Boto recorda dúvidas sobre Bernardo Silva no Benfica devido à baixa estatura
José Boto, português que desempenha atualmente as funções de diretor desportivo do Flamengo, recordou o período em que coordenava o scouting do Benfica e as reservas que Bernardo Silva suscitava, sobretudo por causa da sua baixa estatura.
Numa entrevista ao jornal espanhol As, publicada na manhã desta quinta-feira, Boto descreveu Bernardo como um dos futebolistas mais inteligentes que viu ao longo da vida. Lembrou que, quando o médio estava no Benfica, havia muitas pessoas que não acreditavam nele por ser pequeno. Na altura, o presidente pediu-lhe que o observasse numa partida dos sub-19, disputada num relvado sintético.
«Fiquei impressionado nesse dia. Porque, no meio daquela confusão, ele era o único que sabia, não só controlar a bola, mas ler o jogo para a frente. Basta ver a carreira que ele tem tido. Mostra toda essa qualidade que já tinha. E, agora, quase no fim da carreira, chegar ao Real Madrid é também um passo muito importante para ele», afirmou o dirigente.
Bernardo Silva fez a formação no Benfica e saiu para o Mónaco no verão de 2014, depois de mais de uma década ligado aos encarnados. Pela equipa principal, somou apenas três participações em encontros oficiais, todas na temporada 2013/14. Para Boto, a carreira que o jogador construiu não constituiu uma surpresa.
«A mim não me surpreendeu, porque o vi naquele momento que falei. Penso que surpreendeu outros, aqui em Portugal, que não confiavam nele», salientou.
Na mesma entrevista, o diretor desportivo falou das diferenças entre Leonardo Jardim, seu compatriota e atual treinador do Flamengo, e Filipe Luís, que antecedeu o português no comando do clube brasileiro. Filipe Luís orienta agora o Mónaco, equipa pela qual Jardim conquistou o título de campeão em 2016/17, com Bernardo Silva no plantel.
«É uma diferença que já abordei várias vezes. O Filipe é um treinador mais de autor, pensa num futebol em que abre pouco a mão das suas ideias. Um futebol completamente distinto do futebol do Simeone, por exemplo. Um futebol muito ofensivo, de muita posse de bola, que muitas vezes lhe custa adaptar aos jogadores. O Jardim é mais camaleónico, adapta-se mais aos jogadores. O que obriga os jogadores a adaptarem-se ao seu jogo. É a grande diferença. Ambos são grandes treinadores. O Jardim já está numa fase da carreira em que já passou por diversos clubes. Foi campeão no Mónaco, onde está agora o Filipe. E o Filipe está numa fase de ascensão. São dois grandes treinadores. Um mais adaptável e o outro mais fiel às suas ideias de futebol», explicou.
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