Yamal explica abraço a Messi no Mundial: «Foi algo que senti cá dentro»

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Yamal explica abraço a Messi no Mundial: «Foi algo que senti cá dentro»

Lamine Yamal falou sobre o significado de já ter conquistado um Europeu e um Mundial aos 19 anos e sobre a ambição de ganhar a Bola de Ouro. As declarações foram feitas na véspera do encontro com a Inglaterra, da primeira jornada da Liga das Nações, que a Espanha viria a vencer por 3-2.

Numa entrevista ao The Guardian, o internacional espanhol revisitou a final do Mundial 2026 e destacou a importância da expulsão de Enzo Fernández, por uma falta sobre Pau Cubarsí.

«Sabíamos que era impossível eles marcarem e que, estando nós com a bola e eles reduzidos a dez, seria muito difícil não marcarmos», afirmou.

A velocidade, a irreverência e a imprevisibilidade de Yamal levam os adversários a recorrer frequentemente a marcações de dois para um. Ainda assim, o avançado do Barcelona não encara como um problema a necessidade de ultrapassar dois ou três jogadores em simultâneo.

«Muito psicológico», explicou. «Um lateral terá um treinador que lhe diz: "Está bem, o Lamine faz isto…" Eu vejo-o como um robô a tentar travar-me. Os robôs podem ser quase perfeitos, mas um ser humano terá algo que um robô não tem. O futebol está mecanizado, mas há jogadores como eu, o Pedri e muitos outros que têm aquela ‘faísca’ especial. Há um movimento típico do Neymar em que ele para, finta e segue para o outro lado. Vi muitos vídeos dele. Tento fazer com que os adversários não me consigam mecanizar, que não saibam para onde vou», prosseguiu.

O jogador descreveu depois o raciocínio por trás do lance que terminou no golo de Ferran Torres e selou o triunfo de Espanha.

«Lembro-me de três jogadas, aos 60, 70 e 80 minutos, mais ou menos, em que fui para cima do lateral. De cada vez, o [Alexis] Mac Allister aproximou-se. Se eu quisesse realmente atacar o lateral, teria avançado rapidamente. Desta vez, fui mais devagar, a conduzir a bola, para dar tempo ao Mac Allister de chegar até mim, ao Pedro [Porro] de aparecer atrás de mim e eu poder jogar a bola para trás».

Com tempo e espaço para executar a jogada, Lamine encontrou a solução. Porro cruzou, Nico Williams cabeceou para trás e Ferran Torres surgiu na posição certa para bater Emiliano Martínez. Até à final, o autor do golo ainda não tinha marcado.

«Sabíamos que o Ferran precisava daquele golo. Bem, toda a gente precisa de um golo na final do Mundial. Se o Unai Simón tivesse marcado, seria ótimo. Quando a bola entra, é espetacular, sentimos que somos campeões. Não é possível explicar a emoção. Tudo o que queria era continuar a jogar. Nunca pensei: "Eles podem empatar". Houve uma pequena ameaça, uma ocasião que o [Pau] Cubarsí cortou, mas eu estava a desfrutar do jogo», relatou.

Depois do apito final, ficou a imagem do abraço de Yamal a Lionel Messi. Num gesto que evocou uma passagem de testemunho, o espanhol aproximou-se do argentino para lhe agradecer o contributo para o futebol.

«Agradeci-lhe por tudo o que deu ao futebol. Não faço as coisas para ficar bem na fotografia; foi algo que senti cá dentro», explicou.

A Bola de Ouro foi outro dos assuntos abordados pelo avançado. Yamal considera que ter apenas 19 anos não deve influenciar a escolha: se apresentar o nível exigido para conquistar o prémio, entende que deve recebê-lo.

«Sendo completamente honesto, não é apenas este ano que estou a jogar a um nível que me permite lutar pela Bola de Ouro. Já estou nesse nível há algum tempo. Toda a gente sabe disso e sabe que sou um jogador diferente. Acho que algumas pessoas pensam: "O Lamine tem 19 anos, vai acabar por ganhar a Bola de Ouro mais cedo ou mais tarde, por isso, desta vez, vamos escolher outro." Eu só tenho de continuar a ganhar, ganhar e ganhar. Chegará o momento em que não haverá qualquer discussão. Haverá pessoas que me adoram e outras que dirão: "Que grande dor de cabeça que ele é", e, para mim, está tudo bem», declarou.

A terminar, o internacional espanhol refletiu sobre o que representa chegar aos 19 anos com os títulos de campeão europeu e mundial já conquistados.

«Depois da final, a minha família estava muito feliz. O problema é que eles não sabem o que é perder. Vou ao Europeu e ganho. Vou ao Mundial e ganho. Parece fácil. Houve um momento em que pensei: "Quando não ganhar, vão achar que sou péssimo." Disse-lhes: "Calma, haverá muitos mais Mundiais." Tenho de jogar mais e ganhar mais. No Europeu, nem sequer sabia quem era, onde estava ou qual era a dimensão de tudo aquilo. Podia fazer um exame e, no dia seguinte, jogar contra a França, porque não tinha verdadeiramente consciência da diferença. Ganhei e pensei: "Bem, isso é bom, mas um Mundial é melhor, não?" Agora sei o que significa um Europeu. Sei o que é um Mundial, embora ache que só se percebe verdadeiramente quando se chega ao Mundial seguinte e se perde. Ainda há muito para fazer. Porque é que não podemos ser a melhor seleção da história? O melhor Barcelona? E, se há alguém no mundo que está sempre a pensar em vencer e que não tenha padrões normais, esse alguém sou eu», concluiu.

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