Portugal vence na Dinamarca por 4-2 na melhor exibição com Jorge Jesus
Encerrada a primeira temporada de uma série que ameaça ter novos capítulos, a Seleção Nacional assinou, em Copenhaga, a sua melhor prestação sob o comando de Jorge Jesus. Em campo, onde verdadeiramente conta, ficou a demonstração de que as réplicas do terramoto não deixaram marcas negativas.
Quatro dias após o triunfo sofrido frente à Noruega, Portugal apresentou quatro mudanças no onze e também atravessou algumas dificuldades na Dinamarca. Ainda assim, foram bastante menores do que em Oslo e incomparavelmente inferiores às de março de 2025, quando, igualmente na Liga das Nações, a seleção dirigida por Roberto Martínez e liderada em campo por Cristiano Ronaldo viveu um apagão total.
Passado um ano e meio, os protagonistas são praticamente os mesmos — Jesus voltou a utilizar oito dos 11 —, mas a transformação parece profunda. A melhoria coletiva é clara e permite que o talento individual apareça com maior frequência.
Se houve triunfos anteriores em que a sorte ajudou, o desta quinta-feira teve outra explicação: Portugal foi superior.
Essa superioridade começou a notar-se logo no primeiro minuto. Não foi permanente, mas andou perto disso.
Antes de João Cancelo abrir o marcador, após uma combinação com Gonçalo Ramos, o avançado já tinha enviado a bola ao ferro. E, antes de Damsgaard, o melhor jogador dinamarquês, encontrar inspiração para empatar, Rafael Leão dispusera de uma oportunidade para aumentar a vantagem portuguesa.
Na mais conseguida exibição da «era Jorge Jesus», praticamente ninguém ficou abaixo do que podia oferecer. Surgiram debilidades defensivas próprias de uma equipa que passou a olhar mais para a baliza contrária do que para a sua. Ainda em adaptação a uma ideia mais ajustada à qualidade dos jogadores, Portugal começa, finalmente, a entender que vale a pena arriscar.
Bruno Fernandes aproximou-se da influência que tem no Manchester United, Rúben Dias revelou a liderança que exibe no Manchester City, João Cancelo beneficiou da liberdade que potencia o seu talento e Nuno Mendes esteve intransponível. Pedro Neto acrescentou entrega, Rafael Leão mostrou maior constância e houve um ponta de lança que, com um golo e uma assistência, voltou a reivindicar um lugar que o mérito desportivo talvez já lhe devesse ter garantido há muito.
Na 46.ª internacionalização, Vitinha marcou pela primeira vez por Portugal e, aos 67 minutos, encaminhou a equipa para uma noite de felicidade. O médio do PSG teve a alegria de conseguir o primeiro golo de cabeça da carreira, mas nada houve de casual na sua movimentação ou no passe de Bruno Fernandes. Também o terceiro golo de João Félix em três encontros, disputados numa semana, esteve longe de ser obra do acaso.
Foi uma grande partida de todos, sem exceções.
Com tantos motivos de destaque, dificilmente se poderá falar em coincidência.
A FIGURA: Gonçalo Ramos
Já decisivo diante da Noruega, o avançado do Milan voltou a pesar no desfecho, agora frente à Dinamarca. Serviu João Cancelo para o primeiro golo com um excelente toque de costas e marcou o 2-1 português. Pelo caminho, acertou no poste e esteve perto de marcar em mais duas ocasiões. Além do habitual instinto finalizador, destacou-se pela forma como combinou com os companheiros.
POSITIVO: Bruno Fernandes
Com João Félix no banco, ocupou o espaço que Jorge Jesus assumiu ser o mais indicado para ele: o de terceiro médio ou segundo avançado. Nesse papel, mostrou o melhor do seu futebol, nomeadamente nos passes para os golos de Gonçalo Ramos e Vitinha. Fez tudo parecer simples.
O MOMENTO: golo de João Félix. MINUTO 87
Portugal controlava a partida, mas já tinha deixado escapar duas vantagens e, sem o quarto golo, continuava presente a possibilidade de uma reação dinamarquesa. Numa transição lançada por Diogo Dalot no corredor direito, o atacante do Al Nassr concluiu a jogada que resolveu definitivamente o encontro.
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