Renato Paiva destaca mobilidade de Gonçalo Ramos e elogia organização da Seleção
Renato Paiva enfrentou um início difícil de 2026/27 ao serviço do Santos Laguna, do México. Após seis derrotas e um empate no Torneio de Abertura do campeonato, o técnico português, de 56 anos, somou três triunfos seguidos, diante de Juárez, Toluca e Pachuca.
Em declarações à agência Lusa, explicou que aceitou um projeto destinado a recuperar um clube histórico. A exigência do calendário inicial, que colocou pela frente as oito equipas mais fortes, era conhecida, mas considerou que alguns resultados não traduziram aquilo que a equipa produziu em campo.
No comando do Santos Laguna desde maio, Renato Paiva regista quatro vitórias em 13 encontros.
Com seis campeonatos conquistados, o mais recente em 2017/18, o clube mexicano entrou na pausa internacional na 15.ª posição do Torneio de Abertura, a 10 pontos de Toluca e Club América, que lideram a classificação.
O treinador entende que o trabalho tem evoluído e que a recuperação começa a notar-se, tanto na qualidade do jogo como na mentalidade. Destacou, sobretudo, a reaproximação entre a equipa e os adeptos.
O objetivo de Renato Paiva é levar novamente o Santos Laguna aos play-offs de campeão, dos quais está ausente há três anos. Com vínculo até 2028, o português já passou, no México, pelos bancos de Toluca e Club León. No percurso constam ainda os brasileiros Fortaleza, Botafogo e Bahia, bem como os venezuelanos do Independiente del Valle.
Antes dessas experiências, passou década e meia no Benfica, onde trabalhou em diferentes escalões de formação e chegou à equipa B. Entre as dezenas — ou mesmo centenas — de futebolistas que orientou estão Gonçalo Ramos e João Félix, que se destacam na Seleção.
Paiva recordou que os dois já jogavam dessa forma quando os treinava nos sub-17 do Benfica. Na sua leitura, a chave para Félix foi utilizá-lo na posição que considera ser a sua: segundo avançado. Sobre Gonçalo Ramos, salientou a eficácia dentro da área, a movimentação constante e a capacidade de abrir espaços para os colegas marcarem. «A mobilidade dele ajudará muitíssimo.»
Na análise à Seleção, destacou a clareza das ideias, a pressão alta e a procura da recuperação da bola, por vezes próxima da marcação individual. Disse encontrar uma equipa mais organizada, com os jogadores nas suas posições específicas, e considerou que os futebolistas, de elite mundial, compreenderam depressa as intenções de Jorge Jesus. «É um casamento perfeito», resumiu.
A propósito de Paulinho, antigo jogador do Sporting e goleador do Toluca, Renato Veiga mostrou orgulho por ter contratado o avançado.
Descreveu-o como um dos atletas mais inteligentes com quem trabalhou na criação e ocupação de espaços, destacando também a qualidade técnica e a enorme capacidade de finalização. Recordou ter avisado os diretores de que estavam a contratar o melhor marcador do campeonato. Apesar da descrença inicial, Paulinho acabou por ser o melhor marcador e o melhor jogador. «É um Deus no México», afirmou.
Ainda atento ao futebol português, Renato Paiva abordou também os despedimentos de treinadores na Liga, entre os quais o de João Gião no Nacional.
O técnico lamentou que sejam muito poucos os projetos com um rumo bem definido. Apontou como exemplo a escolha de um treinador de características ofensivas seguida da contratação de outro com perfil defensivo, sublinhando que são os treinadores a suportar as consequências.
Questionou ainda se, perante tantos técnicos que não conseguem ter sucesso, a responsabilidade pertence apenas a quem treina ou também a quem faz as escolhas. Disse não ver demissões de diretores desportivos nem de presidentes e concluiu que, se estivesse em Portugal, os resultados já teriam ditado o seu despedimento.
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