Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus: egos demasiado grandes para o mesmo espelho
É praticamente certo que nunca conheceremos todos os pormenores do que se passou entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. Haverá sempre alguma ponta por esclarecer. O que hoje parece verdade pode amanhã revelar-se mentira. E o contrário também.
Estão em confronto dois egos sem medida. O maior futebolista da história portuguesa perante aquele que, muito provavelmente, se considera o melhor treinador português de sempre.
Nem uma sala com espelhos sem fim chegaria para acomodar uma relação tão difícil entre duas personalidades de génio e de feitio complicado. Incapazes, por natureza, de se misturarem.
Tenha ou não havido uma promessa de utilização durante 30 minutos frente à Noruega, exista ou não um pedido público de desculpa, a razão termina do lado de quem tem a responsabilidade de escolher o melhor caminho.
Ao deixar Ronaldo de fora, Jesus pôs o coletivo à frente do individual. É tão simples quanto isso. Tomou a decisão que se impunha (há anos). A gratidão, só por si, não pode tornar ninguém intocável.
Já CR7 comportou-se como uma criança habituada a ter tudo à sua vontade. Fez birra. Deixou a seleção e os companheiros. Uma atitude incompatível com o papel de líder, e muito menos com o de capitão.
É lamentável — e um enorme desperdício — que um ídolo incontestável, mesmo aos 41 anos, não aceite poder continuar a ser importante sem alimentar a dependência de ocupar sempre o lugar de protagonista.
Ninguém conseguirá apagar o percurso extraordinário de Cristiano Ronaldo. A sua dimensão é gigantesca. Colossal. Mas a glória de ontem nunca pode justificar, por si mesma, as decisões de hoje. O tempo não poupa ninguém. E a vida continua.
Queres saber isto antes de todos? Entra no grupo gratuito do Corvo Bets.
Entrar no grupo