Jorge Jesus recorda Ronaldo no Al Nassr: «Até tocava o bombo com o Cris»
Jorge Jesus não recua na posição que assumiu sobre os estatutos dos jogadores na Seleção. Num contexto marcado sobretudo pela ausência de Cristiano Ronaldo, o selecionador tinha reconhecido que alguns futebolistas têm um estatuto distinto dos restantes. Depois da vitória por 4-2 diante da Dinamarca, foi confrontado com a possibilidade de estar arrependido dessas declarações, perante a resposta coletiva de Portugal, mas afastou essa hipótese.
«Arrependido das palavras sobre os estatutos dos jogadores? Nada, zero. E continuo a pensar da mesma maneira. Há jogadores com estatuto. Para mim, é claro como a água, mas isso volto a dizer. Depois, as regras são iguais para todos», afirmou. Jesus acrescentou que essa forma de pensar o acompanha ao longo da carreira de treinador e garantiu que a vai manter.
Questionado sobre os assobios dos adeptos portugueses, disse não ter ouvido nem visto qualquer manifestação desse género, apesar de ter estado perto. Sublinhou, porém, que respeitar os adeptos é fundamental, tanto depois de uma vitória como quando não se ganha, lembrando os muitos quilómetros que vários percorrem para acompanharem a Seleção.
O treinador evocou ainda a experiência de trabalhar fora de Portugal nos últimos seis, sete anos para explicar a forma como compreende a ligação dos emigrantes ao país. «Eu percebo que, sendo imigrante fora do teu país, és muito mais português», referiu, esclarecendo depois: «Não é mais português. Tem mais sentimento.» Nesse sentido, afirmou perceber a identificação dessas pessoas com a bandeira, o povo e o país.
Jesus lembrou também que a proximidade aos adeptos já fazia parte da sua postura nas equipas que orientou anteriormente. «Se vocês olharem para o meu passado como treinador nas outras equipas, eu também fazia a mesma coisa. No Al Nassr também fazia a mesma coisa. Quando se ganha, até tocava o bombo com o Cris. Portanto, a minha aproximação aos adeptos é total. Mas com Portugal é diferente. Há outro sentimento», explicou.
Dirigindo-se aos jornalistas, considerou que também eles sentiam essa diferença e estariam muito felizes pela qualidade de jogo demonstrada por Portugal. Destacou a maturidade da equipa e as ideias de muito risco, acompanhadas pela convicção de que seria possível colocá-las em prática durante a partida.
Para o técnico, a satisfação que acompanha uma vitória deve ser partilhada com quem está nas bancadas. Terminou por reforçar a importância dos resultados na profissão: «A vida de um treinador, já disse há bocadinho, mas só temos um dado que nos garante. Chama-se vitória. É ganhar. É a tua vida de treinador.»
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