Taça: Marítimo põe fim ao sonho do Alcochetense numa tarde de festa

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Taça: Marítimo põe fim ao sonho do Alcochetense numa tarde de festa

«Imagina o Pavlidis neste relvado.»

A frase, ouvida junto de um grupo de jovens da formação do Alcochetense, tinha tanto de brincadeira como do encanto próprio da Taça de Portugal. Sob um sol que quase fazia lembrar o verão, na vila das Festas do Barrete Verde e da tauromaquia, o estádio vizinho da praça de touros acolhia uma ambição sem divisões. O Marítimo, emblema histórico do futebol nacional, regressava a Alcochete 50 anos após os últimos encontros entre os dois clubes. Perto da entrada dos jogadores, os miúdos da casa, devidamente equipados, alimentavam a esperança de uma surpresa.

André Geraldes, CEO do Alcochetense, reconhecia a dificuldade da tarefa, sem renunciar à vontade de vencer. «Vamos entrar no jogo para ganhar, sabendo que as diferenças existem», afirmou, apontando a disparidade dos orçamentos e dos campeonatos disputados pelas duas equipas. António Pereira, treinador com um passado de triunfos sobre gigantes na Taça, era outro dos motivos de confiança.

No relvado, a distância entre escalões não teve tradução imediata no resultado. O Marítimo somou situações de perigo durante a primeira parte: Boakye perdeu uma oportunidade clara aos 11 minutos, Martín Tejón rematou à barra aos 27 e, aos 39, voltou a desperdiçar, desta vez isolado. Do outro lado, o Alcochetense, do Campeonato de Portugal, aguentava a pressão e também se aproximava da baliza adversária, principalmente por José Precatado. O empate sem golos ao intervalo mantinha viva a crença nas bancadas.

O bloco da casa acabou por ceder aos 54 minutos. Na sequência de um cruzamento de Simo, Boakye surgiu ao segundo poste e desviou para o primeiro golo. Seguiu-se uma paragem pouco habitual: o árbitro assistente Diogo Pereira lesionou-se e deu lugar ao quarto árbitro, Hugo Saldanha. Depois do recomeço, os madeirenses chegaram ao segundo aos 62 minutos, através de uma grande penalidade convertida por Simo.

Quando o desfecho parecia encaminhado para o Marítimo, José Precatado devolveu emoção à eliminatória. Aos 65 minutos, avançou pelo corredor direito, procurou o meio e rematou com força para reduzir para 1-2. Nas bancadas, a reação foi imediata. «Sobe, sobe!», «Anda lá!», incentivavam os adeptos, recuperando a fé numa reviravolta que pouco antes parecia improvável.

A informação de que o Salgueiros estava em vantagem frente ao Estoril também ajudava a alimentar os sonhos. «Irmos a prolongamento, para mim, já é uma vitória», escutava-se entre o público. Durante aqueles instantes, a Taça media-se em Alcochete pela esperança de quem acreditava, e não pela diferença entre os orçamentos.

A entrega do Alcochetense acabou por ser insuficiente para consumar a surpresa. O Marítimo conservou a vantagem de um golo e garantiu a presença na quarta eliminatória da Taça de Portugal, encerrando o sonho dos anfitriões. À equipa da casa ficou a resposta que reacendeu o entusiasmo dos adeptos e recordou que, nesta competição, um golo pode bastar para renovar a crença, mesmo perante o peso da diferença de divisões.

José Precatado foi o principal destaque do Alcochetense. Às boas incursões na primeira parte juntou, depois do intervalo, o golo que voltou a fazer sonhar a formação do Campeonato de Portugal. Uma exibição de grande nível do lateral direito da equipa da casa.

Com o Marítimo já a ganhar por 1-0, a falta cometida na área pelo defesa do Alcochetense permitiu aos insulares aumentar a vantagem e ganhar algum alívio, precisamente quando os anfitriões tentavam chegar à igualdade.

FICHA DE JOGO

Estádio: António De Almeida Correia - Foni

Árbitro: Pedro Ramalho (AF Évora)

Assistentes: Diogo Pereira, Ruben Silva e Hugo Saldanha.

ALCOCHETENSE: Luís Ribeiro, Tiago Palancha, Rúben Pinto (59m), Yuran Missael, Fábio Celestino, Gonçalo Pinto (73m), Harramiz (73m), Valdumar Té (59m), José Precatado, David Lopes e Miguel Abreu (59m).

Suplentes do Alcochetense: Guilherme Silva, Leandro Tipote, Jorge Lino, Diogo Ferreira (59m), Mário Amaro, Dionildo Vilhete (59m), Rodrigo Pinto, David Freire (59m) e Rúben Moreno.

MARÍTIMO: Gonçalo Tabuaço, Igor Julião, Rafael Fernandes (46m), Andrade (63m), Maxime Dominguez (84m), Martín Tejón, Simo (73m), Szalai, Paulo Henrique, Ayuma e Boakye (73m).

Suplentes do Marítimo: Alfonso Pastor, Nilton, Bassoumina (73m), Tomás Tavares (84m), Adrian Butzke (73m), Alani (63m), Bamba, Limbombe e Romain (46m).

DISCIPLINA

Cartões amarelos: Maxime Dominguez (22m), Rafael Fernandes (33m), Andrade (49m), Fábio Celestino (62m), Paulo Henrique (77m), Martín Tejón (83m) e Romain Correia (89m).

Cartões vermelhos: ---

GOLOS: Boakye (54m), Simo (64m) e José Precatado (65m).

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