Real Madrid renasce em Roma e dá a Mourinho uma reviravolta épica

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Real Madrid renasce em Roma e dá a Mourinho uma reviravolta épica

O Real Madrid voltou a mostrar que tem sete vidas na Liga dos Campeões. Numa noite carregada de significado para José Mourinho, a Roma entrou na última meia-hora a ganhar por 3-1, mas os merengues protagonizaram uma recuperação extraordinária. Três cantos cobrados por Arda Güler nos últimos sete minutos estiveram na origem dos golos que transformaram a desvantagem numa vitória por 4-3.

O regresso de Mourinho ao Estádio Olímpico de Roma ficou marcado pelas manifestações de carinho dos adeptos romanos. O legado do técnico português, sobretudo a conquista da Liga Conferência, motivou várias homenagens. Quando o speaker anunciou as equipas, as bancadas levantaram-se para o aplaudir, num reconhecimento que se prolongou durante a partida através de tarjas e cartazes alusivos à sua passagem pelo clube.

Junto à linha lateral, Mourinho não escondeu a emoção, em particular ao deparar-se com uma imagem em que surgia a levantar o troféu da Liga Conferência. Retribuiu com beijos dirigidos aos adeptos. Com o apito inicial, porém, o foco passou para o relvado, onde a Roma começou por impor um futebol sufocante.

A intensidade dos anfitriões empurrou o Real Madrid para junto da área de Courtois. Os espanhóis tinham dificuldades em sair, perante uma pressão que permitia aos romanos recuperar rapidamente a posse e voltar à carga. A sucessão de ataques deu resultado aos 20 minutos: Soulé avançou pela direita e cruzou para a entrada da área, onde De Roon apareceu a rematar. A bola pareceu sofrer um ressalto e o guarda-redes belga nem reagiu ao lance.

O golo despertou o Real Madrid, que respondeu com determinação e precisou de apenas cinco minutos para repor a igualdade. Numa transição veloz, Diomande lançou Mbappé em corrida. O francês rematou de primeira, com a bola a ressaltar e a passar por cima de Gollini.

Foi um momento particularmente significativo para Mbappé, que nesse dia superou Lionel Messi como o futebolista mais jovem a atingir os 100 jogos na Liga dos Campeões. O internacional francês chegou à marca aos 27 anos, um ano antes da idade com que o argentino se tornou centenário, em 2015, aos 28.

A igualdade trouxe outra estabilidade aos merengues, que equilibraram o encontro até ao descanso e chegaram a ameaçar a reviravolta. Bellingham dispôs de uma ocasião flagrante após um passe de Vinicius. O brasileiro soube esta quarta-feira que terá de cumprir quatro partidas de suspensão, na sequência da expulsão diante do Villarreal.

Perante a perda de iniciativa da Roma, Gasperini decidiu intervir logo no arranque da segunda parte. Retirou Paolo Dybala, que estava em quebra, e colocou Rodrigo Mora em campo. A alteração revelou-se acertada: pouco mais de cinco minutos depois, o jovem internacional português surgiu pelo corredor central e assistiu Donyell Malen para o golo que devolveu a vantagem aos romanos. O ambiente no Olímpico tornou-se ensurdecedor.

O Real Madrid tentou voltar a responder de imediato e adiantou-se no terreno, mas a Roma aproveitou para marcar pela terceira vez. Um novo passe de rotura abriu caminho ao golo, agora por iniciativa de Matias Soulé, que já tinha servido De Roon no lance inaugural.

Malen completou o bis em pouco mais de cinco minutos e colocou a equipa italiana com dois golos de vantagem. A margem era confortável, embora ainda restasse bastante tempo para disputar.

A partida manteve um ritmo elevado, com ataques de parte a parte. Rodrigo Mora destacou-se em várias conduções de bola, enquanto o Real Madrid também acelerava à procura de uma resposta. Mbappé ainda festejou aquele que seria o seu segundo golo, mas o lance acabou invalidado por um fora de jogo de centímetros.

Mourinho foi alterando a equipa e, à semelhança de Gasperini, recorreu ao português que tinha entre os suplentes. Bernardo Silva entrou numa fase em que os merengues procuravam desesperadamente ter a bola e estabelecer o controlo do encontro. Do outro lado, com as bancadas em festa, a Roma tentava tirar partido das transições.

Os italianos não se limitaram, contudo, a proteger a área. Mantiveram a intenção de jogar com um bloco subido, criando dificuldades à construção do Real Madrid, e Rodrigo Mora voltou a estar em evidência com mais uma oportunidade clara.

À medida que o relógio avançava, Mourinho apostou também em Endrick, Arda Güler, Carlos Espí e Carreras, além de Bernardo Silva. As mudanças ajudaram os espanhóis a ganhar força na reta final e, num espaço de apenas dois minutos, dois lances muito semelhantes permitiram-lhes chegar ao empate.

Primeiro, Arda Güler bateu um canto do lado esquerdo, Endrick desviou de cabeça e Carlos Espí, junto ao segundo poste, confirmou o 3-2. Um minuto depois, o turco voltou a cobrar um pontapé de canto e Endrick cabeceou para o 3-3.

Ainda havia cinco minutos por jogar e o cenário tinha mudado por completo. O Real Madrid estava embalado pela recuperação, enquanto a Roma, depois de ter estado em clima de celebração, já não encontrava capacidade para reagir.

A decisão surgiu no período de compensação, novamente através de um canto. Desta vez do lado direito, Arda Güler colocou a bola na área e Antonio Rüdiger marcou à antiga equipa, consumando a reviravolta dos merengues.

A Roma deixava escapar uma vantagem de dois golos e o Real Madrid saía vencedor graças a três pontapés de canto separados por pouco mais de sete minutos. Uma conclusão impressionante para um encontro que proporcionou emoções fortes a José Mourinho, tanto nas bancadas como dentro das quatro linhas.

Com este resultado, o Real Madrid passa a somar seis pontos, enquanto a Roma permanece com apenas um.

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