Jesus afasta polémica com Ronaldo e vinca autoridade: «Na equipa mando eu»

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Jesus afasta polémica com Ronaldo e vinca autoridade: «Na equipa mando eu»

Jorge Jesus, selecionador nacional, rejeitou a existência de qualquer problema com Cristiano Ronaldo. O treinador português explicou que tinha definido um plano com o avançado, à semelhança do que fez com Bruno Fernandes, mas salientou que as decisões sobre a equipa lhe pertencem e dependem das circunstâncias de cada jogo.

Na abordagem ao encontro em Copenhaga, Jesus colocou em primeiro plano o propósito da deslocação e o respeito pela Dinamarca. Sublinhou que Portugal vai enfrentar um grande adversário, mantendo a ambição de vencer a Liga das Nações. Lembrou ainda que tem 23 jogadores, e não apenas um, mostrando-se disponível para perguntas sobre qualquer elemento do grupo.

Ainda assim, estabeleceu um limite para as questões relativas ao capitão. Considerou que uma pergunta sobre Ronaldo seria pouco e três seriam demais, pelo que aceitaria apenas duas. Justificou essa posição com o facto de o avançado não ser o assunto central da conferência, mas sim a Dinamarca e a sua condição de selecionador nacional.

Sobre o entendimento com Ronaldo, confirmou que lhe tinha dito que não jogaria nos encontros na Noruega e na Dinamarca. Explicou que a decisão assentava no conhecimento adquirido durante o ano em que trabalhou com o jogador, e não numa relação iniciada apenas há três meses na Seleção. Segundo Jesus, esse período permitiu-lhe conhecer bem a condição física do avançado.

O técnico recordou que, na Arábia Saudita, Ronaldo raramente jogava quando havia partidas de três em três dias. Acrescentou que o jogador nunca treina no primeiro nem no segundo dia depois de um encontro, enquadrando nesse contexto o plano acordado entre ambos.

Jesus lembrou também que, na primeira conferência de imprensa em Portugal, Ronaldo já tinha manifestado disponibilidade para aceitar o que o treinador decidisse, fosse jogar ou ficar no banco. Garantiu que o avançado nunca recusou nada, mas frisou que não aborda uma partida com substituições previamente fixadas, dando como exemplo uma eventual saída de Carlos Daniel aos 60 minutos.

Na sua explicação, são os acontecimentos em campo que determinam as opções. Apesar de ter combinado com Ronaldo que não participaria nos dois jogos, admitia poder precisar dele nos minutos finais. Contudo, a evolução do encontro levou-o a decidir de outra forma e o avançado acabou por não entrar.

O selecionador voltou a afastar qualquer conflito, lembrando novamente o ano de trabalho com o capitão. Reconheceu que já teve problemas com muitos jogadores, mas insistiu que não é esse o caso com Ronaldo. Tratou-se, afirmou, de uma escolha do treinador enquadrada num plano, tal como sucedeu com Bruno Fernandes.

Jesus distinguiu ainda o estatuto dos futebolistas das regras aplicáveis ao grupo. Explicou que o percurso de cada jogador pode justificar algum cuidado nas decisões tomadas antes dos encontros, mas que, depois de a bola começar a rolar, cabe ao treinador escolher o que considera melhor para a equipa.

A propósito de Bruno Fernandes, contou que o médio apresentou queixas depois do jogo com Gales e que já vinha tocado do United, situação que desconhecia. Por já ter trabalhado com ele, estranhou o rendimento apresentado e, no dia seguinte, disse-lhe que não tinha visto o Bruno que conhecia, capaz de jogar mais do que tinha mostrado.

Depois de o médio lhe explicar o que se passava, Jesus comunicou-lhe que ficaria fora do encontro seguinte e que jogaria na Dinamarca caso recuperasse. Sublinhou que adotou exatamente o mesmo procedimento com Ronaldo e adiantou que, se nada acontecesse no treino desse dia, Bruno seria utilizado diante dos dinamarqueses.

Para o treinador, o estatuto não confere direito a tratamento diferenciado: representa respeito pela carreira dos jogadores, algo que procura ter com todos. Reafirmou que pode existir um plano discutido com o futebolista, mas a decisão final é sua. Acrescentou que todos os que trabalharam consigo, incluindo presidentes, conhecem essa forma de atuar: «Num clube manda o presidente. Na equipa mando eu.»

Jesus negou igualmente que Ronaldo se tivesse recusado a treinar. Esclareceu que Francisco Conceição não treinou por estar lesionado, enquanto Félix ficou de fora numa tentativa de aliviar a fadiga apresentada depois destes jogos, ficando a situação para ser avaliada no dia seguinte.

Quanto a Ronaldo, explicou que realizou trabalho de ginásio, fez mobilização no relvado e seguiu depois para o hotel, onde cumpriu exercícios de reforço. Garantiu que o capitão treinaria nesse dia, por ser o quarto dia, e reiterou que não houve qualquer recusa.

O selecionador considerou impossível esse cenário, questionando se faria sentido um jogador de nível de seleção, portuguesa ou outra, recusar-se a treinar. Admitiu apenas essa hipótese se alguém quisesse sair e tivesse outras ideias, insistindo que ninguém se recusa a trabalhar.

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