Sondagem: portugueses escolhem Jesus em vez de Ronaldo na Seleção

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Sondagem: portugueses escolhem Jesus em vez de Ronaldo na Seleção

Cristiano Ronaldo esteve, na passada quarta-feira, no centro de um episódio que teve repercussão mundial. O capitão da Seleção Nacional deixou o grupo durante o estágio em Copenhaga, na Dinamarca, desencadeando uma crise e opiniões divergentes. A Pitagórica realizou uma sondagem para perceber como os portugueses encaram esta polémica.

O estudo, baseado em 400 entrevistas efetuadas nos dias 1 e 2 de outubro, mostra uma sociedade dividida. A atribuição de responsabilidades no conflito entre Cristiano Ronaldo e o selecionador Jorge Jesus está no centro do debate, com o avançado a surgir mais penalizado pela opinião pública.

Os participantes foram ouvidos de Norte a Sul do país e nas ilhas, numa amostra com características distintas em termos demográficos e de preferências clubísticas.

Entre os adeptos entrevistados, o Benfica é o clube mais representado, com 164, seguindo-se o Sporting, com 108, e o FC Porto, com 73. Outros 36 participantes dizem não ter simpatia por qualquer clube.

A composição por género é relativamente equilibrada: 54 por cento são homens e 46 por cento são mulheres. Em termos etários, o grupo dos 65 ou mais anos é o que tem maior representação no estudo.

A polémica é conhecida pela grande maioria dos portugueses, embora o grau de atenção varie. Quase metade dos inquiridos, 48%, segue o assunto de perto. Só dois por cento dizem não acompanhar nem conhecer os acontecimentos dos últimos dias, um resultado que sublinha o alcance do tema.

Nove em cada dez portugueses acompanharam as notícias mais recentes sobre Cristiano Ronaldo e a Seleção.

Entre os 48% que prestam maior atenção à polémica, a proximidade ao desporto distingue os níveis de interesse. Quanto aos hábitos de consumo de futebol neste grupo, 66% veem todos os jogos, 38% acompanham a maioria e apenas 18% raramente assistem ou não veem encontros.

Oito em cada dez participantes seguem a Seleção com regularidade.

Na comparação entre clubes, são os adeptos do Sporting que mais acompanham de perto os desenvolvimentos do caso, com 59%.

A distribuição de opiniões sobre o conflito concentra-se em três grupos. A maior parcela, de 43%, não dá razão exclusivamente a nenhum dos envolvidos. Muito próximo surge o conjunto que considera que Jorge Jesus tem mais razão, com 42%. Cristiano Ronaldo reúne a preferência de apenas 14%.

Na amostra estudada, só dois por cento afirmam estar completamente afastados do assunto, sem acompanhar ou conhecer os episódios recentes.

A ligação clubística volta a revelar diferenças: os sportinguistas são os que mais apoiam a posição de Ronaldo, enquanto Jorge Jesus encontra maior respaldo entre os portistas. O treinador obtém também mais compreensão junto dos participantes que assistem a todos os jogos de futebol.

A decisão de Ronaldo de abandonar a Seleção recebe uma avaliação claramente desfavorável. Segundo a sondagem da Pitagórica, 71 por cento dos entrevistados classificam a atitude como má ou muito má, traduzindo uma rejeição maioritária.

As críticas abrangem igualmente as funções do avançado no grupo. Para 58 por cento dos participantes, Ronaldo não deve continuar a envergar a braçadeira de capitão.

Mesmo entre os sportinguistas, que se destacam no apoio a CR7, as posições estão próximas: 47 por cento defendem que mantenha a braçadeira, enquanto 44 por cento discordam.

Quanto à continuidade do jogador ao serviço de Portugal, os resultados gerais mostram duas posições com uma expressão relativamente próxima.

Para 46 por cento dos entrevistados, chegou a altura de Ronaldo encerrar definitivamente a carreira na Seleção. Em contrapartida, 41 por cento querem que o avançado continue a representar o país.

Entre os adeptos que não perdem qualquer jogo da Seleção Nacional, a divisão é absoluta: as duas posições recolhem 46%.

Os sportinguistas distinguem-se novamente deste equilíbrio. Nesse grupo, 59 por cento querem continuar a ver Ronaldo nas escolhas para a Seleção.

Apesar da dimensão do descontentamento, os portugueses não excluem por completo a continuidade do habitual camisola 7.

A saída do estágio provocou críticas intensas, mas as respostas recolhidas mostram que o futuro de Cristiano Ronaldo na equipa nacional permanece sem uma posição consensual.

Numa das avaliações sobre a continuidade, 35 por cento manifestam-se favoravelmente, enquanto 37 por cento assumem a posição contrária. Os restantes 25 por cento remetem a decisão exclusivamente para as prestações em campo e para a avaliação do selecionador.

O desempenho desportivo é determinante para a maioria da amostra. Mais de metade dos participantes, 51 por cento, considera que a utilização de Ronaldo não deve estar garantida, devendo depender do jogo em causa, do rendimento apresentado e das escolhas táticas do treinador.

Esta valorização do mérito apresenta diferenças entre gerações. Os inquiridos mais velhos revelam menor tolerância em relação ao avançado: entre os que têm 55 ou mais anos, 39 por cento defendem que deixe de ser convocado. Entre os jovens dos 18 aos 34 anos, essa percentagem desce para cerca de metade, situando-se nos 21 por cento.

Só 10 por cento defendem que CR7 deve ser titular indiscutível. Os adeptos do Sporting voltam a assumir particular destaque nesta discussão.

Independentemente da controvérsia recente, a passagem de Cristiano Ronaldo pela Seleção Nacional continua a merecer uma apreciação muito favorável. Para 94 por cento dos entrevistados, o balanço da carreira do avançado pela equipa das quinas é positivo ou muito positivo. Destes, 71 por cento atribuem-lhe mesmo uma avaliação muito positiva.

O reconhecimento do percurso do jogador atravessa a amostra e resiste ao conflito atual. O contributo acumulado ao longo de décadas mantém uma apreciação amplamente favorável, acima da contestação ao comportamento recente. Apenas três por cento fazem uma avaliação negativa do que Ronaldo deu à Seleção.

Em relação ao futuro de Jorge Jesus, a maioria dos portugueses não defende uma mudança no comando técnico, privilegiando a estabilidade nesta fase de tensão.

A permanência do selecionador é apoiada por 84 por cento dos entrevistados. Apenas 7 por cento entendem que o percurso de JJ à frente da Seleção Nacional deve terminar.

O treinador beneficia, assim, de um apoio expressivo. As respostas apontam para a vontade de dar margem à equipa técnica para conduzir o futebol nacional, sem que decisões precipitadas sejam ditadas pela pressão do momento.

Se o conflito entre Ronaldo e Jesus não tiver solução e a permanência dos dois se tornar impossível, a preferência dos inquiridos é clara. Nesse cenário, 66 por cento escolheriam manter o selecionador, mesmo que isso implicasse a despedida de CR7 da Seleção. Só 19 por cento prescindiriam do técnico para conservar o avançado.

Esta diferença ultrapassa as preferências clubísticas. Até entre os sportinguistas, habitualmente dos mais favoráveis a Cristiano Ronaldo, a escolha final recai sobre Jorge Jesus: 59 por cento preferem a continuidade do treinador.

Num cenário de rutura, a amostra coloca, por isso, a estabilidade coletiva à frente do estatuto individual.

A crise na Seleção Nacional estendeu-se também à esfera política. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, interveio através de conversas telefónicas com os protagonistas e com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

A iniciativa encontrou, porém, resistência significativa. Metade dos inquiridos considera má ou muito má a intervenção governamental, enquanto a outra metade não faz uma avaliação tão desfavorável.

A contestação à participação do poder político é mais acentuada na Grande Lisboa e na Península de Setúbal. Nestas regiões, a rejeição da atuação do primeiro-ministro atinge os 60 por cento.

Os resultados da Pitagórica traçam o retrato de um país dividido sobre a crise na Seleção. O percurso histórico de Cristiano Ronaldo continua a ser amplamente reconhecido, mas a atitude recente é reprovada e cresce a exigência de que as chamadas à equipa nacional sejam determinadas pelo mérito desportivo.

Perante uma incompatibilidade definitiva, os portugueses, incluindo os adeptos mais próximos do capitão, dão prioridade à estabilidade do grupo e à permanência de Jorge Jesus, em detrimento de qualquer estatuto.

A sondagem foi realizada pela Pitagórica para a TVI e a CNN Portugal, com o objetivo de conhecer a opinião dos portugueses sobre a atual crise envolvendo Cristiano Ronaldo e a Seleção Nacional. O estudo analisou ainda as possíveis consequências para o avançado e para Jorge Jesus, bem como a intervenção do primeiro-ministro.

A recolha incidiu sobre a população portuguesa com 18 ou mais anos, com uma amostra estratificada por género, idade e região.

Para as 400 entrevistas, considerando uma população infinita, um nível de confiança de 95,5% e p=0,5, a margem de erro máxima é de ±5,0%. Os entrevistados são selecionados através da geração aleatória de números de telemóvel, respeitando o peso dos três principais operadores móveis. Quando necessário, são igualmente escolhidos de forma aleatória números de telefone fixo.

As 400 entrevistas efetivas resultaram de 573 tentativas de contacto, correspondendo a uma taxa de resposta de 69,81%.

As entrevistas decorreram por telefone, com recurso ao sistema CATI — Computer Assisted Telephone Interviewing.

O trabalho de campo foi efetuado nos dias 1 e 2 de outubro de 2026.

Rita Marques da Silva é responsável pela direção técnica do estudo. A ficha técnica integral e os resultados são depositados na ERC — Entidade Reguladora para a Comunicação Social, ficando disponíveis para consulta online.

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