Kaique brilha em Lens e ameaça a hierarquia na baliza do Sporting

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Kaique brilha em Lens e ameaça a hierarquia na baliza do Sporting

Dificilmente Kaique poderia ter assinado uma estreia mais convincente, ainda por cima na Liga dos Campeões. O guarda-redes de 23 anos destacou-se em Lens, no triunfo do Sporting por 2-0, ao somar seis defesas, três delas na pequena área, e 14 recuperações de posse. Uma prestação que voltou a colocar em discussão a titularidade na baliza leonina.

Recrutado ao Palmeiras no final de agosto por 4 milhões de euros, Kaique chegou a Alvalade para ocupar o lugar de suplente de Rui Silva. O desempenho em Lens, porém, poderá mexer com essa ordem.

Antes de ganhar projeção no futebol, o jovem de Paudalho, em Pernambuco, no Nordeste brasileiro, destacou-se como guarda-redes de andebol. Acabou por escolher o futebol e passou pela Portuguesa, de São Paulo, até 2019, ano em que, aos 15 anos, ingressou no Palmeiras. Afirmou-se rapidamente como uma promessa do “Verdão” e passou a participar nos treinos do “professor” Abel Ferreira.

Com 1,93 metros e internacionalizações pelos sub-20, Kaique venceu o Campeonato Sul-Americano e participou no Mundial de 2023 desse escalão. Sem chegar a estrear-se oficialmente pela equipa do Palmeiras, rumou à Europa em 2024.

José Mota e Tozé Marreco, que trabalharam com o brasileiro em Faro na temporada 2024/25, ajudam a explicar as suas qualidades. O primeiro introduziu-o no contexto da Liga; o segundo deu-lhe oportunidades num Farense que tinha Ricardo Velho.

Cedido pelo Palmeiras aos leões de Faro, Kaique chegou a Portugal com referências muito positivas, como recorda José Mota.

«O Kaique estava destacado pelo potencial, então tentei recolher informações junto do Abel Ferreira, que falou muitíssimo bem do homem e do atleta. Já em Faro, o Kaique recolheu a simpatia de todos, pela capacidade de trabalho e pela forma como se envolve com os colegas. É um atleta com uma grande disponibilidade para trabalhar. Já se notava que seria um guarda-redes de grande estatuto.»

«Havia o Ricardo Velho, à época o melhor guarda-redes da Liga, mas o Kaique também ganhou relevância. Mantiveram uma grande disputa e amizade», lembra o experiente técnico de 62 anos.

Antes de participar na “EXPOFUT” da Liga Portugal, no Porto, José Mota revisitou o percurso do guarda-redes. Enquanto espera por propostas convincentes para voltar à competição, o antigo treinador do Farense recordou o contratempo sofrido por Kaique em 12 de julho de 2024.

«Num particular com o Benfica em Águeda (5-0), o Kaique foi titular, mas saiu ainda na primeira parte. Teve uma lesão que o afastou vários meses e teve de ser operado a um braço.»

A estreia oficial aconteceu já com Tozé Marreco no comando do Farense, em 23 de novembro de 2024. No sopé da Serra da Freita, em encontro da Taça de Portugal, os algarvios ganharam por 2-1.

Na condição de alternativa a Ricardo Velho, o brasileiro só regressou à titularidade em abril de 2025, aproveitando a ausência do internacional português. Numa temporada particularmente difícil para o Farense, terminada com a descida à II Liga, Kaique alinhou em seis jornadas seguidas, com três triunfos, diante de Estrela, Famalicão e Vitória, e três desaires, frente a Boavista, Gil Vicente e Santa Clara.

O primeiro jogo na Liga, disputado na Amadora em 13 de abril de 2025, ficou marcado por um penálti defendido aos 40 minutos. Depois, o avançado Rui Costa marcou o golo dos algarvios na vitória por 1-0.

«É um gato na baliza! A capacidade de posicionamento, a agilidade e a velocidade são impressionantes. No Nacional também revelou o talento para defender penáltis. É um guarda-redes diferenciado, com uma personalidade muito forte, que transmite segurança», destaca Tozé Marreco.

Aos 39 anos, o treinador está a cumprir a primeira experiência fora de Portugal, à frente do Stade Tunisien, nono classificado do campeonato tunisino. Numa conversa após a manhã de treinos, recordou apenas bons momentos com Kaique daquela temporada em Faro, em 2024/25, que acabou a um ponto do play-off de manutenção.

«Ele gostava de conversar no pós-treino sobre como melhorar. Tem um saber estar diferenciado. É o pacote completo de um atleta da alta competição. A exibição em Lens não me surpreendeu. Vi a tranquilidade, a segurança e a serenidade habitual», sustenta.

Com a descida do Farense, Kaique manteve-se na Liga através de novo empréstimo do Palmeiras, desta vez ao Nacional. Orientado por Tiago Margarido, conquistou o lugar no final de setembro, somou 28 partidas e teve um papel determinante na permanência.

As exibições arrojadas e seguras evidenciaram a agilidade e a rapidez sublinhadas por Tozé Marreco. Pelo caminho, defendeu penáltis frente a Benfica, Tondela e Vitória de Guimarães.

Para Marreco, o potencial de Kaique é inequívoco: vê nele o sucessor de Rui Silva a curto prazo e um guarda-redes capaz de alcançar outros patamares.

«Já está num grande clube, mas vai chegar ainda mais alto. Foi uma contratação muito inteligente do Sporting, vai assumir a titularidade e vai dar um salto ainda maior», afirma.

José Mota partilha os elogios e destaca também as características pessoais do brasileiro.

«Não é muito extrovertido, mas é atento, gosta de estar no seu canto e tem as suas boas amizades. Não cria problemas, é solidário e amigo. Tem tudo para se evidenciar.»

Entre os jogadores do atual plantel leonino, José Mota orientou Kaique em Faro e Pedro Lima na Vila das Aves, em 2025/26. Ambos nasceram em 2003 e fizeram a formação no Palmeiras.

«Já eram muito amigos no Palmeiras. Antes de contratar o Pedro Lima ao Palmeiras, recorri ao Kaique para obter mais informações. Ontem [terça-feira] ambos jogaram na Champions, cumpriram esse um sonho, o que é muito gratificante para nós [treinadores]. É a maior valorização na nossa carreira», conclui.

Pedro Lima contabiliza duas presenças na Liga e uma na Champions, que totalizam 11 minutos. Já Kaique estreou-se oficialmente em Lens e terminou o encontro sem sofrer golos.

Rui Silva continua a ser o titular da baliza do Sporting, lugar que ocupa desde 18 de janeiro de 2025, quando se impôs a Franco Israel. Em 80 encontros, só ficou como suplente não utilizado diante de Paços de Ferreira, Marinhense, Santa Clara e AVS, todos na Taça, e de Lens, na Champions.

Antes de chegar ao Sporting, Rui Silva representou o Nacional entre 2012 e 2017. Seguiram-se passagens por Granada e Betis, mas a ligação ao clube madeirense constitui uma curiosa semelhança com o percurso de Kaique.

A equipa de Rui Borges soma duas vitórias na Champions e prepara a receção aos austríacos do LASK Linz, marcada para 21 de outubro, quarta-feira, às 20h.

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