Olhanense: Ivo Soares orgulhoso do passado e da pressão positiva dos adeptos
O domingo foi de celebração em Olhão, sobretudo entre todos os que integram o grupo de trabalho do histórico Olhanense.
O treinador Ivo Soares descreve as emoções de uma eliminatória resolvida de forma dramática. A equipa algarvia afastou o Oliveira do Hospital no desempate por grandes penalidades, com o guarda-redes João Félix a converter o penálti decisivo. Nas duas oportunidades anteriores para assegurar o apuramento, o técnico não quis olhar. Porém, a confiança no seu jogador levou-o a acompanhar de frente o momento que decidiu o encontro.
Único representante dos campeonatos distritais ainda em competição na Taça de Portugal, o Olhanense espera agora pelo próximo adversário. Entre a satisfação pelo resultado e as perspetivas para o clube, Ivo Soares explica como vive esta caminhada.
Como descreve as emoções da vitória de domingo sobre o Oliveira do Hospital, diante dos adeptos do Olhanense?
O treinador considera que foi uma partida particularmente emocionante, preparada da melhor maneira possível apesar da pouca informação disponível sobre o adversário. Ainda assim, a equipa técnica conseguiu observar dois jogos do Oliveira do Hospital. A partir da forma de jogar do oponente, procurou transmitir aos jogadores que o apuramento era possível e que tinham argumentos para discutir a eliminatória de igual para igual. Acredita que conseguiu passar essa mensagem. Para Ivo Soares, foram muitas emoções para o histórico clube, e os futebolistas merecem os parabéns pela confiança e pelo trabalho demonstrados. Sublinha que não entraram em campo de forma despreocupada: sabiam o que tinham de fazer e executaram integralmente a estratégia definida para esta eliminatória da Taça de Portugal.
A decisão acabou por passar pelos guarda-redes no desempate por penáltis. Costuma assistir às cobranças ou prefere esperar pela reação das bancadas?
Ivo Soares recorda que o Olhanense dispôs de duas oportunidades para carimbar a passagem à fase seguinte antes do momento protagonizado pelos guarda-redes. Admite que não olhou nessas duas ocasiões. Já quando João Félix se preparou para cobrar, decidiu assistir, convencido de que o guarda-redes poderia resolver a eliminatória. Durante a semana, o jogador também tinha treinado grandes penalidades e tinha correspondido bem. O técnico sentiu-o muito confiante, uma característica que considera importante nestas situações. Desta vez, o desfecho foi favorável.
Que significado tem, para si e para o grupo, serem o único clube dos distritais entre os apurados para a próxima ronda?
O sentimento dominante é de enorme orgulho, sobretudo pela oportunidade de colocar o histórico Olhanense a competir com os grandes. É dessa forma que o grupo encara o percurso. Mesmo a disputar o campeonato distrital, a equipa está entre as 32 que continuam na prova, permitindo ao clube voltar a esses patamares. Ivo Soares lembra que, há alguns anos, o Olhanense disputava as principais divisões nacionais e marcava presença regularmente nas terceiras, quartas e quintas eliminatórias. Reviver esse passado é motivo de satisfação, reforçada pela alegria que sente nas pessoas de Olhão e pela ligação que a cidade demonstra ao clube.
Entre a carreira de jogador e a de treinador, apenas esteve fora do Algarve quando representou o Sp. Espinho, em 1993/94. Essa ligação à região resultou do acaso ou de uma escolha?
O técnico explica que houve uma combinação de coincidência e decisões pessoais. Quando decidiu estudar, precisou de se fixar num local, uma vez que é engenheiro civil. Continuou a jogar futebol, mas tinha de permanecer perto da zona onde estudava. Foi, por isso, escolhendo ficar no Algarve, região onde se sente bem e é feliz. Acrescenta que representar o clube da sua terra constitui um privilégio.
Depois de ter sido jogador do Olhanense, cumpre a segunda passagem como treinador. O que representa essa ligação a um histórico português?
Ivo Soares manifesta um grande orgulho por integrar a história do clube. Contando com o percurso iniciado nos escalões de formação, esta é a sua quinta passagem pelo Olhanense, ao serviço da sua terra e das suas gentes. Espera poder contribuir para o reavivar do emblema algarvio. O treinador deixa também um agradecimento ao investidor Hugo Cajuda, que considera fundamental pelo apoio dado em tudo o que é necessário para preparar a época. Na sua perspetiva, sem esse contributo, o trabalho seria difícil.
O que mudou desde a sua estreia no Olhanense até ao momento atual, tanto na mentalidade do grupo como na estrutura?
Embora o clube esteja agora numa divisão inferior, o treinador encontra uma mentalidade diferente e mais atualizada, em especial na direção, presidida por Manuel Cajuda. Destaca o vasto conhecimento de futebol e a experiência do presidente, alguém que já passou pelas situações que o grupo atravessa e vive atualmente. Descreve-o como uma pessoa sóbria, capaz de transmitir paz e tranquilidade para que todos possam trabalhar com empenho. Essa liderança representa, desde logo, uma diferença importante: o projeto tem à frente alguém com muitos anos de futebol. Ivo Soares valoriza essa experiência para serenar o grupo nas fases mais complicadas e, nos momentos de maior entusiasmo, manter todos com os pés no chão, sem perder de vista os objetivos.
Um possível regresso ao principal escalão faz parte dos planos, mesmo que numa perspetiva de longo prazo?
O treinador esclarece que as atenções estão exclusivamente no presente e naquilo que a equipa pode controlar. Entende que não faria sentido adotar outra abordagem. Para esta temporada, a meta passa por encarar cada jogo individualmente e somar o maior número possível de pontos. É nesse caminho que mantém o foco.
Treinar um clube com a história do Olhanense traz uma responsabilidade acrescida perante os adeptos?
Ivo Soares reconhece que o grupo sente a pressão vinda dos adeptos, mas classifica-a como positiva. Considera estimulante entrar em campo todas as semanas com o propósito de vencer e de ser superior ao adversário. Trata-se de uma exigência que a equipa aceita e que até aprecia. Com essa pressão e com o apoio dos seus seguidores, o técnico acredita que o grupo estará preparado, até ao final da época, para corresponder à história e às ambições do clube.
Há algum adversário que gostaria de encontrar na próxima eliminatória da Taça de Portugal?
O desejo do treinador é que o sorteio leve a Olhão uma equipa grande do futebol português, caso isso seja possível. Gostaria de proporcionar aos adeptos a oportunidade de recordar outros tempos e de olhar para o presente como uma possibilidade de futuro. Reconhece que, a partir desta fase, as hipóteses do Olhanense são reduzidas, mas mantém a vontade de receber um adversário dessa dimensão.
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