Taça: Sanjoanense derruba Nacional e agrava crise dos madeirenses

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Taça: Sanjoanense derruba Nacional e agrava crise dos madeirenses

Ir ao mítico Estádio Conde Dias Garcia ver futebol é também uma oportunidade para encontrar protagonistas da história da modalidade. São João da Madeira é conhecida pelo trabalho, mas igualmente pelos jogadores de talento que dali saíram e deixaram marca em alguns dos capítulos mais relevantes do futebol português.

Do campeão europeu António Sousa ao seu filho Ricardo, passando por Veloso e Vermelhinho, não faltam exemplos. Também o «soltinho» Cândido Costa é natural da cidade. E, entre quem atravessa o portão, surge Rui Correia, guarda-redes que conquistou dois campeonatos nacionais pelo FC Porto nos anos 1990 e soma ainda três Taças de Portugal no currículo.

«A melhor memória que tenho da Taça? A final com o Braga que o FC Porto ganhou 3-1», responde, com o bilhete na mão. A recordação continua bem presente, apesar de terem passado quase 30 anos sobre aquela tarde de conquista no Jamor.

Hoje, aproveita as oportunidades para acompanhar na bancada o clube da sua terra, atualmente no Campeonato de Portugal. Ainda assim, «taça é sempre taça», lembra, e a presença de um adversário da Liga, como o Nacional, não impede que se sonhe. Antes do encontro, o presidente Joaquim Gonçalves resumia a expectativa: «é esperar que aconteça um milagre».

O que aconteceu durante a primeira parte mostrou, porém, que falar em milagre talvez fosse excessivo. Como observou Rui Correia numa breve conversa, «o futebol, hoje, está muito mais equilibrado». E a equipa do quarto escalão demonstrou-o, mantendo o adversário da Liga em dificuldades durante quase toda a etapa inicial.

João Araújo tentou marcar diretamente de canto, aos sete minutos, e Sylvestre, aos 37, rematou cruzado depois de uma boa iniciativa individual. Em ambos os casos, João Gonçalves teve de se aplicar para defender, mantendo o Nacional a salvo com intervenções difíceis. Os madeirenses circulavam pelo relvado sem criatividade nem rapidez para alterar o cenário.

Já perto do intervalo, Minkyu Song, sul-coreano, cabeceou e obrigou Bernardo Santos a uma grande defesa. Foi o primeiro indício de reação do Nacional, mas não teve continuidade expressiva. O segundo tempo manteve a tendência do primeiro, mesmo com o lançamento de jogadores de peso no conjunto madeirense, entre eles Matheus Dias e Miguel Baeza.

A surpresa, bem diferente de um milagre, ganhou forma aos 81 minutos. Num lance confuso dentro da área do Nacional, Baba Dabo apareceu no sítio certo para acabar finalmente com o nulo.

Na verdade, o desfecho só poderia espantar quem não tivesse acompanhado a partida. A passagem da Taça de Portugal por São João da Madeira deixou a promessa de uma grande festa, em contraste com o desânimo que continua a instalar-se no Nacional. Os madeirenses levam agora sete encontros consecutivos sem ganhar, e este resultado tem um significado particularmente pesado.

O médio do Burquina-Fasso foi quem melhor interpretou a jogada confusa na área adversária, revelando serenidade na hora de finalizar. Assumiu, assim, o papel de herói da tarde e deu o melhor desfecho a uma exibição em que se impôs no meio-campo.

Sem nunca se deixar intimidar pelo estatuto do adversário da Liga, a Sanjoanense acreditou que podia surpreender. O golo de Dabo recompensou essa atitude e espelhou uma atuação de esforço, com lugar na história.

Estádio Conde Dias Garcia, em São João da Madeira

Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)

Assistentes: Pedro Ribeiro e Miguel Martins

SANJOANENSE: Bernardo Santos, Sylvestre (75m), Léo Dias, Junilson Cá, João Araújo, Dabo Baba, Pedro Martins, Diogo Andrezo (71m), André Ramalho, Francisco Brandão (Diogo Machado, 84m) e Erick Gabriel (71m).

Suplentes da Sanjoanense: André Duarte, Gonçalo Dinis, Johnson Juah (71m), Zito, Rafinha, Raul Cepeda, Rui Silva (75m), Diogo Machado e Maxwell Sani (71m).

NACIONAL: João Gonçalves, Markus Jensen (62m), Minkyu Song, Ivanildo Fernandes, Chiheb Leadibi (85m), Matchoi Djaló (68m), Williams Kololo, Kader Abdel (68m), Danel Dongmo (int), José Cardoso e Deivison Brito.

Suplentes do Nacional: Ranato Marin, Matheus Dias (int), Miguel Baeza (68m), Allen Ayovi (68m), Stavros Gavriel (62m), Fernando Ortega (85m), Mateus Iseppe, Joel Silva e Francisco Gonçalves.

Golo: Maxwell Sani (82m)

DISCIPLINA

Cartões amarelos: Danel Dongmo (33m), Zé Vítor (54m), Erick Gabriel (62m) e Maxwell Sani (83m)

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