Juventus leva disputa com Cristiano Ronaldo ao Supremo Tribunal italiano
A Juventus recorreu ao Supremo Tribunal de Cassação italiano para impugnar a decisão judicial favorável a Cristiano Ronaldo no litígio sobre salários por pagar durante a pandemia de covid-19. O objetivo do clube é reaver os 9,8 milhões de euros que foi obrigado a entregar ao internacional português.
A informação figura no relatório financeiro da Juventus referente à época 2025/26. O recurso foi formalmente notificado a 27 de março deste ano, estando ainda por agendar uma audiência.
A origem do conflito situa-se em 2021, quando Ronaldo ainda era jogador da Juventus. Durante a pandemia, o clube acordou com os futebolistas o adiamento de parte dos vencimentos, numa operação designada como «manobra salarial». No caso do avançado português, estavam em causa cerca de 19,6 milhões de euros.
Esse entendimento ficou ligado à chamada «carta Ronaldo», um documento descoberto no decorrer das investigações às contas da Juventus que estabelecia o pagamento posterior daquela verba. A quantia não terá sido corretamente inscrita nas contas do clube e acabou por ficar por liquidar depois da transferência do jogador para o Manchester United, no verão de 2021.
Ronaldo iniciou uma ação judicial contra a Juventus em setembro de 2023. Em abril de 2024, um tribunal arbitral atribuiu-lhe o direito a receber metade da verba exigida, aproximadamente 9,8 milhões de euros, a que se somavam juros e atualização monetária.
O clube italiano impugnou essa decisão, mas o Tribunal do Trabalho de Turim rejeitou o recurso em janeiro de 2026 e confirmou a validade da sentença arbitral. Dessa forma, a Juventus ficou impossibilitada de reaver as quantias que já tinha pago ao futebolista.
No documento financeiro, a Juventus explicou que a decisão judicial «se limitou a verificar a existência dos vícios formais da sentença arbitral apontados no recurso, não constituindo uma decisão sobre o mérito da questão».
Os «bianconeri» indicam também que as consequências financeiras do litígio já tinham sido contabilizadas no exercício de 2023/24, razão pela qual «não são esperados impactos negativos no exercício atual nem nos futuros».
A Juventus confirmou igualmente que «apresentou recurso de cassação contra a decisão, devidamente notificado em 27 de março de 2026, e aguarda a marcação da audiência».
Esta nova iniciativa prolonga a disputa judicial desencadeada após a saída de Cristiano Ronaldo de Turim. O internacional português, que vestiu a camisola da Juventus de 2018 a 2021, já conseguiu duas decisões a seu favor, mas o processo continua sem uma decisão judicial definitiva.
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