Rio Ave-Nacional, 3-2: Blesa decide triunfo a dez na estreia de Vasco Seabra
I need a hero. O tema de Bonnie Tyler que ecoou antes do início do encontro parecia antecipar o enredo nos Arcos. O Rio Ave precisava de alguém que assumisse o protagonismo e encontrou Jalen Blesa, que, aos 73 minutos, mostrou frieza na marca dos onze metros para selar a vitória por 3-2 diante do Nacional. Um triunfo de contornos épicos, feito de sofrimento, mudanças no marcador e coragem redobrada, depois de os vilacondenses terem ficado com dez jogadores ainda antes da hora de jogo.
O primeiro encontro de Vasco Seabra no banco rioavista dificilmente poderia ter sido mais agitado. Frente a frente estavam duas equipas condicionadas pela classificação e à procura de pontos. O Nacional adiantou-se, mas o Rio Ave repôs a igualdade antes do descanso. Já na segunda metade, João Tomé recebeu dois amarelos em menos de cinco minutos e foi expulso, tornando aparentemente mais difícil a tarefa dos anfitriões.
Foi, porém, com menos um jogador que a formação de Vila do Conde chegou à vantagem, graças a Diogo Bezerra. Os insulares reagiram quase de imediato, com Abdel Njoya a marcar pela segunda vez e a empatar novamente, mas a decisão ficou reservada para Blesa. O avançado encarregou-se do penálti e vestiu a pele de herói, oferecendo a Vasco Seabra uma estreia feliz e ao Rio Ave três pontos importantes. Nos Arcos, a escolha musical acabou por encontrar correspondência dentro de campo: o herói surgiu quando mais era necessário.
O Rio Ave começou por tomar conta das operações, tentando jogar no meio-campo adversário, mas o Nacional foi mais objetivo e dispôs das oportunidades de maior perigo. Ambas as equipas, necessitadas de pontuar, fizeram cinco mudanças relativamente aos anteriores onzes. Vasco Seabra colocou de início Gustavo Mancha, Vrousai, Sellouki, Liavas e Clemmensen; Alexandre Santos escolheu Deivison, Kokolo, Dongmo, Daniel Júnior e Abdel.
Após os primeiros minutos de maior iniciativa da equipa da casa, o Nacional começou a aproximar-se com perigo. Aos 12 minutos, um remate forte de Matchoi à entrada da área exigiu uma excelente intervenção de Vítor Hugo. Sellouki ensaiou a resposta, mas atirou para as mãos de Marin, e foram os visitantes a voltar a ficar perto do golo. Aos 27 minutos, Abdel Njoya falhou uma ocasião clara, rematando por cima em plena área. Cinco minutos depois, compensou esse desperdício: na sequência de um cruzamento de Daniel Júnior e de uma assistência de cabeça de Francisco Gonçalves, cabeceou para o fundo da baliza.
O empate dos vilacondenses apareceu aos 40 minutos. Miguel Patrício tentou a sorte de fora da área, a bola sofreu um desvio em Zé Vítor e Marin conseguiu ainda travá-la com dificuldade. Na recarga, Clemmensen aproveitou para fazer a igualdade. O resultado voltava a refletir o equilíbrio e deixava a discussão inteiramente aberta para depois do intervalo.
O arranque da segunda parte trouxe uma contrariedade ao Rio Ave. Aos 54 minutos, João Tomé foi expulso por acumulação de cartões amarelos, deixando a equipa em inferioridade numérica. A desvantagem no número de jogadores não impediu, contudo, a reviravolta: aos 57 minutos, Diogo Bezerra finalizou com qualidade um contra-ataque liderado por Clemmensen e fez o segundo golo dos anfitriões. O Nacional respondeu apenas dois minutos depois. Abdel Njoya beneficiou de um corte mal conseguido de Miguel Patrício, bisou e voltou a empatar o encontro. A emoção aumentava e Jalen Blesa esteve perto de marcar para o Rio Ave, mas, depois de ultrapassar Renato Marin, ficou sem ângulo para concluir.
Aos 70 minutos, o VAR chamou o árbitro a rever uma jogada na área do Nacional. Após a análise, foi assinalada grande penalidade por uma falta de Dongmo, que pisou um adversário. Aos 72 minutos, Jalen Blesa assumiu a cobrança e rematou com segurança para o lado direito da baliza, colocando o resultado em 3-2 e recolocando os rioavistas na frente. O Nacional ainda tentou recuperar a igualdade até ao apito final, mas Vítor Hugo protagonizou uma enorme defesa perante um remate de Miguel Baeza em plena área. Ficava assim garantido um triunfo valioso do Rio Ave, alcançado com menos um elemento em campo.
FIGURA: Jalen Blesa (Rio Ave)
O avançado foi o protagonista decisivo de uma tarde memorável em Vila do Conde. Foi Blesa quem sofreu a falta que originou o penálti e foi também ele quem o converteu, com um remate para o lado direito da baliza que não deu possibilidades a Renato Marin. Uma intervenção determinante para uma vitória muito suada, numa altura em que o Rio Ave jogava reduzido a dez.
MOMENTO DO JOGO: Expulsão de João Tomé
Dois cartões amarelos num intervalo inferior a cinco minutos ditaram a expulsão de João Tomé. O Rio Ave ficou com menos um jogador precisamente quando tentava consumar a reviravolta no resultado. Apesar do peso desse contratempo, os vilacondenses conseguiram fazer da dificuldade um estímulo para conquistar uma vitória de grande importância.
POSITIVO: Estreia de Vasco Seabra
O novo treinador dificilmente poderia desejar um começo melhor. Chegado a Vila do Conde com o objetivo de contrariar o ciclo negativo, Vasco Seabra estreou-se com um triunfo por 3-2 sobre um adversário direto, apesar de ter disputado uma parte significativa da segunda metade com menos um jogador. A equipa deu uma demonstração de personalidade e capacidade competitiva que pode trazer renovado ânimo à procura de pontos dos rioavistas.
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