Jorge Jesus entre a firmeza e a cedência
Não contava com um murro na mesa. Nunca imaginei que Jorge Jesus fechasse definitivamente a porta a Cristiano Ronaldo, muito menos que avançasse para uma condenação moral do jogador em público.
Mas também estava longe de esperar que um treinador com uma personalidade tão vincada — e um ego à altura — dissesse que cabe a um jogador, independentemente de quem seja, decidir se é ou não convocado para a seleção.
Em (mais) 30 minutos, Jesus reafirmou a sua autoridade, afastou qualquer pedido de desculpas, mas acabou por ficar dependente de Ronaldo. Uma contradição evidente.
Admito que o assunto é muito complexo. E particularmente delicado. Sentado, com o ar condicionado ligado, é simples apontar soluções e escolher o caminho mais adequado. Ainda assim, um discurso de submissão não é aceitável.
JJ desenrolou a passadeira vermelha para o capitão que deixou o navio. «Esqueceu-se» de que, anteriormente, tinha afirmado de forma categórica, e acertada, que os estatutos podem ser distintos, mas as regras são iguais para todos.
Pedro Proença foi ainda mais longe. O presidente comportou-se como se nada tivesse acontecido e recorreu a praticamente todos os adjetivos da língua portuguesa para se curvar perante o jogador. No fim, saiu apressadamente. Escapou-se. Não surpreendeu absolutamente ninguém.
Seria assim tão difícil manter a porta aberta a uma possível conversa de reaproximação e aguardar pelas palavras do próprio Cristiano Ronaldo? A tentativa de se antecipar acabou por confirmar mais um sapo engolido.
*Bruno Andrade escreve a sua opinião em português do Brasil
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