Marco Silva aponta aos títulos no Benfica e pede melhores condições no futebol português
Marco Silva analisou a identidade de jogo do Benfica e o rendimento ofensivo da equipa, que alcançou uma marca goleadora histórica nos primeiros 17 encontros. O técnico afastou comparações diretas com os rivais e voltou a reclamar melhores condições para o futebol português.
Na perspetiva do treinador, cada clube e cada técnico têm uma maneira própria de interpretar o jogo, embora nem sempre consigam colocar em prática aquilo que idealizam. Do outro lado, lembrou, estão adversários com qualidade, que procuram contrariar essas intenções. Marco Silva salientou que existem diferentes caminhos para vencer e que cabe aos clubes e às respetivas equipas técnicas escolher aquele que pretendem seguir. Sem querer alimentar essa discussão, observou que a classificação não confirma aquilo que muita gente afirma. Quanto ao Benfica, vincou que a equipa tem um percurso definido e quer manter-se fiel a ele para ganhar jogos. Mais do que ser a equipa que faz tudo de forma mais bonita ou que melhor festeja, a prioridade passa por crescer coletivamente, somar vitórias e conquistar títulos. É essa, sublinhou, a sua visão do futebol e o objetivo que orienta o trabalho no clube.
Sobre a produção ofensiva, Marco Silva considerou o registo um indicador positivo, mas recordou que, para além de marcar, também valoriza muito não sofrer golos. Explicou que essa preocupação foi sendo reforçada ao longo da carreira e que procura transmiti-la aos jogadores. No seu entender, atacar bem exige capacidade para defender bem, tal como a solidez de uma equipa depende de conseguir impedir os adversários de marcar. Para ilustrar essa exigência, lembrou que ficou muito satisfeito com o resultado obtido fora diante do Omonia, mas furioso com o golo sofrido nesse encontro. O treinador insistiu na necessidade de encontrar equilíbrio em todas as dimensões do jogo. Apesar da quantidade de golos já alcançada, acredita que o Benfica pode criar ainda mais oportunidades. Reconheceu também que, em algumas partidas, a eficácia ficou aquém do que poderia ter sido, o que penalizou um pouco a equipa. Com melhor aproveitamento, acrescentou, o total de golos poderia ser superior, embora se mostre muito satisfeito.
O técnico destacou ainda o significado histórico dos números alcançados. Num clube da dimensão do Benfica, habitualmente dominador e com forte capacidade ofensiva, ter de recuar tantos anos para encontrar um registo semelhante ajuda, na sua opinião, a perceber a importância da marca. Recordou, a esse propósito, a elevada qualidade individual dos jogadores de ataque que passaram pelo clube. Para Marco Silva, estes dados indicam que o trabalho está a ser bem desenvolvido e que a equipa está a formar uma identidade reconhecível, sem grandes alterações entre partidas. Desde a chegada, explicou, pretende que quem assiste aos encontros reconheça o Benfica na forma como joga, mesmo quando nem tudo sai bem e a equipa está longe da perfeição. Foi, aliás, o primeiro a reconhecer que ainda existe um percurso muito longo em todos os aspetos do Benfica que ambiciona construir. Ainda assim, mostrou satisfação com a disponibilidade dos jogadores, a forma como encaram o trabalho, a vontade constante de melhorar e o contributo que têm dado para a evolução coletiva. Sublinhou que há sempre margem para progredir, até nas equipas habitualmente vistas como perfeitas. No caso do Benfica, que ainda tem muito caminho pela frente, considera importante que os jogadores reconheçam tanto o que falta melhorar como os sinais de que seguem na direção certa.
Marco Silva abordou também as condições do futebol português, esclarecendo que não pretende insistir nas críticas. Afirmou sentir orgulho em ser português e gostar de estar no lugar que ocupa, lembrando que regressou por vontade própria, porque desejava muito voltar e estar ali, e não por qualquer obrigação. Disse ainda não querer comentar de forma sistemática o que é ou não bem vendido. Sobre as intervenções anteriores, recordou que tinha falado sobretudo dos relvados e que já levantara o assunto quando a equipa se deslocou à Madeira, pelo que a preocupação não se limitava a um encontro específico. Lamentou que o Benfica já tenha disputado alguns jogos em campos sem condições e salientou que essa avaliação não é exclusiva da sua equipa. Referiu acreditar que um relvado já teve de ser substituído a meio da época por não reunir condições, acrescentando que existem outros onde também é possível melhorar. O objetivo, explicou, é permitir que os adeptos que vão aos estádios assistam a bons jogos. Sublinhou que todos os futebolistas, seja qual for o clube que representam, gostam de atuar em bons relvados para poderem expressar o seu futebol, tal como quem acompanha os encontros pela televisão aprecia bons espetáculos. Considerou que essas condições favorecem os jogadores de qualidade e os treinadores competentes, destacando que Portugal tem muitos técnicos que demonstram a sua capacidade pelo mundo. Defendeu, por isso, que dar aos jogadores meios para praticarem o melhor futebol possível será sempre benéfico. Por se tratar do seu país e do futebol, quer falar de forma positiva e proteger tanto quanto puder, concluindo que a qualidade existente explica por que razão Portugal vende tão bem.
Queres saber isto antes de todos? Entra no grupo gratuito do Corvo Bets.
Entrar no grupo