Sporting-Académico de Viseu, 1-2: leão acordou tarde numa noite de frio

Nacional
Sporting-Académico de Viseu, 1-2: leão acordou tarde numa noite de frio

Os relógios recuaram uma hora durante a noite. A partir de hoje, o amanhecer chega mais cedo, mas a luz do dia também desaparece antes. Uma mudança para o ritmo de inverno à qual nem todos respondem da mesma maneira.

Há quem veja nessa hora adicional uma oportunidade para prolongar o sono. Afinal, é fim de semana e custa sempre abandonar o conforto da cama. O conhecido Casio de Rui Borges só deu sinal à hora de jogo — talvez porque não acerte os ponteiros sozinho. As mexidas do treinador no banco fizeram o Sporting virar-se e despertar. O problema é que o acordar poderá ter chegado demasiado tarde, quando os pés já estavam gelados.

Diz a sabedoria popular que uma manta curta nunca consegue tapar tudo: cobre-se uma ponta e fica outra exposta. Em Alvalade, os visitantes de Viseu, mais familiarizados com o frio e bem acordados, deixaram um aviso aos lisboetas. Talvez dos últimos na discussão do campeonato, porque o inverno aproxima-se e o trono de ferro está nas mãos dos reis do Norte.

Rui Borges apresentou novidades na equipa inicial. Desde logo, desfez a principal incógnita: Kaique é agora o titular da baliza, ficando Rui Silva como alternativa. Mas as alterações do técnico bragantino não se ficaram por aí. Ibrahima Ba começou pela segunda vez um encontro pelo Sporting, Flávio voltou ao onze e Luis Guilherme recebeu uma oportunidade no lado direito. Entre estas três apostas, foi Flávio quem mostrou maior inspiração.

Nas bancadas, a tolerância esgotou-se depressa. Por diferentes motivos, ouviam-se mais assobios do que palmas. A tensão cresceu à medida que a primeira parte avançava e pareceu passar para os futebolistas leoninos. Do outro lado, o Académico conservava a solidez de um bloco de gelo. Os centrais circulavam a bola entre si e Ewerton demorava nas reposições. Tudo decorria de feição aos viseenses.

Irankunda protagonizou o primeiro aviso, com um remate junto ao relvado na sequência de um canto. A bola saiu perto do poste. A partir daí, porém, tornou-se complicado pôr à prova o guarda-redes brasileiro. Na baliza contrária, outro brasileiro esteve perto de oferecer o golo. Kaique perdeu a posse para Clóvis, aparentemente depois de sofrer falta, e Ba teve de aparecer para proteger a baliza vazia. O episódio poderá ter abalado o Sporting, que sofreu pouco depois.

Apesar de os leões parecerem bem posicionados atrás, faltou rapidez na resposta a uma excelente mudança de flanco de Kahraman para Robinho. O cruzamento rasteiro saiu de imediato. A bola atravessou a área, passando de um lado para o outro, até encontrar João Guilherme. O remate de primeira acabou nas redes e lançou a festa dos visitantes: 1-0.

A queda do Sporting esteve a um pormenor de se agravar. Um lançamento lateral irregular, com Luís Silva dentro das quatro linhas, impediu que contasse um magnífico remate de primeira de Kahraman para o fundo da baliza. Um gesto técnico que merecia outro destino, mas cujo golo foi anulado.

O leão continuava enredado. A exibição de Luis Guilherme reforçava a ideia de que Catamo deveria ter começado, enquanto Doumbia e Flávio tinham marcação apertada. Irankunda era quem mais agitava o ataque, combinando com Maxi. Depois de um penálti inicialmente favorável ao Sporting ter sido corretamente revertido, a melhor ocasião dos anfitriões surgiu mesmo a fechar a primeira parte. Uma combinação entre Nestory e Araújo acabou no poste direito da baliza de Ewerton. Miguel Nogueira apitou e Alvalade respondeu com assobios.

No regresso dos balneários, o Sporting mostrou outra vontade de mudar a história. Encontrou, contudo, um Académico igualmente empenhado em segurar a vantagem. Os cruzamentos leoninos sucediam-se, numa sequência de tentativas sem o resultado pretendido. O Viseu resistia com a tarimba da II Liga. Atento à transformação do encontro, Borges lançou Ioannidis aos 60 minutos para acompanhar Suárez na frente. Catamo também entrou para o lugar de Luis Guilherme.

As substituições tiveram efeito pouco depois. Num dos muitos cruzamentos dos leões, Ioannidis criou dificuldades aos centrais e Suárez apareceu no sítio certo para concluir, de primeira, um passe rasteiro de Fresneda. Estava feito o 1-1, num remate de grande qualidade técnica que permitiu à equipa da casa respirar. O impulso do empate, no entanto, depressa se desvaneceu.

Ao puxar pela manta, o Sporting deixou a defesa descoberta. Aos 73 minutos, uma jogada mal resolvida atrás, com os leões a reclamarem falta, terminou num golo muito parecido com o primeiro dos visitantes. Até o autor se repetiu. João Guilherme, que pouco se tinha mostrado entretanto, voltou a surgir ao segundo poste para castigar a desatenção leonina. Kaique não tinha como evitar.

Nada parecia correr bem ao Sporting. Nem os ferros deram uma ajuda: foram atingidos três vezes, duas por Maxi e outra por Luis Suárez, esta já no período de compensação da segunda parte. O resultado parecia ter o destino traçado.

Fica o relato de uma noite gelada, a primeira de inverno em Lisboa. Para os sportinguistas, o frio trouxe ainda a tristeza de ver a equipa a nove pontos do líder FC Porto. No fim, em Alvalade, apareceram lenços brancos — não lençóis.

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