Varandas tem a razão do seu lado, mas a emoção fica do outro

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Varandas tem a razão do seu lado, mas a emoção fica do outro

Frederico Varandas afirmou que prefere atingir os quartos de final da Liga dos Campeões a conquistar uma Taça de Portugal. A má notícia é que está certo. A boa é que nós também estamos.

Convém, porém, separar as coisas.

Nunca assisti a alguém celebrar a entrada de 80 milhões de euros em receitas da Champions. Talvez seja distração minha, mas a verdade é que nunca vi. E até é injusto.

A posição de Frederico Varandas faz todo o sentido. É provável que qualquer outro presidente respondesse da mesma forma, por uma razão muito simples: o dinheiro.

Não se trata de acumular dinheiro só porque sim. Trata-se de contratar jogadores. De assegurar salários. De conservar os melhores. De investir. De regressar à Champions e, se possível, novamente aos quartos de final. Um clube moderno funciona desta maneira.

Por isso mesmo, não há nenhuma barbaridade nas palavras de Varandas.

Numa análise racional, chegar aos quartos de final da Champions pode ter mais valor do que ganhar uma Taça. Pode pesar mais na estrutura do clube. Pode ajudar a manter um jogador, a pagar a contratação de outro ou a encurtar a distância para a elite europeia.

Se assim for, poderá também tornar mais provável a conquista de outras taças no futuro.

A razão dá, portanto, argumentos de peso ao Excel. Só que o Excel ainda não aprendeu a celebrar, e o EBITDA nunca fez ninguém ir para o Marquês. Espero eu, pelo menos.

Os adeptos, esses, usam outra contabilidade. Em vez de receitas operacionais, colecionam golos. Em vez de prémios de participação, somam títulos. Numa conversa entre amigos, ninguém recorda o lugar onde estava quando o Sporting anunciou aquele recorde de volume de negócios.

Mas sabe certamente onde viu aquele golo aos 89 minutos. Ou onde viveu aquela final. Por vezes, consegue até recordar a pessoa que abraçou.

É nesta magnífica falta de racionalidade que mora o futebol. E é ela que permite a um presidente e a um adepto avaliarem a mesma época de formas distintas, sem que algum deles tenha obrigatoriamente de estar enganado.

Ao presidente cabe pensar no Sporting de 2030. Ao adepto interessa vencer no domingo.

O presidente percebe que uns quartos de final da Champions podem transformar um clube. O adepto percebe que uma Taça transforma uma tarde. Daí que ambos façam falta em igual medida.

PS. Há ainda outro lado interessante na declaração de Varandas: revela o caminho percorrido pelo Sporting. Há alguns anos, imaginar a equipa nos quartos de final da Champions seria quase uma fantasia. Hoje, o presidente pesa essa hipótese e compara-a com a conquista de um troféu. Também há ambição nisso.

Importa apenas não perder de vista o fundamental: as receitas da Champions permitem formar equipas melhores, equipas melhores permitem vencer mais jogos e vencer mais jogos deve servir, idealmente, para conquistar alguma coisa.

Uma Taça, por exemplo.

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