Arouca vence Estrela (1-0) na estreia de Vítor Severino com golo de Barbero
Vítor Severino começou a sua passagem pelo Arouca com uma vitória em casa, junto à Serra da Freita, diante do Estrela da Amadora (1-0). Um triunfo que também teve uma dose de sorte. Para a oitava jornada, o novo treinador dos lobos trocou Mateo Flores pelo médio Pablo Gozálbez, relativamente ao empate em Alvalade.
Do lado dos tricolores, Pepa dispôs de três semanas para avaliar a derrota em casa diante do Académico de Viseu e devolveu a titularidade ao central Luan Patrick, que rendeu Schappo.
Com mais de 1300 adeptos nas bancadas e pela frente o quarto ataque mais concretizador da Liga — o Estrela somava 14 golos —, o Arouca marcou logo na primeira ocasião, aos cinco minutos. Djouahra apareceu livre no corredor esquerdo e cruzou para a área, onde Barbero correspondeu com um cabeceamento certeiro.
O avançado espanhol chegou assim ao quinto golo no campeonato. Já Djouahra passou a liderar isolado a tabela de assistências, também com cinco.
Em vez de responder à desvantagem, o Estrela encolheu-se e permitiu que Fukui, Pablo Gozálbez e Trezza ficassem perto de ampliar o resultado. Um início que terá agradado ao embaixador do Japão em Portugal. Tsutomu Nakagawa, de 63 anos, acompanhou o encontro no camarote presidencial, junto da família e com um cachecol azul e amarelo sobre os ombros.
A reação dos visitantes só ganhou expressão depois da meia-hora. Mesmo sem grande ligação no ataque, a equipa de Pepa teve um penálti assinalado a seu favor aos 32 minutos, posteriormente anulado por fora de jogo. Entre tentativas e decisões precipitadas, os tricolores conseguiram nova grande penalidade aos 45+2 minutos, desta vez confirmada, por mão do central Javi Sánchez.
Stoica, um dos melhores marcadores do Estrela, não aproveitou: o remate do extremo bateu na barra. A bola ainda tocou na linha de golo, mas ressaltou para fora da baliza.
O Arouca respondeu aos 45+4 minutos, num pontapé de canto do lado direito. O capitão Tiago Esgaio obrigou Léo Linck a mostrar os seus reflexos.
A vantagem ao descanso premiava a clareza dos arouquenses com bola e a organização demonstrada na pressão e na transição defensiva. Mais lúcidos, os lobos aproveitaram o golo madrugador para baixar no terreno e aguardar pelos erros do adversário, escapando à pressão através de passes rápidos e qualidade técnica.
O Estrela, por seu turno, tinha mais posse de bola (62 por cento), ataques (18-9), livres (2-0) e cruzamentos (16-6). Esses números, porém, não escondiam os problemas na construção nem as oscilações no setor recuado.
A segunda parte ofereceu pouco espetáculo. O ritmo baixou de forma acentuada e as substituições, a par do nervosismo, retiraram vivacidade a um encontro que tivera uma primeira metade repartida e animada. O domínio dos visitantes continuava a ser mais aparente do que efetivo, com poucas situações de golo. Arruabarrena não passou por grandes sobressaltos, perante a sucessão de cruzamentos e passes dos tricolores que não encontravam destinatário.
A única ocasião merecedora de destaque surgiu aos 77 minutos. Nandín, que tinha entrado 11 minutos antes, recebeu um passe em profundidade pelo corredor central, mas não conseguiu ultrapassar Linck com a finta.
De volta aos triunfos, o Arouca sobe ao quinto posto, com 14 pontos, mais quatro do que o Estrela da Amadora, nono classificado.
Segue-se um fim de semana de Taça de Portugal. O Estrela desloca-se a Santarém para enfrentar o Fazendense, do Campeonato de Portugal, no sábado, às 15h30. O Arouca joga no domingo, às 14h, no terreno do Belenenses, da Liga 3.
A Liga regressa a 24 de outubro, com os tricolores a receberem o Casa Pia, 17.º classificado, e os lobos a visitarem o Alverca, que ocupa a 11.ª posição.
Djouahra esteve na origem do momento decisivo, oferecendo o golo a Barbero aos cinco minutos com um cruzamento de grande precisão. O extremo francês foi a principal ameaça do ataque arouquense e juntou à qualidade com bola um remate, dois dribles, dois alívios e dois cortes, além de quatro duelos ganhos em cinco disputados. Líder das assistências na Liga, com cinco, o jogador de 26 anos aponta à melhor temporada da carreira. Soma cinco passes para golo em oito encontros, depois de ter registado sete golos e três assistências em 36 jogos pelo Arouca na época passada.
No Estrela, o romeno Stoica deixou escapar a melhor oportunidade de toda a partida. A equipa nunca conseguiu convencer no plano ofensivo, marcada por decisões apressadas e falta de entendimento. A deslocação a Arouca terá mostrado a versão menos conseguida do conjunto de Pepa, curiosamente no reencontro com a competição após a pausa para as seleções.
O Arouca já deixava boas indicações com Vasco Seabra e promete manter esse encanto sob a orientação de Vítor Severino. Disponíveis para resistir atrás, os lobos escolhem o momento certo para atacar com objetividade, aproximando laterais e extremos nas chegadas à área. No centro, Fukui elimina adversários com dribles rápidos e ajuda a superar a pressão. A simplicidade continua a ser uma virtude. Entre o ataque e a defesa, a equipa mantém qualidade com bola, discernimento e uma aparente tranquilidade. Em várias fases, o entendimento parece quase automático. A exibição não foi perfeita, mas teve argumentos que muitos dos concorrentes gostariam de apresentar.
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