Kouyaté despede-se do futebol aos 36 anos e revela problema cardíaco de nascença

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Kouyaté despede-se do futebol aos 36 anos e revela problema cardíaco de nascença

Cheikhou Kouyaté, que passou por West Ham, Crystal Palace e Nottingham Forest, anunciou a retirada dos relvados aos 36 anos. O antigo médio revelou ainda que nasceu com um problema cardíaco, uma condição que escondeu durante boa parte da carreira profissional.

O ponto final no percurso como jogador foi decidido depois de realizar exames médicos no Anderlecht. Kouyaté, que representou os belgas entre 2009 e 2014, queria voltar ao clube nesta época para continuar a jogar e começar, ao mesmo tempo, a formação de treinador. Os resultados dos exames levaram, porém, o departamento médico a recomendar-lhe que deixasse o futebol.

«O Anderlecht ligou-me no verão para jogar lá e também para começar a formação como treinador, mas o médico pediu-me para parar de jogar futebol. Sofria deste problema desde que nasci e joguei com ele durante muitos anos», revelou em declarações à Walf TV.

O senegalês explicou que a condição já tinha sido identificada durante os anos em que atuou em Inglaterra: «Em Inglaterra, era monitorizado de seis em seis meses. Fiz exames médicos no West Ham, no Crystal Palace e no Nottingham Forest. Sempre que fazia os testes, o problema reaparecia».

Apesar dos alertas dos médicos, Kouyaté decidiu continuar a competir, assumindo os riscos dessa escolha. «Os médicos apontavam-me sempre o problema, mas eu próprio assumi a responsabilidade. Assinei os papéis do seguro que declaravam que qualquer coisa que me acontecesse seria da minha responsabilidade», contou.

Ao longo do tempo, o médio passou a conhecer melhor a doença e a identificar as circunstâncias em que os sintomas surgiam com maior intensidade. Admitiu também ter ocultado os primeiros sinais por receio de ser obrigado a terminar a carreira antecipadamente.

«O maior problema é jogar em altitudes elevadas. Mas também dói terrivelmente ao calor, durante e após os jogos. Parece uma dor de burro, durante cerca de cinco minutos, e depois passa. Quando acontece, a seguir ao jogo, também fico com cãibras dolorosas que passam ao fim de 24 horas», revelou.

A família e os médicos da seleção desconheciam a situação, segundo o próprio jogador. «Nunca disse nada porque não queria ser forçado a parar mais cedo. Nunca contei à minha família, nem sequer aos médicos da seleção nacional. Eles não sabiam do meu problema», acrescentou.

Na última temporada, Kouyaté disputou nove jogos pelo Amedspor, da Turquia, antes de sair do clube em janeiro. Sem competir desde essa altura, o internacional senegalês comunicou agora, em outubro, o fim da carreira. Pela seleção do Senegal, realizou 92 encontros e venceu o Campeonato Africano das Nações (CAN) em 2022.

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