Marco Silva sem pressa para decidir sobre Echeverri e atento à gestão do ataque
A eventual contratação de Claudio Echeverri em definitivo pelo Benfica esteve entre os assuntos analisados por Marco Silva na antevisão à deslocação ao Santa Clara. O técnico revelou as razões que o levaram a solicitar a chegada do argentino na reta final do mercado e sublinhou que a decisão sobre o seu futuro não exige pressa.
Na perspetiva do treinador, há margem para continuar a observar e a integrar Echeverri, sem que isso represente qualquer dúvida sobre a sua qualidade. Marco Silva salientou que o talento demonstrado pelo jogador explica a discussão em torno do seu futuro e esteve na origem da aposta feita perto do fecho do mercado. Por considerar que faltava ao plantel mais uma solução com aquelas características para a posição, pediu à direção que procurasse o jogador adequado. O argentino já estava referenciado pelo Benfica e era também bem conhecido do técnico, apesar da curta passagem por Inglaterra.
Depois da decisão de o trazer, haverá agora outra escolha a fazer, mas Marco Silva insistiu que não é preciso apressar o processo. Echeverri conhece a satisfação do clube com o seu trabalho, enquanto a equipa técnica tem consciência do talento que tem à disposição para desenvolver. Ainda assim, o treinador deixou claro que o argentino precisa de continuar a trabalhar muito. Explicou que as decisões não são habitualmente tomadas com base num ou dois meses, nem em apenas dois ou três encontros, e mostrou-se seguro de que o jogador ainda vai mudar bastante, melhorar e prosseguir a sua evolução.
O técnico garantiu que a situação será avaliada dentro dos prazos estabelecidos, sem precipitações, até porque esse não é o foco atual. Há muito trabalho por realizar e jogadores a quem é necessário transmitir o caminho pretendido. Quando chegar a altura adequada, assegurou, serão tomadas as decisões consideradas mais favoráveis ao Benfica.
Marco Silva abordou também o momento de Rafa, recordando o início de temporada muito forte do jogador, tanto nos números como na qualidade apresentada. Reconheceu que uma quebra nos registos dos últimos encontros gera comentários quando está em causa um futebolista com a sua posição e capacidade, mas considerou que Rafa está inteiramente preparado para lidar com isso. À equipa técnica cabe continuar a trabalhar com ele e a transmitir-lhe a confiança que sabe ter, de modo a potenciar o seu futebol.
Para o treinador, importa que outros jogadores surjam quando alguns não conseguem manter um nível tão elevado na concretização. A intenção não é concentrar a produção ofensiva numa única posição, num corredor ou numa determinada zona do terreno. O objetivo passa por repartir os golos pelo conjunto, em vez de os deixar dependentes de um ou dois elementos, aplicando-se o mesmo princípio às assistências.
Sobre a entrega de Rafa, Marco Silva defendeu que o jogador continua a dar tudo em cada partida. Referindo-se ao último encontro, assinalou que, mesmo numa primeira parte em que a equipa teve alguns momentos de menor qualidade, o avançado procurou sempre contribuir e oferecer o melhor de si. O técnico reconheceu que jogadores como Rafa, Schjelderup, Prestianni, Lukebakio, Claudio ou Sudakov são avaliados sobretudo pelo que conseguem produzir no ataque. Porém, quando a equipa não está numa noite particularmente conseguida, as restantes componentes do jogo também têm de aparecer.
Nesse sentido, valorizou o esforço de Rafa no último compromisso e reafirmou a confiança no regresso do jogador ao seu melhor rendimento individual e aos números que lhe permitem entregar à equipa aquilo que já demonstrou. Voltou, por isso, a destacar a qualidade do arranque de temporada do futebolista.
A utilização de Schjelderup foi outro dos temas abordados. Marco Silva lembrou que, depois da paragem, o Benfica disputou três partidas e o jogador participou em duas: frente ao V. Guimarães e no encontro mais recente, ficando de fora diante do Celtic. Foram praticamente três jogos em dez dias. Embora reconhecendo que a questão colocada abrangia um período mais longo, o treinador acrescentou que Prestianni também não participou num desses compromissos. Assim, desde a última paragem, ambos somaram o mesmo número de titularidades.
Quanto ao período anterior e à influência de Schjelderup, o técnico apontou o rendimento de Prestianni no lado esquerdo como um fator determinante. Apesar de não gostar de destacar individualmente os jogadores, classificou o começo de época do jovem como extraordinário. Explicou que a aposta frequente nessa faixa se deve ao facto de ser ali que, na sua opinião, o jogador mais produz. É uma posição em que se revela muito forte, agressivo na abordagem ao jogo e capaz de oferecer várias soluções positivas à equipa.
Marco Silva lembrou que Prestianni praticamente não tinha atuado à esquerda pelo Benfica na temporada passada, admitindo que talvez o tivesse feito numa fase inicial, há dois ou três anos. Sublinhou ainda que se trata de um jovem de 20 anos. Algumas circunstâncias da pré-época levaram a equipa técnica a querer observá-lo também nessa posição, onde começou a apresentar um rendimento muito elevado.
O treinador deixou igualmente elogios a Schjelderup, que considera um grande talento do clube e um jogador de quem gosta bastante. Reconheceu a forte concorrência entre os dois e assumiu a vontade de os incluir simultaneamente no onze. A intenção é encontrar uma forma de os conciliar ao mais alto nível e retirar o máximo de ambos, embora entenda que a melhor posição dos dois é à esquerda. Por isso, a análise de cada adversário assume importância na escolha da solução.
Como exemplo positivo, recordou o encontro com o V. Guimarães, no qual ambos estiveram em bom plano, sobretudo na primeira parte. Prestianni surgiu em zonas mais interiores e Schjelderup mais aberto. As permutas no ataque, com o apoio de Dahl, proporcionaram, na avaliação do técnico, meia hora de grande qualidade naquele lado esquerdo. Noutros encontros, contudo, a combinação não teve o mesmo resultado.
Marco Silva explicou que lhe compete estudar cada oponente e perceber de que maneira pode utilizar os dois jogadores. Quando ocupam espaços mais interiores, a equipa também perde algumas características sem bola, já que a mobilidade de ambos pode levá-los, em determinados momentos, a afastarem-se dos posicionamentos considerados importantes. O propósito continua a ser compatibilizá-los da melhor maneira, tendo sempre como prioridade o interesse coletivo.
Nessas escolhas, o treinador lembrou que também tem de contar com Rafa, Lukebakio, Sudakov, Claudio e os restantes elementos do plantel. Cabe-lhe selecionar quem melhor executa as ideias pretendidas. Ainda assim, reforçou que Schjelderup e Prestianni interpretam o jogo de uma forma que lhe agrada bastante, ficando por perceber em quantas ocasiões conseguirá juntá-los no onze do Benfica e obter o melhor rendimento de ambos.
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