Sp. Braga-Sporting, 1-3: banco leonino muda o rumo da noite na Pedreira
Rui Borges começou por guardar no banco algumas das principais figuras, mas os sinais de perigo na Pedreira obrigaram-no a intervir. Maxi Araújo, Rodrigo Zalazar e Luis Suárez foram lançados e transformaram por completo o Sp. Braga-Sporting. A perder por 1-0, os leões conseguiram inverter o resultado em cinco minutos. Mais tarde, Zalazar — que disputou com João Moutinho o estatuto de jogador mais assobiado da noite — voltou a marcar e pediu a substituição.
O Sporting recupera alento depois da pausa para as seleções e deixa Braga com uma convicção: com Zalazar neste nível e as restantes referências inspiradas, o título continua a ser uma possibilidade esta época. Não sobra tempo nem margem para recuperar ideias, ou expressões, antigas, senhor Montenegro. A cadência pausada e a técnica de outros tempos cederam espaço à velocidade vertiginosa. São formas distintas de olhar para o jogo, ambas legítimas.
Como se desenrolou o Sp. Braga-Sporting
A equipa leonina entrou mais empreendedora e com ligeiro ascendente, mas os bracarenses equilibraram as operações perto dos 15 minutos. Mesmo assim, as situações mais perigosas pertenceram ao Sporting, que demorava a decidir entre demasiados toques na bola… até aos últimos dez minutos antes do descanso. Depois de duas ameaças claras, travadas por intervenções decisivas de Fresneda e Quaresma, o Sp. Braga adiantou-se com uma infelicidade de Rui Silva.
Faltavam quase cinco minutos para o intervalo quando Huseinbasic tentou a sorte de fora da área. A bola embateu no ferro e acabou por ressaltar nas costas do guarda-redes dos leões antes de entrar.
A pressão aumentava sobre o Sporting. A memória dos dois empates fazia-se sentir e crescia o receio de prolongar a série sem vitórias. O cenário ameaçava tornar-se muito complicado, sobretudo porque o Sp. Braga dispôs de duas excelentes ocasiões para ampliar a diferença logo no arranque da segunda parte.
Foi nesse contexto que Rui Borges recorreu ao banco e começou a construir a vitória. Com cerca de meia hora pela frente, fez entrar de uma vez Maxi Araújo, Rodrigo Zalazar e Luis Suárez. A presença dos três sul-americanos alterou o rumo dos acontecimentos. Ioannidis tinha deixado uma primeira parte de empenho e qualidade, mas bastaram oito minutos a Suárez para se distinguir. É essa capacidade que ajuda a explicar a habitual titularidade do colombiano.
Irankunda colocou a bola na área com precisão e Suárez respondeu com um cabeceamento certeiro. Bernardo Fontes, até então irrepreensível, esticou-se e ainda lhe tocou com a luva esquerda, sem conseguir impedir o golo.
Pouco depois, os leões consumaram a reviravolta. Entre os assobios de quem antes o apoiava, Zalazar acelerou perante Gabri Martínez, ultrapassou o antigo colega e cruzou para um espaço onde nem Bernardo nem Vítor Carvalho resolveram. A falta de entendimento entre os bracarenses terminou com o guarda-redes a tocar por último na bola antes de esta entrar.
O Sporting passava a controlar o resultado e o Sp. Braga voltou a procurar o ataque. Só que a formação de Vicens se expôs repetidamente em inferioridade numérica nas transições defensivas, deixando antever que acabaria por sofrer numa dessas situações.
Foi precisamente o que aconteceu. Zalazar voltou a progredir pela direita, desta vez diante de Adrian Bajrami, e concluiu a jogada com um remate que beneficiou de um desvio para chegar ao golo.
Depois desse lance, Zalazar sentou-se no relvado, com queixas, e solicitou a saída. A sua missão estava cumprida.
O Sporting deixa Braga provisoriamente no segundo posto, três pontos abaixo do líder FC Porto e à frente do Benfica. Rui Borges alivia a pressão e mantém, para já, a possibilidade de terminar a época em festa.
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