Pepa admite dificuldades no E. Amadora: problemas identificados, mas ainda sem solução
Pepa, treinador do E. Amadora, analisou em conferência de imprensa a derrota por 2-0 diante do Casa Pia, na nona jornada da Liga, e reconheceu que a equipa já percebeu as suas dificuldades, embora ainda não tenha encontrado forma de as ultrapassar.
O técnico distinguiu os dois encontros mais recentes do campeonato, com Arouca e Casa Pia, do jogo frente ao Académico de Viseu. Apesar de o resultado em pontos ser o mesmo, salientou que, nas duas últimas partidas, o conjunto conseguiu produzir ofensivamente e construir oportunidades. Explicou que, por vezes, a dificuldade está em descobrir o problema para saber onde atuar, mas considerou que, neste caso, os obstáculos estão identificados, sobretudo perante adversários que defendem num bloco mais baixo.
Segundo Pepa, o E. Amadora tem conseguido manter a posse e criar situações ofensivas, mas precisa de escolher melhor o último passe e o momento de rematar, além de revelar mais paciência na circulação entre os dois lados do campo para abrir espaços. A exposição excessiva às transições adversárias foi outro dos pontos destacados. O treinador considerou que estas falhas têm penalizado a equipa e provocado a perda de pontos, alimentando uma sequência de efeitos que prejudica o equilíbrio mental, a organização tática e a qualidade das decisões. Na sua análise, a ansiedade é particularmente visível no último terço, quando é necessário encontrar um colega livre e optar pela solução adequada.
O treinador defendeu a necessidade de evolução, sem deixar de reconhecer mérito ao Casa Pia, também assinalado pela própria equipa técnica. Descreveu o adversário como uma formação que recuou as linhas, se apresentou bem preparada nas bolas paradas e nas transições rápidas e aguardou pelo erro. O E. Amadora acabou por se expor, reforçando as dificuldades sentidas neste género de partidas.
Para Pepa, a resposta passa pelo crescimento e pela maturidade do grupo. Admitiu que seria preferível evoluir acompanhado de vitórias e pontos, mas insistiu na importância de enfrentar as falhas, compreender o que está a correr mal e corrigir. Embora os problemas já tenham sido detetados, reconheceu que ainda não foi possível resolvê-los, pelo que é necessário continuar a trabalhar e melhorar.
Na avaliação do resultado, o técnico lembrou que costuma considerar o marcador justo no futebol. Se diante do Académico de Viseu entendeu que faltaram argumentos à sua equipa, frente ao Arouca e ao Casa Pia viu produção e tentativa de chegar a outro desfecho. Ainda assim, sublinhou que não existem vitórias morais e que o saldo foi de zero pontos.
Entre os aspetos a corrigir, apontou a necessidade de mostrar mais energia em determinados momentos após perder a bola e durante o processo defensivo. Observou que a equipa não passa assim tanto tempo a defender, mas tem de ser mais eficaz quando essa tarefa se impõe. Pediu ainda maior concentração nas fases decisivas, especialmente perante adversários organizados num bloco baixo.
Como exemplo, explicou que colocar um jogador de costas para o corredor da bola facilita a pressão contrária. Para o treinador, são detalhes com impacto, tal como a diferença entre avançar cinco metros após a perda da posse ou ter de recuar 50 metros. Estas situações, referiu, acabam por gerar instabilidade na equipa.
Pepa acrescentou que sofrer um golo numa fase em que o E. Amadora está por cima do encontro torna o cenário ainda mais favorável a um adversário que já se sentia confortável com o empate. Ao passar para a frente do marcador, essa equipa ganha condições para se sentir ainda mais à vontade.
O técnico abordou também a irritação provocada pelo decorrer do tempo ou pelos adversários que permanecem no relvado, ressalvando que não estava a afirmar que existisse perda de tempo. Enquadrou essas situações como parte do jogo e defendeu que os jogadores têm de aprender a lidar com elas. Reforçou, por isso, o apelo ao crescimento, à maturidade e à concentração naquilo que a equipa pode controlar, deixando de lado o que não depende de si. Considerou essencial manter o equilíbrio emocional para não comprometer os quatro momentos do jogo e as bolas paradas.
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