Tebas acusa Real Madrid de intimidação e de querer «destruir a competição nacional»

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Tebas acusa Real Madrid de intimidação e de querer «destruir a competição nacional»

Javier Tebas reagiu à mais recente queixa do Real Madrid, divulgada esta sexta-feira, acusando os responsáveis merengues de recorrerem à intimidação. Numa extensa publicação nas redes sociais, o presidente da LaLiga afirmou ter perdido a conta às vezes em que, ao longo de 13 anos, os dirigentes do clube exigiram a sua demissão ou procuraram impedi-lo de desempenhar funções.

Segundo o dirigente, essas iniciativas incluíram denúncias ao Conselho Superior de Desportos, apresentadas diretamente ou através de terceiros, e queixas-crime. Tebas considerou que a queixa agora conhecida é apenas mais uma e lamentou que continuem por chegar respostas às perguntas que tem colocado.

«Continuem a pedir a minha demissão ou a minha 'morte' social. Já conheço o método», escreveu, recordando também uma frase que diz ter ouvido: «Vou pôr todos os adeptos do Real Madrid contra ti e não poderás andar na rua».

O presidente da LaLiga pediu aos responsáveis do Real Madrid que deixem de colocar pessoas na mira e de apresentar as críticas à direção como ataques ao clube e aos adeptos. Para Tebas, esse comportamento tem uma designação clara: «intimidação». Acrescentou ainda que apresentar essa postura num comunicado oficial não a transforma em regeneração.

Na mesma publicação, o dirigente voltou a defender que tem a obrigação de proteger a competição que dirige. Foi nesse contexto que justificou as críticas à comunicação do Real Madrid através do seu canal televisivo, que chegou a comparar aos mecanismos de propaganda de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazi.

Tebas acusou os dirigentes merengues de confundirem neutralidade com independência e sustentou que o seu cargo não lhe permite ficar calado perante aquilo que considera serem ataques à LaLiga. Essa defesa da competição, sublinhou, também tem de ser feita quando estão em causa os responsáveis do Real Madrid.

«O meu cargo exige independência, não passividade perante a injustiça nem silêncio perante os ataques contínuos, desproporcionados e insultuosos da Real Madrid TV e dos seus 'porta-COCES' à nossa competição», afirmou.

Entre os exemplos apresentados, Tebas destacou a comparação entre si e Negreira que um jornalista atribui a fontes do clube. O presidente da LaLiga desafiou o Real Madrid a desmentir essa informação, caso seja falsa, e fez o mesmo pedido relativamente à alegação de que essas fontes afirmam que a Liga prejudica os merengues através dos horários dos encontros.

«Não estou a perguntar quem lhe paga o salário. Estou a perguntar se ele relata aquilo que vocês lhe transmitem», esclareceu, insistindo que o clube deve responder ao conteúdo dessas informações.

O dirigente exigiu ainda a divulgação do número de alterações de dia e hora solicitadas pelo Real Madrid, de quantas receberam aprovação e de quantas pretendiam ajustar o calendário a outros eventos no Bernabéu. Na sua perspetiva, os pedidos aceites também devem ser contabilizados, mesmo que contrariem a narrativa do clube.

«Se agem de boa-fé, desmintam o que é falso, expliquem o que é verdade e divulguem todos os dados», pediu Tebas, defendendo que a discussão deve incluir a totalidade da informação sobre essas alterações.

Quanto ao caso Negreira, o presidente da LaLiga rejeitou as acusações de inação e garantiu que o organismo «agiu desde o primeiro momento». Sustentou também que repetir a acusação de passividade não faz dela uma verdade e questionou a atuação do próprio Real Madrid, argumentando que constituir-se parte no processo não representa um certificado permanente de atividade.

Tebas apontou que Florentino Pérez permaneceu durante meses nos órgãos de direção da Federação Espanhola de Futebol. Referiu igualmente que a saída do presidente merengue da comissão de gestão e a de Joan Laporta foram apresentadas no mesmo dia, 30 de outubro de 2023.

O dirigente recuperou ainda a Assembleia de Sócios Compromissários de 24 de novembro de 2024. Nessa ocasião, quando questionado sobre um eventual corte de relações com o Barcelona, Florentino respondeu que os dois clubes tinham de se ajudar e perguntou por que motivo se haveriam de zangar.

A partir dessas declarações, Tebas questionou o que mudou desde então e por que razão a escalada de críticas coincide com a rutura do Barcelona com a Superliga. Perguntou se tinha mudado a gravidade dos factos ou os interesses do Real Madrid e onde estava anteriormente a indignação do canal televisivo merengue.

Sobre as suspeitas dirigidas aos árbitros, o presidente da LaLiga exigiu elementos concretos. «Se têm tanta certeza de que esses árbitros continuam a atuar sob a influência de Negreira, oito anos depois de os pagamentos terem terminado, que provas têm contra cada um deles? Que denúncias individuais apresentaram junto das instâncias nacionais, da UEFA ou da FIFA?», questionou.

Tebas salientou que exigir responsabilidades ao Barcelona não serve de prova para acusar individualmente cada árbitro. Acrescentou que um vídeo não substitui os indícios e classificou como extremamente grave e irresponsável colocar pessoas na mira.

O dirigente abordou também a reforma da arbitragem, reconhecendo que houve avanços, mas que continuam a existir medidas por concretizar. Admitiu que gostaria de ter ido mais longe e mais depressa, embora tenha defendido que as instituições não podem atuar em função dos interesses, do estado de espírito, da situação desportiva ou das relações dos dirigentes do Real Madrid com o Barcelona em cada momento.

Nesse âmbito, sublinhou que não é possível ignorar os restantes intervenientes nem o apoio da grande maioria dos clubes. Para Tebas, reformar não significa obedecer aos responsáveis merengues.

A conclusão do presidente da LaLiga foi que o Real Madrid procura «destruir a competição nacional». Na sua leitura, o clube tenta agora alcançar, através de uma narrativa distorcida divulgada pelos seus meios de comunicação e pelos seus 'porta-COCES', aquilo que ainda não conseguiu por intermédio da Superliga.

«Chamam-lhe regeneração, enquanto atacam o prestígio da competição em que participam», afirmou Tebas, voltando a contestar a forma como os responsáveis do Real Madrid têm conduzido as críticas à LaLiga.

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