Samu recorda lesão, agradece a Farioli e deixa por revelar episódios no Atlético
Samu abordou o regresso aos relvados com a camisola do FC Porto, após mais de seis meses de ausência por uma rotura do ligamento cruzado anterior, e recordou a saída atribulada do Atlético de Madrid.
O ponta de lança espanhol contou que houve «dias em que nem sequer apetecia sair da cama», destacou a confiança depositada por Francesco Farioli e reconheceu que prefere manter por contar alguns episódios vividos no clube de Madrid.
«Chorei no dia em que me disseram que não ia poder jogar mais», confessou numa entrevista ao programa La Tribu, da Radio MARCA. A lesão grave no joelho deixou-o fora da competição por mais de seis meses e levou-o a falhar o Mundial, quando tentava afirmar-se na seleção espanhola que acabaria por conquistar o título mundial.
«Percebi que não ia poder participar no Campeonato do Mundo nem ajudar a minha equipa numa época incrível, a lutar em todas as frentes. No final, acabámos por ser campeões nacionais», lembrou.
Segundo o jogador portista, o período de recuperação foi marcado por oscilações. Houve dias sem «vontade de sair da cama» e muitas horas dedicadas ao trabalho individual, enquanto os colegas continuavam a competir.
A volta à competição deu-se a 20 de setembro, num palco e num jogo especiais: o clássico com o Benfica, no Estádio do Dragão. Samu pensava que a autorização médica só chegaria após a pausa para os compromissos das seleções, mas os progressos na recuperação permitiram antecipar o regresso. «Foi tudo como sonhei. Foi inexplicável. A forma como os adeptos me receberam foi incrível e eu nunca vou esquecer.»
Esse reencontro com os relvados trouxe novas emoções. «Senti-me livre. Já passou e agora posso voltar a fazer aquilo de que tanto gosto», relatou. Ao recordar o caminho percorrido, salientou o acompanhamento da família, da estrutura do FC Porto e, sobretudo, de Francesco Farioli.
«Devo tudo ao mister Farioli. Ele sempre confiou em mim, desde o primeiro dia, mas desde a lesão que ainda confiou mais», sublinhou. O avançado admitiu ter tido dúvidas sobre o seu lugar nas escolhas do técnico depois de tanto tempo afastado, mas o italiano tranquilizou-o: «Deu-me esse voto de confiança, disse-me que contava comigo e mostrou-me o quão importante sou para ele. Sinto-me muito grato. Nem todos os treinadores agem assim.»
A proximidade entre os jogadores foi outro dos pontos realçados pelo espanhol. «Somos uma família e lutamos uns pelos outros», disse Samu, enaltecendo a união que se vive no balneário dos dragões.
Apesar de o presente estar ligado ao FC Porto, a passagem por Madrid deixou situações que o avançado não quer tornar públicas. O Atlético contratou-o em 2023, depois de se evidenciar no Granada, mas Samu não realizou qualquer jogo oficial pelos colchoneros. Esteve uma época cedido ao Alavés e, no verão de 2024, foi transferido para o clube português.
Ao ser questionado sobre essa etapa, começou por reconhecer o papel do Atlético no seu percurso. «Estou super agradecido ao Atlético de Madrid. Eu, sem eles, talvez não estaria onde estou.»
Ainda assim, admitiu que a saída foi difícil. «Passaram-se muitas coisas de que também não quero falar, porque foi um período em que passei muito mal.»
O internacional espanhol rejeitou também a existência de um problema pessoal com Diego Simeone. «Não tenho nada contra ele. É uma luta de interesses e penso que foram coisas do passado que, no final, uma pessoa esquece. Eu também não sou rancoroso», esclareceu.
Voltar à seleção espanhola é outra das metas que tem pela frente. Depois de não ter podido disputar o Mundial, Samu pretende regressar às escolhas de Luis de la Fuente e aponta esse objetivo aos próximos meses. «Sei que é difícil, mas confio muito em mim. Sei que, se fizer as coisas bem, tenho grandes hipóteses de voltar.»
Sobre a Bola de Ouro, o avançado afirmou que escolheria um espanhol para receber o prémio, mas «dava-a a Lamine [Yamal] porque é um jogador diferente.»
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