Protestos estudantis atingem Lens a uma semana da visita do Sporting

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Protestos estudantis atingem Lens a uma semana da visita do Sporting

A contestação estudantil iniciada em meados de setembro na periferia de Paris intensificou-se nos últimos dias e chegou a outras regiões francesas, com confrontos com as forças policiais e estragos em estabelecimentos de ensino.

Lens, no Norte de França, está entre as cidades atingidas pelos protestos nos últimos dias. É ali que o Sporting joga precisamente daqui a uma semana, às 17h45, na segunda jornada da fase de liga da Liga dos Campeões.

A segunda-feira foi particularmente tumultuosa em Lens e ficou marcada por uma tragédia. Durante a manhã, um estudante de 15 anos sofreu ferimentos graves e perdeu a mão esquerda junto ao instituto Auguste Béhal, frequentado por cerca de 1.300 alunos. No local, tinham-se concentrado entre 200 e 250 estudantes.

Os bombeiros prestaram assistência ao adolescente, que foi transportado para o Hospital Universitário de Lille, sem perigo de vida. Ainda estão por esclarecer as circunstâncias que provocaram os ferimentos. Foi entretanto aberto um inquérito, cuja condução ficará a cargo da Inspeção Geral da Polícia Nacional (IGPN).

Ao falar com jornalistas franceses no local, o procurador de Béthune, Étienne Thieffry, manifestou a intenção de que «toda a verdade venha ao de cima», mas ressalvou que os contornos do episódio continuam por determinar. «Não estou em condições de afirmar categoricamente se o estudante apanhou a granada que explodiu na mão dele, ou se esta foi lançada contra ele», afirmou. Segundo o procurador, a investigação terá de estabelecer com precisão a sequência dos acontecimentos e determinar se foram cumpridos os critérios de utilização daquele tipo de granada.

«Não posso dizer quais as granadas que foram utilizadas. A utilização de diferentes granadas é registada durante as operações policiais. Portanto, caberá ao IGPN identificar o tipo de granada utilizada», acrescentou, no mesmo dia em que testemunhas relataram à imprensa o que terão visto.

Entre esses testemunhos, ainda dependentes das conclusões da investigação da IGPN, está o de Chloé, uma estudante de 16 anos que afirma ter assistido a tudo. Ao jornal La Voix du Nord, garantiu que o colega que perdeu a mão «não pegou» na granada. «Ele não a recolheu, ele foi atingido e isso é que é chocante. Somos estudantes e jovens, não há necessidade disto», afirmou, referindo-se à manutenção da ordem. «Nós já estávamos a ir embora», assegurou. A jovem descreveu ainda: «Os polícias começaram a aproximar-se de nós, começámos a correr na direção oposta e lançaram gás lacrimogéneo contra nós. De repente, uma bola enorme. Nós corremos, não conseguimos vê-la e o meu colega foi atingido por ela na mão, explodiu na mão dele».

O prefeito de Pas de Calais, François-Xavier Lauch, também se pronunciou sobre as circunstâncias dos protestos de segunda-feira. Segundo afirmou, esteve no local «um grupo maior do que nos dias anteriores, de 150 a 200 estudantes do ensino médio, que atiraram uma série de objetos contra a polícia».

As aulas foram retomadas à distância ainda na segunda-feira, enquanto esta terça-feira o estabelecimento está encerrado. De acordo com o La Voix du Nord, foi criada uma unidade de apoio psicológico para os alunos e funcionários do instituto Auguste-Béhal. O jornal refere igualmente que, na manhã desta terça-feira, a situação junto à escola, no bairro Grande Résidence, é calma.

Nesta terça-feira, Lyon e Estrasburgo são as cidades onde os protestos têm maior expressão.

Quanto ao Lens-Sporting da próxima semana, o clube francês anunciou na segunda-feira que não será permitida a entrada de adereços do Sporting nos setores do estádio reservados aos adeptos da equipa da casa, de forma a evitar confusões.

O balanço de uma segunda-feira de tensão em França

Segundo o Ministério da Educação, mais de 400 escolas foram atingidas na segunda-feira por bloqueios, manifestações ou outros incidentes associados à mobilização estudantil. Os participantes exigem mais professores substitutos e melhores condições de funcionamento dos edifícios escolares e de ensino.

Ao todo, foram afetadas 413 escolas nesse dia. O valor traduz uma descida de 27 por cento relativamente às 564 contabilizadas na manhã de sexta-feira e de 32 por cento em comparação com as 610 registadas na quinta-feira.

As autoridades sublinharam que 40 por cento dos estabelecimentos afetados na segunda-feira não tinham tido incidentes antes. Na sua leitura, esse dado aponta para uma tentativa de estender a mobilização a outras escolas.

A par dos bloqueios, registaram-se incêndios, danos materiais e confrontos com as forças de segurança. Estas ocorrências repetiram-se em algumas escolas de cidades como Paris e Toulouse.

Gasolina sobre professora e alegada agressão no olho

Na segunda-feira, o Ministério Público decidiu também prolongar a prisão preventiva de um aluno de 16 anos suspeito de ter lançado gasolina sobre uma professora. Segundo a BFMTV, o caso aconteceu durante um protesto estudantil na sexta-feira, em La Ciotat, no sul de França.

Também no sul do país, em Aix-en-Provence, foi detido outro estudante, de 17 anos, por suspeitas de participação numa agressão durante os protestos de quinta-feira. Sem antecedentes criminais, o menor foi acusado de lançar uma pedra que atingiu no olho uma mulher de cerca de 50 anos. O ferimento provocou-lhe a perda de visão.

Desde o começo dos protestos, as autoridades dizem ter detido cerca de 5.000 pessoas, das quais aproximadamente 85 por cento são menores. O balanço inclui ainda 24 escolas incendiadas ou danificadas e 78 funcionários da educação feridos.

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, anunciou na segunda-feira que o executivo apresentará ao Senado um projeto de lei para obrigar os responsáveis pelos estragos causados nos protestos a pagar as reparações. Sindicatos e organizações sociais acusam o governo de recorrer a força excessiva contra menores para travar reivindicações que consideram legítimas. Entretanto, estão em curso cinco investigações internas às ações dos polícias.

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