançado, segundo o qual CR7 não participaria nos dois jogos fora de Portugal, e explicou que o jogador tinha aceitado essa utilização.

Nas respostas aos jornalistas, o técnico também evocou Pelé e Maradona para explicar o desagrado de Ronaldo por ter estado tanto tempo a aquecer sem ser lançado em campo. Reconheceu ainda ter cometido um erro nessa situação, como estava previsto no documento.

Jesus não abordou as restantes orientações do texto «validado» por Cristiano Ronaldo, elaborado depois de uma reunião entre JJ, Simão Coutinho, diretor-desportivo do Al Nassr, e Tiago Craveiro, antigo CEO da FPF e atual administrador de empresas do grupo CR7.

Ficaram por mencionar a «influência positiva» de Ronaldo na Seleção e a garantia de que o avançado «nunca tinha questionado» as decisões do treinador. Jesus também não o descreveu como «exemplar, leal e profissional», não utilizando qualquer desses adjetivos.

O técnico não afirmou que «queria muito» contar com Ronaldo na Seleção, nem explicou a saída repentina do jogador do estádio na Dinamarca. Também não pronunciou a frase: «Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal».

Em lugar de um ato de contrição, Jesus fez questão de vincar a sua autoridade: «Não vai haver um jogador que vá mudar as minhas ideias», exclamou.

O BALANÇO DOS OITO PONTOS:

Orientação de Ronaldo — 1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.

Resposta de Jesus: «Foi um plano, disse ao Cris que não ia jogar nos dois primeiros jogos [fora de Portugal] e pensei, durante o jogo, se calhar vou precisar dele, vai aquecer. Depois não pus no jogo.»

2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos.

Jorge Jesus: não abordou este ponto.

3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.

Resposta de Jesus: «Aquilo que falámos foi sobre aquilo que ele disse no primeiro dia na nossa conferência de imprensa. Ele disse, “míster, estou aqui para tu decidires. Se queres que eu jogue, eu jogo. Se queres que não jogue, eu não jogo. Se quer que eu vá para a bancada, eu vou para a bancada”. Foi esta a nossa conversa.»

4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.

Jorge Jesus: não abordou este ponto.

5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.

Resposta de Jesus: «O que eu prometi? Disse-lhe que não o ia lançar no jogo, mas disse-lhe, “Cris, se eu precisar de ti, vais jogar 20 ou 30 minutos”. E ele disse, “míster, se quiser, tudo bem”.»

6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.

Resposta de Jesus: «Qualquer jogador que vá aquecer, 20/30 minutos, depois não entra, não há nenhum que fique contente. Nenhum! Quanto mais o Cris, que tem estatuto. Quanto mais se fosse o Pelé! Quanto mais se fosse o Maradona! Aquecer trinta minutos? É isso o estatuto, mas os direitos são iguais. (...) Chegou o jogo, mandei-o aquecer, porque ainda não sabia. Aqui é que fiz mal. Devia-o ter mandado aquecer quinze mais tarde. Não sabia o que ia acontecer, mas não precisei dele e não o pus.»

7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também.

Jorge Jesus: não abordou este ponto.

8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.

Jorge Jesus: não abordou este ponto.

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