Ronaldo quis revelar a verdade sobre Jesus, mas acabou por se expor a si próprio
Existe um detalhe significativo na publicação em que Cristiano Ronaldo partilhou o comunicado divulgado na terça-feira: nenhum jogador da Seleção Nacional deixou um gosto.
As presenças mais próximas desse universo são Anthony Lopes e Vieirinha, ambos campeões europeus em 2016, mas entretanto afastados da equipa nacional. No caso do primeiro, a saída nem sequer aconteceu propriamente a bem.
Não faltam, naturalmente, outros nomes do futebol. É o caso de Vinícius Jr., Vitor Baía, Éder Militão, Marcelo, Lucas Vasquez, Thiago Silva, David Ospina, Nacho Fernández e Richarlison, entre outros.
Mas companheiros da Seleção? Nem um. Nenhum sinal de apoio.
A explicação não parece difícil de encontrar. Um futebolista, ainda que se chame Cristiano Ronaldo, não deve pronunciar-se sobre a escolha do próximo selecionador, nem envolver um amigo na resolução de um conflito no seio da equipa nacional.
Um futebolista, mesmo tratando-se de Cristiano Ronaldo, não deve ajudar a determinar o discurso do selecionador numa conferência de imprensa. Também não deve aprovar antecipadamente um documento com essas orientações, nem acertar previamente com o treinador os minutos que terá em campo.
Nada disso lhe deveria caber. Sobretudo, não deveria expor publicamente semelhantes privilégios como se fossem absolutamente naturais.
Ao tentar provar que Jorge Jesus faltou duas vezes à palavra dada, Ronaldo acabou por mostrar algo mais grave: comporta-se como proprietário da Seleção e considera esse comportamento normal.
Talvez isso explique a naturalidade com que terá exigido que o selecionador declarasse ao mundo que o seu comportamento foi exemplar, que ama a Seleção, que o quer muito, que nada tem para lhe ensinar acerca de Portugal e que não deveria ter tratado daquela maneira um jogador da sua dimensão.
Por outras palavras, entende como legítimo pedir ao selecionador não uma simples correção, mas uma rendição pública feita com reverência.
A intenção de Ronaldo era dar-nos a conhecer a verdade sobre Jorge Jesus. O resultado foi acabar por revelar a verdade sobre si mesmo.
Será assim tão surpreendente que os companheiros não subscrevam esta posição?
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