Ataque de referência e ambição sem limites: o caminho dos sub-21 rumo ao Europeu
Portugal carimbou o passaporte para o Campeonato da Europa de sub-21 de 2027, numa campanha cujo alcance ultrapassa a simples qualificação. Quando falta disputar uma jornada, a equipa de Luís Freire tem o primeiro lugar do Grupo B matematicamente garantido, lidera os ataques de toda a fase de apuramento e prepara a fase final com um objetivo declarado: conquistar um troféu que continua a faltar a Portugal.
O triunfo por 4-0 diante de Gibraltar selou a qualificação e elevou a pontuação portuguesa para 22 pontos, fruto de sete vitórias, um empate e uma derrota em nove jornadas. No segundo posto, a Chéquia tem 18 pontos e já não consegue chegar à seleção das Quinas, independentemente do desfecho do encontro entre ambas que fecha o grupo, agendado para 6 de outubro.
Os números ofensivos dão uma expressão ainda maior ao percurso português: 33 golos marcados, contra apenas dois sofridos. Nenhuma outra seleção conseguiu marcar tanto nesta qualificação, nem apresenta uma diferença de golos melhor do que a de Portugal (+31). Os dois golos consentidos também colocam a equipa entre as defesas menos batidas da competição.
A baliza nacional manteve-se intacta durante uma larga parte da campanha. Nos primeiros sete encontros da qualificação, Portugal não sofreu qualquer golo: venceu o Azerbaijão por 5-0, a Escócia por 2-0 fora, a Bulgária por 3-0 e Gibraltar por 11-0 fora, empatou 0-0 na Chéquia e ganhou por 4-0 no Azerbaijão e por 3-0 à Escócia. Antes de consentir o primeiro golo, já tinha apontado 28.
Foi na Bulgária que essa sequência acabou, num desfecho particularmente difícil. A seleção portuguesa chegou aos 88 minutos em vantagem, mas permitiu dois golos na reta final e saiu derrotada por 2-1. Esse continua a ser o único desaire de Luís Freire desde que passou a dirigir os sub-21.
O trajeto ficou igualmente marcado por vários registos históricos. A vitória por 5-0 sobre o Azerbaijão, no primeiro jogo do selecionador, constituiu a melhor estreia de sempre de um treinador nos sub-21 de Portugal. Já o 11-0 alcançado em Gibraltar igualou a maior goleada da história da seleção neste escalão, com nove jogadores diferentes a marcarem.
Outro traço desta campanha é a utilização de um leque alargado de jogadores. Luís Freire já proporcionou 33 estreias nos sub-21, ao longo de um ciclo em que a entrada de novos nomes tem sido acompanhada por bons resultados.
O exemplo que mais atenção despertou foi o de Mezian Soares. O extremo criativo do Lens fez a estreia oficial diante da Bulgária aos 16 anos, 10 meses e 17 dias. Cinco dias mais tarde, frente a Gibraltar, passou também a ser o jogador mais novo de sempre a começar um encontro como titular pela seleção portuguesa de sub-21. Já há quem defenda a sua chamada à seleção comandada por Jorge Jesus.
Em paralelo, alguns elementos desta geração começaram a chegar mais perto do escalão seguinte, embora esse número pudesse ter sido bastante maior.
Mateus Fernandes estreou-se na seleção principal, enquanto Rodrigo Mora e Geovany Quenda também passaram pelo contexto da equipa A. Mora mantém, contudo, uma posição de relevo nos sub-21: com cinco golos, é o melhor marcador português nesta qualificação, seguido de Gustavo Varela, do Monza, que contabiliza quatro.
Coube precisamente ao antigo jogador do FC Porto inaugurar o marcador no encontro que confirmou o apuramento, diante de Gibraltar, com um golo de bicicleta que merece ser revisto. Após a partida, no entanto, colocou o foco na meta da equipa.
«Todos remamos para o mesmo lado. Queremos vencer este título que Portugal ainda não conquistou. Vimos uma equipa unida hoje», afirmou.
O capitão Mateus Fernandes expressou a mesma vontade: «Queremos fazer história e fazer o que nunca foi feito em Portugal.»
Também Luís Freire sublinhou o mérito do apuramento, que classificou como «inteiramente justa», recordando que a seleção portuguesa mantém o melhor ataque de toda a qualificação.
O desafio seguinte passa por concretizar essa ambição. Portugal tem marcado presença de forma consistente nas fases finais e já esteve perto de vencer o Europeu de sub-21, mas nunca ergueu o troféu. Após uma campanha de qualificação com goleadas, recordes e uma renovação geracional expressiva, esta geração deixa clara a intenção para 2027: dar uma tradução aos números e conquistar o título europeu de sub-21, algo que ainda falta ao futebol masculino de seleções português.
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