Lucas da Cunha brilha na estreia por França e fecha a porta à seleção portuguesa
Lucas da Cunha somou na última noite a primeira internacionalização pela seleção francesa, com entrada direta no onze, e impressionou os adeptos e a imprensa do país. O médio do Como destacou-se no centro do terreno, comandou o jogo dos «Les bleus» e levou muitos a perguntar por que motivo Didier Deschamps nunca o tinha convocado.
Nascido em Roanne, cumpriu toda a formação em França. Adepto do Saint-Étienne, cresceu como jogador no Rennes e, no início da carreira, transferiu-se para o Nice, que o cedeu por empréstimo ao Lausanne e ao Clermont.
Em 2022/23, seguiu para o Como, então na Serie B italiana. Disputou apenas 14 partidas na época de estreia, mas a chegada de Cesc Fàbregas ao clube deu-lhe outra importância. Desde então, ajudou a equipa no percurso que a levou da segunda divisão à Liga dos Campeões.
O treinador espanhol foi decisivo na transformação de Lucas da Cunha. Até começar a trabalhar com Fàbregas, o esquerdino atuava como extremo, mas uma vaga de lesões no meio-campo levou o técnico a adaptá-lo. O francês agarrou o lugar, tornou-se o responsável pela distribuição de jogo e consolidou-se como uma das principais referências da equipa nas últimas temporadas, chegando a receber a braçadeira de capitão.
Na época passada, participou em 42 encontros, o registo mais elevado da carreira, nos quais apontou oito golos e fez cinco assistências.
Depois do encontro desta segunda-feira com a Bélgica, Lucas da Cunha revisitou o caminho até à seleção principal francesa e mostrou-se feliz com o momento.
«O treinador deu-me toda a confiança, disse para eu fazer o que faço no clube, para relaxar, jogar e ajudar a equipa. Foi isso que tentei fazer e tive bons sentimentos, senti-me bem em campo, estou muito feliz. São grandes emoções, muita alegria. Há alguns anos eu estava na segunda divisão e hoje estou aqui na seleção francesa. Isso mostra que, quando trabalhas, quando não desistes, as coisas acontecem. A minha família não está aqui hoje à noite, mas espero que eles estejam aqui na sexta-feira [frente a Itália, em Saint-Denis]», afirmou Da Cunha à TF1.
Zinedine Zidane também deixou elogios à primeira exibição do médio. «Não é fácil, porque era a sua primeira internacionalização e entrava num grupo que não conhece. Jogou como costuma jogar, como eu queria que jogasse, solto. E fê-lo muito bem.»
Embora tenha nascido e crescido em França, Lucas da Cunha tem raízes portuguesas.
«Eu nasci em França, o meu pai nasceu em Portugal. Sempre vivi em França. Portugal é apenas o lugar onde vou de férias», contou o futebolista às plataformas da Serie A.
«É um país importante para mim porque é importante para o meu pai. Mas eu cresci em França», sublinhou.
O médio reconhece essa ligação a Portugal, mas assume que a identificação com França é bastante mais forte. Aliás, antes de chegar à seleção A francesa, já tinha realizado vários encontros pelos escalões jovens do país.
Talvez essa seja a razão pela qual o jogador do Como nunca foi equacionado para defender a seleção portuguesa. Com esta estreia, essa possibilidade ficou definitivamente encerrada.
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