Imprensa espanhola contrasta saída de Ronaldo com elogios a Messi

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Imprensa espanhola contrasta saída de Ronaldo com elogios a Messi

A saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção teve eco em Espanha e deu origem a uma nova comparação com Lionel Messi. A imprensa espanhola voltou à rivalidade entre os dois grandes protagonistas do futebol da sua geração, descrevendo percursos muito distintos: Messi surge como uma figura tranquila e acarinhada, enquanto Ronaldo é retratado pelos cronistas como alguém que sai de Portugal pela «porta das traseiras», num episódio que interpretam como um reflexo da sua personalidade.

Na Marca, Jaime Rincón descreve a partida como uma saída «pela porta das traseiras» e uma atitude «ao mais puro estilo Cristiano». Já Ramon Besa, no El País, compara o momento do português com a ligação de Messi à Argentina: «A vida flui em torno de Messi, enquanto Cristiano tem dificuldade em afirmar-se». São duas leituras especialmente críticas da saída de Ronaldo do estágio e das diferentes formas de os dois jogadores se aproximarem do fim das respetivas carreiras internacionais.

Rincón recorre à imagem da água e do azeite para distinguir os dois futebolistas, que considera extraordinários, mas profundamente diferentes. Na sua análise, Messi conduzia a carreira discretamente, falando pouco e mostrando-se retraído diante dos microfones. Ronaldo, por oposição, sorria perante as câmaras, procurava os holofotes e anunciava publicamente as suas qualidades. Ambos mandavam no futebol, sublinha, embora com estilos bem distintos.

O cronista da Marca interpreta agora a saída do português como uma porta fechada com estrondo, num gesto que compara a uma reação de irritação adolescente. Em contraste, assinala que, a milhares de quilómetros, a Argentina organiza uma cerimónia de despedida para a sua principal figura, preparada e calculada ao pormenor. Rincón entende que Cristiano ainda pode alterar o rumo e defende que tanto o jogador como Portugal merecem um desfecho diferente. Considera, porém, que o orgulho dificulta a reconciliação, uma disponibilidade que não identifica no percurso do avançado nem neste episódio. Na sua leitura, trata-se de um adeus surpreendente e triste, mas coerente com a personalidade de Ronaldo.

Besa, por sua vez, sustenta que a competitividade aproxima os dois jogadores, mas que as suas personalidades são opostas. Apresenta o número 10 argentino como alguém em harmonia com o mundo, rodeado de adeptos que procuram agradecer-lhe através da celebração de cada golo. O jornalista relaciona ainda o golo de domingo com o facto de continuar aberto o período de votação para a Bola de Ouro.

No texto do El País, Besa recorda as oito Bolas de Ouro de Messi, contra cinco de Cristiano, e coloca o argentino na disputa pelo nono troféu, na cerimónia do próximo dia 26, em Londres. Refere o apoio de Lamine e a excelente prestação no Mundial de 2026, descrevendo uma campanha de campeão até à final com a Espanha. Aponta esse desempenho como a melhor preparação para a despedida da Albiceleste, no dia 6, no Monumental. Em contraponto, escreve que Ronaldo enfrenta dificuldades para se afirmar e que já nem o deixam jogar por Portugal. A conclusão do cronista distingue um jogador que não desiste de outro que continua a jogar por se sentir admirado.

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