Marco Silva destaca importância do golo de Sudakov para o jogador e para o Benfica
Marco Silva, treinador do Benfica, analisou em conferência de imprensa a vitória sobre o Vitória de Guimarães, por 2-0, no Estádio da Luz, num encontro da 8.ª jornada da Liga. O técnico considerou o resultado inteiramente justo e salientou a importância do golo de Sudakov, tanto para o jogador como para a equipa.
Na avaliação do treinador, o Benfica foi quem mais procurou vencer e criou oportunidades para o conseguir, cumprindo a obrigação que tinha no regresso à Luz, depois de tanto tempo sem jogar em casa. Começou também por agradecer aos mais de sessenta mil adeptos presentes, destacando o apoio permanente dado à equipa ao longo do encontro.
Marco Silva elogiou sobretudo a entrada dos encarnados, considerando que os primeiros trinta minutos tiveram muita qualidade. Sublinhou a dinâmica apresentada e as várias boas ocasiões construídas, suficientes, no seu entender, para praticamente resolver a partida nesse período. Entre essas oportunidades, recordou situações flagrantes, incluindo algumas em que os jogadores ficaram apenas com o guarda-redes pela frente, graças à capacidade da equipa para as criar.
O técnico explicou que esperava um Vitória com uma linha de cinco ou com um médio a recuar, cenário que acabou por encontrar. Referiu ainda a marcação individual a Prestianni, acompanhado praticamente por todo o campo. Apesar disso, destacou que o Benfica conseguiu desenvolver boas dinâmicas pelos dois corredores durante a primeira meia-hora. Pavlidis foi encontrado várias vezes para fazer chegar a bola a João Palhinha e, a partir desse ponto, permitir a ligação do jogo.
Além das ocasiões criadas, Marco Silva salientou que a equipa quase não deixou o adversário aproximar-se da sua baliza. Lembrou um desvio do ponta-de-lança ao primeiro poste, mas sem que a bola seguisse enquadrada. Nos quinze minutos finais da primeira parte, reconheceu uma perda de controlo, sobretudo pela menor capacidade de colocar a bola no último terço ofensivo.
O treinador esclareceu que não se referia a uma perda do controlo global da partida, mas à dificuldade em manter a posse no meio-campo adversário. Apontou decisões menos acertadas e uma menor capacidade para criar perigo. Na sua perspetiva, um ou dois golos nessa fase teriam retirado confiança ao Vitória. Como isso não aconteceu, a vantagem mínima manteve a esperança do adversário.
Sobre o segundo tempo, admitiu que o Benfica perdeu muitas bolas sem motivo, apesar de o Vitória não ter mudado a forma de pressionar. Procurou então mexer na equipa com as entradas de Aursnes e Echeverri, destinadas a acrescentar qualidade com bola e a garantir um maior equilíbrio posicional. Ressalvou que Barreiro também oferece qualidade nesse capítulo, mas explicou que pretendia uma equipa um pouco mais posicionada.
As substituições tiveram, segundo Marco Silva, um efeito positivo, embora o desconforto de Bah tenha obrigado a nova alteração. Destacou depois a contribuição de Sudakov, autor de um golo que considerou muito importante para o próprio e para o coletivo. Reconheceu que a segunda parte ficou abaixo do nível pretendido e exigido, mas observou que o Vitória dispôs de uma oportunidade num cruzamento e, de resto, não teve qualquer remate enquadrado. Valorizou a vitória na Luz e, ainda mais, o facto de não sofrer golos, sem deixar de defender que a equipa pode e deve melhorar.
Questionado sobre a necessidade de convencer, o treinador lembrou a volatilidade do futebol, em que num dia precisa de convencer uns e, na quinta-feira, de defender outros. Embora reconheça a importância desse contexto, disse não se concentrar demasiado nele. Explicou que uma das suas primeiras metas ao chegar foi permitir que os adeptos conhecessem a equipa e se identificassem com ela.
Nesse sentido, considerou que o Benfica tem mostrado determinação, atitude, boas exibições e vitórias, construindo uma identidade clara. Acrescentou que o seu trabalho implica convencer primeiro os jogadores e depois os adeptos, através do que é apresentado em campo. Garantiu continuar a dar o melhor, convicto de que esse caminho deixará os benfiquistas satisfeitos.
Quanto às suas reações no banco, assumiu que protesta quando entende que existem faltas sobre jogadores do Benfica, e não sobre futebolistas do Vitória. Afirmou que, felizmente, não houve polémicas no encontro, embora tenha identificado dois ou três lances de falta que, na sua opinião, justificavam cartão amarelo. Disse não se recordar de ter protestado mais ou menos.
O técnico voltou a reconhecer que vive o jogo no banco com os jogadores e que procura controlar-se, embora nem sempre consiga. Rejeitou adotar uma postura que não corresponde à sua maneira de ser e admitiu que, por vezes, é mais insistente do que deveria. Explicou ainda que situações que lhe desagradam podem influenciar as suas reações.
Por fim, assegurou que está tudo bem com Prestianni, a quem atribuiu mais uma grande exibição. A conversa entre ambos no final foi, explicou, normal e de natureza mais tática, centrada nos últimos quinze a vinte minutos da equipa. Acrescentou que também falou com Durán e, depois, com Sudakov. Aproveita esse momento, em que os jogadores quase dão uma volta olímpica, para transmitir mensagens, referindo que Prestianni gosta de ficar até ao fim e conversar consigo.
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