Portugal resiste à Noruega e vence por 2-1 em Oslo
Portugal teve de superar muitas dificuldades para derrotar a Noruega. A equipa orientada por Jorge Jesus esteve perto de ficar presa aos obstáculos escandinavos, mas conseguiu ultrapassá-los e assegurar mais três pontos para levar para casa, depois de uma breve passagem pela Dinamarca, naturalmente.
Num terreno complicado, onde ninguém conseguia vencer há quase três anos, a Seleção revelou eficácia ofensiva e entreajuda na defesa. A intensidade dos noruegueses, para a qual Jesus alertara na véspera, obrigou Portugal a manter-se atento até ao apito final. Tanto assim foi que Cristiano Ronaldo nem saiu do banco, apesar da multidão de adeptos com camisolas com o número sete.
Um belo remate de João Félix e um erro de Nyland, castigado de forma exemplar por Gonçalo Ramos, fizeram a diferença perante uma Noruega muito perigosa nas bolas paradas e com a ameaça permanente de Erling Haaland.
Antes da partida, Jorge Jesus garantira que não tinha «medo» dos noruegueses, independentemente do resultado. Prometera uma Seleção com intenção de atacar, sem se intimidar com a equipa sensação do Mundial 2026. Foi essa a abordagem escolhida.
O selecionador também deixara em aberto a titularidade de Ronaldo. O avançado de 41 anos ficou de fora do onze devido ao cansaço, explicou Jesus, que prometeu utilizar o jogador português ao longo dos quatro encontros.
Em comparação com a vitória frente ao País de Gales, houve quatro mudanças na equipa inicial: saíram Rúben Neves, Vitinha, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo, entrando Francisco Conceição, João Neves, João Palhinha e Gonçalo Ramos. Portugal passava a ter condições para pressionar em todo o terreno.
Com Palhinha e João Neves, o meio-campo português ganhou capacidade física para enfrentar um setor norueguês de qualidade, composto por Odegaard, Berg e Berge. O acerto das marcações não foi imediato, mas melhorou com o decorrer dos minutos.
O início foi equilibrado, embora um jogador sobressaísse pelo perigo que criava: Erling Haaland. O avançado exigia uma atenção especial de Rúben Dias. Ainda assim, foi Portugal a marcar, com eficácia máxima numa jogada que nem parecia representar uma grande oportunidade.
O talento de João Félix resolveu o lance. Nuno Mendes recuperou a bola com determinação no meio-campo, à semelhança do que fizera na quinta-feira anterior, e encontrou Pedro Neto. O extremo passou para Félix, que recebeu à entrada da área e rematou quase num só gesto. Com rapidez e elegância, o jogador do Al Nassr voltou a fazer o gosto ao pé.
Até ao intervalo, sucederam-se as ocasiões norueguesas. Nusa mostrava cada vez mais atrevimento e levava a melhor nos duelos com Cancelo, enquanto, no flanco contrário, os anfitriões aproveitavam o espaço entre Mendes e Veiga. Rúben Dias corrigia problemas e Diogo Costa alternava ações menos conseguidas com intervenções que compensavam esses momentos.
O segundo tempo confirmou os sinais deixados pelo primeiro. Portugal sofria repetidamente para defender as bolas paradas e foi dessa forma que surgiu a igualdade. Diogo Costa defendeu para a frente um livre direto de Odegaard, a bola chegou rapidamente a Haaland e o avançado rematou de primeira, uma das suas especialidades.
A vantagem portuguesa reapareceu quando pouco o fazia prever, mas teve uma explicação clara: a leitura de Gonçalo Ramos. O avançado antecipou o destino do passe de Nyland, intercetou-o e colocou a bola, com um toque picado preciso, na baliza desguarnecida. Estava feito o 2-1, em mais uma demonstração de utilidade do habitual suplente da Seleção.
Cinco minutos mais tarde, o ponta-de-lança do Milan festejou novamente. Numa situação semelhante, adiantou-se a Nyland, assumiu a dianteira do lance e rematou para a baliza vazia. O guarda-redes do Sevilha voltou a falhar, mas desta vez o VAR evitou consequências: Ramos encontrava-se ligeiramente adiantado em relação a Aursnes. A Noruega pôde respirar de alívio.
Na última meia-hora, a superioridade norueguesa foi evidente. Jorge Jesus procurou renovar a equipa através das substituições. Ronaldo acompanhava as decisões do treinador a partir da zona de aquecimento, mas acabou por não ser chamado. Entre os jogadores ofensivos, só João Félix cumpriu os 90 minutos.
O frio de Oslo não impediu novos sobressaltos portugueses perante a possibilidade do 2-2. A melhor oportunidade da Noruega esteve nos pés de um jogador do Benfica: Nusa desmarcou Schjelderup com precisão, deixando-o isolado diante de Diogo Costa. O atacante hesitou no remate com o pé esquerdo e deu ao guarda-redes tempo para fechar o caminho da baliza. A partir daí, Portugal protegeu-se como conseguiu.
O triunfo não primou pela beleza, nem foi incontestável. Se o desfecho dependesse das estatísticas, a Noruega teria sido claramente vencedora. Porém, a conta que Jorge Jesus pode exibir é outra: seis pontos conquistados em duas partidas no Grupo A4 da Liga das Nações.
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