Vasco Seabra pede equilíbrio nas vitórias e derrotas e aceita assobios dos adeptos

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Vasco Seabra pede equilíbrio nas vitórias e derrotas e aceita assobios dos adeptos

Vasco Seabra aceitou os assobios dos adeptos do Rio Ave depois da derrota por 4-0 diante do Famalicão, embora tenha considerado o resultado excessivamente pesado face ao que a equipa apresentou. O treinador lamentou a perda de competitividade após o segundo golo e lembrou que o grupo continua a desenvolver uma mentalidade vencedora. Para ultrapassar esta fase, defendeu mais trabalho e equilíbrio na forma de lidar com os resultados.

A reação aos assobios dos adeptos

O técnico afirmou compreender as manifestações dos adeptos, sejam assobios ou aplausos, lembrando que pagam quotas, gostam do clube e têm legitimidade para demonstrar o que sentem. Na sua perspetiva, cabe à equipa conquistar o apoio dos seguidores através da atitude, da paixão e do compromisso que coloca em campo.

Seabra salientou que o futebol vive de emoções, condicionadas pelas vitórias, pelos empates e pelas derrotas. Acrescentou que todos os que escolheram esta profissão conhecem essa realidade, pelo que não podem sentir-se melindrados com as reações. O caminho, explicou, passa por aceitá-las e procurar aproximar novamente os adeptos da equipa através do trabalho.

Ainda assim, ressalvou que não pode pedir mais trabalho do que aquele que já tem sido feito, pois sente que os jogadores se têm empenhado muito na construção de um processo e de uma forma própria de estar em jogo. Quanto à partida, classificou o resultado como ingrato, demasiado expressivo e penalizador perante o desempenho das duas equipas.

Apesar dessa avaliação, fez questão de felicitar o Famalicão, que descreveu como uma boa equipa, com qualidade individual. Identificou o remate de longa distância que abriu o marcador como um momento-chave para o adversário. Depois, apontou como decisiva a oportunidade em que Blesa, isolado, acertou no poste após uma defesa de Carevic. Na sua análise, um empate nessa ocasião poderia ter permitido ao Rio Ave levar o encontro para um rumo mais favorável.

O treinador reconheceu, porém, que a realidade foi uma derrota por 4-0. Admitiu também que, a partir dos 70 ou 75 minutos, os seus jogadores deixaram de competir como tinham feito até então. Considerou que essa quebra mostra que existem progressos, mas que o Rio Ave ainda está distante da equipa que pretende construir.

Seabra manifestou total confiança de que o grupo estará melhor na próxima semana e de que, dentro de um mês, terá evoluído em relação ao momento atual. Recordou que, na semana anterior, depois do jogo da Taça e de duas vitórias consecutivas, não houve euforia. Havia satisfação, mas também consciência de que restava muito trabalho pela frente.

Essa necessidade mantém-se agora, tal como a importância de continuar a acreditar, sublinhou. O técnico defendeu que as vitórias não devem provocar euforia, nem as derrotas levar à depressão. Pediu equilíbrio e uma análise ao que correu bem e mal, para que a equipa consiga progredir.

A quebra após o segundo golo e a questão da mentalidade

Questionado sobre a aparente desistência da equipa depois do segundo golo, Seabra não escondeu que o Rio Ave atravessa um processo de construção. Explicou que aceitou o desafio precisamente por acreditar na capacidade de todos criarem, em conjunto, algo positivo.

Segundo o treinador, tanto o contacto que recebeu como a decisão de abraçar o projeto assentaram na convicção de que seria possível unir esforços em torno da mentalidade pretendida. Alertou, contudo, que essa transformação não acontece em dois dias. Trata-se de desenvolver uma cultura que exige tempo, embora a intenção seja acelerar esse percurso tanto quanto possível.

Para Seabra, essa cultura tem de ser vencedora, o que não equivale a ganhar todas as partidas. Significa, antes, encarar cada duelo com vontade de o vencer, lutar por cada centímetro e jogar sempre para ganhar. Admitiu que a equipa ainda não consegue sustentar essa postura ao longo dos 90 minutos, ou dos 93, como aconteceu neste encontro, e reforçou a necessidade de trabalhar para atingir esse objetivo.

O impacto do golo no arranque da segunda parte

O treinador confirmou que o golo sofrido no início do segundo tempo alterou os planos. Ao intervalo, a equipa procurou ajustar alguns aspetos e perceber de que maneira poderia tirar melhor partido da organização defensiva do Famalicão. Contudo, o adversário marcou aos 47 minutos, deixando os jogadores do Rio Ave imediatamente mais ansiosos e nervosos.

Ainda assim, Seabra considerou que, até ao segundo golo famalicense, a sua equipa competiu e tentou discutir o resultado, tendo capacidade e condições para o fazer. Depois desse momento, reconheceu uma perda de energia e uma descida do nível competitivo que vinha a ser apresentado.

Identificou essa quebra como o momento-chave para o Rio Ave e defendeu que o grupo tem de aprender a reagir a situações semelhantes. Independentemente do que aconteça durante a partida, frisou, é necessário perceber que o jogo continua.

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