Ronaldo: este momento acabaria por chegar

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Ronaldo: este momento acabaria por chegar

Cristiano Ronaldo nunca se contentou com ser futebolista. Ambicionou ser o melhor.

A seguir, quis manter-se no topo. Somar golos, partidas e vitórias. Acumular recordes e alcançar patamares a que mais ninguém tinha chegado.

Essa obsessão explica, em grande medida, aquilo em que Cristiano Ronaldo se tornou. Mas também contribuiu para que, tantas vezes, parecesse disputar uma partida à parte dentro do próprio jogo.

Existia o resultado coletivo e existiam os golos de Ronaldo. Existiam as metas do clube e existiam os recordes de Ronaldo. Existiam Portugal, o Real Madrid ou a Juventus, e existia Ronaldo.

É certo que esses dois caminhos se cruzaram frequentemente. Nessas alturas, nem fazia sentido distingui-los.

Um golo de Ronaldo beneficiava Portugal, o Real Madrid, o Man. United ou a Juventus. E uma vitória de Portugal, do Real Madrid, da Juventus ou do Man. United beneficiava Ronaldo. Mais do que isso: era o cenário ideal.

Até chegar o momento em que essa harmonia se desfez.

Nesse dia, não assistimos somente à irritação de um futebolista por não ter entrado frente à Noruega. Assistimos ao confronto de um jogador com uma possibilidade que rejeitou durante vinte anos: a de o jogo prosseguir sem a sua presença.

Durante todos esses anos, Ronaldo precisou de acreditar que ainda existia outro golo para marcar, outra partida para disputar, outro recorde para bater, alguém mais para convencer.

Ao longo desse tempo, enfrentou defesas, guarda-redes, recordes, Messi, lesões, críticos e calendários. Venceu muitas dessas lutas. Venceu imenso, na verdade. Conquistou cinco Bolas de Ouro e legiões de admiradores.

Agora, contudo, surgiu uma oposição bastante mais complicada: o banco de suplentes. Com ele chegou também a demonstração de que Portugal consegue sem Ronaldo.

Para alguém que dedicou toda a carreira a mostrar que era capaz de fazer o que nenhum outro fazia, talvez o desafio atual seja particularmente duro de aceitar. Daí a reação que teve: uma atitude que deixa uma marca grave no seu percurso.

Quem observa de fora aponta-lhe o dedo e chama-lhe egoísta, infantil e egocêntrico. Não há dúvida de que essas críticas são verdadeiras.

Ainda assim, aceitar o envelhecimento é muito mais simples para quem nunca foi Cristiano Ronaldo.

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